USP analisa religiosidade e ateísmo do ponto de vista psicológico

Instituição estuda religiosidade utilizando psicologia

Atualizado: Terça-feira, 4 Setembro de 2012 as 8:28

Desde 2000, por iniciativa do professor Geraldo José de Paiva, o Laboratório de Psicologia Social da Religião da USP se concentra em responder questões: Como entender os fenômenos religiosos? Qual a ação da religião na psique das pessoas? Estudos do Instituto de Psicologia (IP) da USP buscam responder questões como essas, utilizando as abordagens da psicologia.

O grupo é formado por 12 pessoas, todos doutores e doutorandos. Não apenas da USP. Instituições de ensino como a PUC e o Mackenzie trabalham em pareceria para desenvolver pesquisas concretas sobre o fenômeno religioso. Alguns dos colaboradores do Laboratório têm ainda formação diversa, como pós-graduação em Ciência da Religião, e em Semiótica, que é o estudo dos sistemas de significação.

Segundo a USP, o primeiro ponto é a investigação dos modos de enfrentamento dos problemas. “Existem modos seculares e modos religiosos de enfrentamento, mas eles não são incompatíveis. Se um religioso está doente, ele pode ir ao médico e também ir rezar na igreja. Da mesma forma que um ateu, além de procurar o médico, em um momento de desespero, pode realizar uma oração”, explica. O Laboratório pretende definir quais recursos mais utilizados e em que circunstâncias são invocados os enfrentamentos laicos e religiosos.

Segundo o professor, o ponto de partida deste novo estudo foi a busca por uma melhor compreensão do fenômeno do ateísmo, área pouco estudada sob o ponto de vista psicológico no Brasil. “O censo mostra um aumento muito significativo no número de pessoas que se declaram ateias e isso deve despertar interesse e ser estudado pela psicologia”, prevê.

O grupo realiza, além de pesquisas inéditas, estudos baseados em pesquisas sediadas em universidades na Europa e nos Estados Unidos, trazendo-as para a realidade brasileira. “Nós as utilizamos para verificar se os resultados obtidos em outros locais seriam os mesmos aqui no Brasil”, explica.

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