Valores Cristãos ajudam a recuperar dependentes químicos

Valores Cristãos ajudam a recuperar dependentes químicos

Atualizado: Sexta-feira, 26 Março de 2010 as 12

Assumindo a árdua missão de recuperar e reintegrar ao convívio social dependentes químicos, a partir, essencialmente, da disseminação de valores cristãos e do usufruto de terapias ocupacionais, a Comunidade Desafio Jovem, há 18 anos em Parnamirim, utiliza-se primordialmente de trabalhos voluntários, caracterizando-se como um exemplo de superação.

Trabalhando apenas focada em recuperar e reintegrar socialmente usuários de drogas, mais precisamente homens a partir dos 18 anos, a entidade, sem fins lucrativos, embora não utilize técnicas modernas de suporte e alta complexidade na terapêutica adotada, tem se destacado em sua meta, sendo referência na região por atingir a média de 30% de pacientes recuperados, a cada grupo de 60 internos.

''Existe sim, a reincidência de pacientes que, após retorno ao convívio familiar, recaem nos vícios praticados anteriormente, porém, ainda assim, em meio a uma batalha constante, nós somos referência pelo trabalho sério e comprometido com valores morais e éticos que são a base do cristianismo vivenciado com responsabilidade social'', explica Clébio Alves, coordenador da entidade.

Clébio esclarece que a comunidade Desafio Jovem foi fundada em Parnamirim pelo pastor José Júnior de Carvalho, sendo fruto de um projeto assistencial anterior da igreja presbiteriana americana que se consolidou no Brasil em 1977, desencadeando outras comunidades sem fins lucrativos que se expandiram em algumas capitais.

''Os dependentes químicos que buscam nosso trabalho tem que desejar, de fato, fazerem parte de um ambiente com normas de conduta pré-estabelecidas, que não podem ser desconsideradas e a família tem que estar em comum acordo e ser parte favorável e integrante ao processo'', revela Clébio.

Clébio conta que o êxito do trabalho desenvolvido há 18 anos está na base de atuação, fundamentada, primordialmente, no resgate da auto-estima de pessoas que, em sua maioria, lidam com conflitos familiares e tem um histórico de vida com muitos traumas. ''Primeiro alimentamos estas pessoas com o que elas mais necessitam: a valorização pessoal a partir dos preceitos cristãos'', fundamenta, acrescentando que essa conduta se concretiza com palestras cristãs que vão além da evangelização, pois trazem à tona a partilha de experiências e o respeito à história de vida de cada interno.

No Desafio, as tarefas começam cedo, às 5h45mim, e se estendem durante todo o dia com ensino religioso e trabalhos artesanais, mesclados com recreação e atividades domésticas, tudo num misto de acolhida e cumprimento de novos valores disciplinares de comportamento, tudo sem requintes, mas com integração de todos os envolvidos.

O coordenador da entidade também esclarece que a terapia ocupacional funciona no local como um agente motivacional imprescindível no trabalho de recuperação de dependentes químicos e ofícios como marcenaria, horticultura, confecção de vassouras com material reciclado (garrafas peti) além de tarefas domésticas e atividades recreativas são disponibilizados com o apoio de monitores voluntários.

Além da oportunar o aprendizado de um novo ofício, a comunidade estimula o retorno aos estudos. ''Disciplinas essenciais, como português e matemática, são ministradas diariamente, por membros voluntários, a pessoas, muitas vezes, sem instrução alguma'', revela Clébio.

Atualmente, a entidade recebe apenas o apoio da Prefeitura de Parnamirim, com quem firmou convênio para auxílio financeiro visando a manutenção das instalações. Além do convênio firmado com o poder executivo, a entidade também recebe escassos donativos de voluntários da iniciativa privada.  Grande parte do custeio do trabalho desenvolvido é oriundo do material confeccionado pelos próprios internos, que produzem vassouras em um galpão equipado e confeccionam portas, janelas e diversos artigos em madeira que são, também, comercializados na região.

Outro ponto frisado pelo coordenador da entidade é o amparo médico, contamos também com visitas da equipe do PSF que formada por enfermeiros e clínico geral, que futuramente irá englobar a periodicidade de psicólogos.

Segundo a enfermeira Maria do Socorro Medeiros, que freqüenta a instituição dando suporte de assistência médica, existe o planejamento de psicólogos atuarem mais intensamente nas visitas ao local e também estamos planejando focar palestras sobre doenças sexualmente transmissíveis, paralelamente.

Clébio revela que psiquiatras e psicólogos assistem aos internos, porém são profissionais voluntários que não estão no quadro de pessoas que atuam em tempo integral, dando um suporte maior.

Casos reincidentes são frequentes

Todo o esforço de reintegração ao convívio social e libertação da dependência química nem sempre tem resultados rápidos e requerem acompanhamento, conforme revela o coordenador do Desafio Jovem, Clébio Alves.

Casos como o de Artur de Sena, 24, que já esteve interno anteriormente para reabilitação na comunidade por 9 meses, retornando atualmente após recaída no vício, são muito frequentes.

Artur explica que desde os 14 anos foi viciado em drogas, chegando a usar até mesmo o craque. Ele conta que procurou o Desafio Jovem através do irmão que também se tratou no local e hoje está recuperado e realiza trabalho voluntário. Contudo, Artur explica que foi difícil retornar ao convívio dos amigos, também usuários de drogas, pois voltando a estar em contato com essas pessoas, o vício veio à tona novamente, daí ele procurou ajuda mais uma vez no local e pretende ficar até estar seguro de que poderá enfrentar os próximos desafios.

''Sei que é difícil, mas encontrei, aqui, apoio. Me sinto bem, sou bem acolhido e gosto de estar aqui, porque me sinto aceito por todos. A religião tem feito bem a minha vida'', comenta Artur, frisando que, desta vez, irá até o fim em sua luta.

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