"Valorização da vida" foi o debate do ano

"Valorização da vida" foi o debate do ano

Atualizado: Segunda-feira, 8 Novembro de 2010 as 10:46

Um dos pontos chaves dos debates da campanha presidencial deste ano, que serviu como ferramenta de ataque para os opositores, foi a legalização do aborto. O tema ainda é considerado como um dos mais polêmicos no país. Como forma de contornar a polêmica, a candidata eleita Dilma Rousseff usou como estratégia o discurso voltado para a valorização da vida. Alguns candidatos, à época do pleito, chegaram a comentar a realização de um plesbicito para decidir sobre a descriminalização do aborto.

Na outra extremidade, está a visão as religiões cristãs sobre o tema. Para a Igreja Católica, a prática do aborto se resume à interrupção da vida. "A Igreja é sempre a favor da vida, desde a 'concepção até o seu declínio natural'. Por valoração moral e obediência ao Plano de Deus, a Igreja sempre é contrária ao aborto provocado, em nome da sacralidade da existência", enfatiza o padre Virgílio Almeida, autor de vários artigos sobre o assunto.

O entendimento da Igreja Católica fica claro diante de reações como o que aconteceu com uma menina de nove anos que interrompeu a gravidez de gêmeos, fruto do estupro do padrasto. A Arquidiocese de Recife ameaçou fazer uma denúncia ao Ministério Público de Pernambuco a fim de evitar a interrupção da gestação de dois fetos, que chegou a ser classificada como assassinato de duas crianças.

O fato aconteceu no ano passado, na cidade de Alagoinha, a 230 quilômetros de distância de Recife. A mãe da criança assinou a autorização para os médicos realizarem o procedimento abortivo. O aborto induzido teve respaldo da justiça, por conta de dois agravantes: a garota foi vítima de violência sexual e a gravidez era de alto risco. Esses dois eventos justificam, na visão jurídica, o procedimento abortivo.

"Para a Igreja, a vida humana não é fruto de um simples acidente resultante do encontro de um óvulo com um espermatozóide. Cada vida é dom de Deus. Seria arvorar-se como Deus, numa atitude prepotente da sociedade, a aceitação de que alguém decida sobre a vida de outro ser humano. A vida é sagrada e ninguém pode dispor dela a seu bel-prazer", disse o padre Virgílio, acrescentando que a "a mentalidade abortista desconhece o mistério revelado, por isto tem uma compreensão profundamente redutiva e jurídica sobre a pessoa humana".

Na mesma linha de defesa da vida, a Igreja se mostra contrária a eutasásia. A ação, praticada por um médico com o consentimento do doente ou da família do paciente, tem a finalidade de apressar a morte de um enfermo incurável, desenganado pela medicina, sem que ele sinta dor. Para o padre Virgílio, a eutanásia se resume à indução da morte de uma pessoa inocente. O papa João Paulo II, em uma de suas publicações, trata o ato como "uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana". Virgílio concluiu que "partindo da revelação da sacralidade e inviolabilidade de toda vida, a Igreja considera moralmente inaceitável a eutanásia".

Diante da visão das igrejas evangélicas, o pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil em João Pessoa Robinson Granjeiro, afirmou ser favorável a preservação da vida de alguém por todos os meios possíveis, desde que não seja uma vida artificial. "É preciso deixar o fluxo natural do ciclo da vida acontecer, especialmente se este foi o desejo manifesto a priori pela pessoa que vier a se encontrar neste estado. Muitas vezes a morte ocorre com sofrimento e dor, nos propósitos insondáveis de Deus", opinou.

Por Jacqueline santos

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