Vaticano teme que escândalos afetem as finanças da Igreja

Vaticano teme que escândalos afetem as finanças da Igreja

Atualizado: Quarta-feira, 28 Abril de 2010 as 12

Oficiais do Vaticano temem que a atual crise de imagem que atinge a Igreja Católica, com denúncias em todo o mundo de abusos cometidos por membros da Igreja contra crianças e jovens, possa ter um efeito devastador nas finanças da instituição na Itália, informa o jornal ''The Guardian''.

''A mídia sempre fala de ações de classes, indenizações para as vítimas de abuso pelo clero e despesas legais, que, desde 2001, forçaram dioceses americanas a vender escolas, hospitais, conventos e universidades'', disse uma fonte do Vaticano citada pelo jornal italiano ''La Stampa''. ''Mas, na verdade, o pior estrago econômico vem do colapso das doações''.

Os italianos que pagam imposto de renda têm até o fim de julho para declarar os rendimentos de 2009 e, de acordo com um sistema em vigor em vários países da Europa, eles podem optar em repassar uma parte de seus impostos para a Igreja. Na Itália, 0,8% da arrecadação com o imposto de renda é dividido entre organizações dirigidas pelo Estado e religiões reconhecidas, conforme a opção do declarante, explica o jornal britânico.

O número de declarantes na Itália que escolheram repassar parte de seu imposto para a Igreja alcançou 90% em 2004, e caiu para 87% em 2008, segundo o ''Guardian''. No ano passado, essas doações representaram cerca de 900 milhões de euros (cerca de R$ 2 bilhões) para a Igreja, informa o jornal.

Escândalo

A Igreja Católica enfrenta desta vez um escândalo maior sobre os acobertamentos de abusos sexuais de crianças por parte de padres.

O escândalo vem chegando perigosamente perto do próprio papa, na medida em que os grupos de vítimas dizem que ele também ignorou as denúncias pelo bem da imagem da Igreja Católica.

Muitas alegações de acobertamentos de abusos sexuais envolvem Munique, na época em que o papa foi arcebispo da cidade, entre 1977 e 1981. Grupos de vítimas pedem ainda informações sobre as decisões tomadas pelo papa na época em que dirigiu o departamento doutrinal do Vaticano, entre 1981 e 2005.

Os casos de pedofilia atingiram ainda a Holanda, onde a Igreja Católica recebeu 1.100 denúncias de pessoas que afirmam ter sofrido abusos sexuais por parte de membros do clero entre os anos 50, 60 e 70.

Na Alemanha, as denúncias de pedofilia chegam a 120 e teriam ocorrido entre as décadas de 1970 e 1980 em escolas jesuítas locais. O caso envolveu até mesmo o sacerdote Georg Ratzinger, irmão do papa, que liderava os rapazes do coro da catedral de Regensburg. O sacerdote negou saber dos casos de abusos e foi inocentado pelo Vaticano.

Na Áustria, a imprensa local noticiou casos de abusos cometidos em dois institutos religiosos nas décadas de 1970 e 1980.

Na França, a diocese de Rouen informou que um de seus padres está sendo investigado por ''antigos delitos contra uma criança''. A investigação do padre Jacques Gaimard, diretor da emissora Radio Chrétienne, no Departamento de Haute-Normandie, foi aberta após denúncia apresentada pela vítima.

Outro sacerdote da diocese francesa terá de declarar perante um tribunal por ''posse de imagens pornográficas de crianças''. Os dois padres foram suspensos do serviço até que a Justiça dê a sentença.

Nos EUA, as maiores autoridades do Vaticano, incluído o então cardeal Joseph Ratzinger, teriam encoberto o reverendo americano Lawrence Murphy acusado de abusar sexualmente de 200 crianças surdas.

O Vaticano reconheceu ainda os abusos cometidos por dois monsenhores e um padre do município de Arapiraca, a 130 quilômetros de Maceió (AL), depois de terem sido acusados de pedofilia por alunos de um coro e por seus familiares.

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