Velocista Ana Cláudia Lemos declara ser fã de música evangélica

Velocista Ana Cláudia Lemos declara ser fã de música evangélica

Atualizado: Quarta-feira, 2 Fevereiro de 2011 as 8:54

Fã de música evangélica, a velocista Ana Cláudia Lemos estuda inglês e cursa educação física Ana Cláudia Lemos é capaz de percorrer 100m em 11s15. Trocando em miúdos, em um mísero segundo ela anda quase 9m. Responsável por derrubar o recorde sul-americano da prova mais rápida do atletismo após 11 anos de vigência, a atleta sonha estabelecer a melhor marca de todos os tempos na distância.

"É possível, sim", apostou a velocista, que tem na ponta da língua os 10s49 logrados pela controversa norte-americana Florence Griffith-Joyner no dia 16 de julho de 1988, em Indianápolis. Admiradora de Tyson Gay e Carmelita Jeter, a bela cearense de Jaguaretama é vaidosa e não se descuida da aparência nem mesmo para competir.

Apesar da pouca idade, Ana Cláudia tem no currículo os Jogos Olímpicos de Pequim-2008 e o Mundial de Berlim-2009. Na curta trajetória, também acabou indiretamente envolvida no maior escândalo de doping do atletismo nacional. Ex-integrante da equipe Rede, ela nega ter denunciado o polêmico caso, mas confirma que já negociava com BM&F antes mesmo do torneio na Alemanha.

De origem humilde, a jovem migrou do interior do Ceará para a cidade catarinense de Criciúma com apenas quatro anos para acompanhar os pais, uma faxineira e um homem dedicado a serviços gerais. Depois de flertar com o futsal, Ana Cláudia apostou no atletismo e, assim como milhares de outros nordestinos, trabalha duro para vencer no Sudeste.

GE.Net - Você nasceu no interior do Ceará e migrou para Criciúma ainda na infância. Como foi seu começo no atletismo?

Ana Cláudia - Com 13 anos, participei de uma competição chamada "Correndo pelo Futuro". Eu representei a minha escola, me destaquei e fui convidada para treinar. Fui e fiz os primeiros testes, mas não gostava muito nos primeiros anos. Na verdade, gostava mais do futsal. Mas tive que optar e escolhi o atletismo. Meu técnico falava que eu era um pouco irresponsável no treino e acabei sofrendo uma lesão. Ele brigou comigo e aquilo me motivou a treinar. A partir de 2004, comecei a treinar sério e as coisas foram acontecendo naturalmente.

GE.Net - Hoje em dia, você ainda costuma jogar futsal? Acompanha e torce por algum time?

Ana Cláudia - Atualmente, eu não jogo mais, porque tenho medo de me machucar. Não torço para um time especificamente, mas gosto de acompanhar a seleção brasileira (a atleta é fã do atacante Ronaldo Fenômeno). Não entendo muito de regras, só tenho noção de algumas coisinhas. Eu cheguei a pensar em seguir carreira no futsal, mas depois vi que as chances de crescer na vida no atletismo eram maiores.

GE.Net - No Sul-Americano Sub-23 de Medellín-2010, você fez os 100m em 11s17 e igualou o tempo que a Lucimar Moura alcançou em 1999. Também no ano passado, fez 11s15 em São Paulo e quebrou o recorde sul-americano. Chegou a ficar surpresa por tudo isso?

Ana Cláudia - Eu fiquei surpresa, porque ainda estava em um ano de adaptação com o (técnico Katsuhico) Nakaya. Antes de correr 11s17, eu tinha 11s46, que foi na altitude. Se eu corresse 11s45, já estava bom, já teria melhorado minha marca pessoal. Corri 11s17 na Colômbia e fiquei super feliz. Quando voltei e comecei a correr 11s30, 11s20, 11s40, estava feliz pela constância das marcas. Quando corri 11s15, fiquei muito surpresa, porque não foi na altitude, o vento estava no limite e foi numa pista de um material não tão bom para velocidade.

GE.Net - Você acha que consegue diminuir ainda mais essa marca em 2011?

Ana Cláudia - Estou treinando super bem para isso. Espero bater o recorde esse ano de novo e fazer grandes resultados em competições grandes.

GE.Net - Só por curiosidade: por acaso você sabe de cabeça quanto é o recorde mundial dos 100m?

Ana Cláudia - É de 10s49, da Florence.

GE.Net - Com 22 anos, você já é a recordista sul-americana e quebrou uma marca que durou 11 anos. A longo prazo, acha possível romper a marca estabelecida pela Florence em 1988?

Ana Cláudia - É possível, sim. Claro que vou precisar treinar muito e melhorar muito. Primeiro, tem que passar dos 11s. Depois, da casa dos 10s90... É um longo processo. Hoje, só temos duas marcas perto do recorde: os 10s65 da Marion Jones e os 10s64 que a Carmelita Jeter fez no ano passado. Então, eu tenho que trabalhar muito para chegar nisso.

GE.Net - Você já é recordista sul-americana dos 100m, mas gosta dos 200m também?

Ana Cláudia - Eu gosto muito dos 200m. Na verdade, ainda estou aprendendo a correr os 200m, porque não é simplesmente entrar no bloco e sair (a melhor marca da atleta na distância é 23s07).

GE.Net - É claro que você não acorda, se olha no espelho e pensa: "eu sou a mulher mais rápida da América do Sul". Mas como é saber que não existe ninguém mais rápida que você no continente?

Ana Cláudia - (Risos) Eu fico muito feliz, porque depois que comecei a treinar com o Nakaya evolui muito. Foi um recorde que demorou 11 anos para cair. De repente, eu vou lá, acordo, bato o recorde e minha vida muda. Sei que tenho possibilidades de evoluir um pouco mais. Então, é muito legal.

GE.Net - E como é o seu ritmo de vida? Você gosta de fazer uma coisa de cada vez ou é aquele tipo de pessoa que marca 10 compromissos para o mesmo dia?

Ana Cláudia - Eu sou assim: marco 10 compromissos num dia, sou muito acelerada (risos). Estou dobrando uma roupa e comendo ao mesmo tempo, fazendo isso e aquilo tudo ao mesmo tempo. Minha vida é bem corrida.

GE.Net - Nesse ano, tem o Mundial de Daegu, no final de agosto, e o Pan-Americano de Guadalajara, já no começo de outubro. Como você pretende encarar essas duas competições? Acha que pode competir em alto nível nas duas, apesar do pouco tempo entre elas?

Ana Cláudia - Espero fazer o meu melhor dentro do Mundial. Quero correr bem o revezamento 4x100m. Acho que as datas não vão atrapalhar muito para mim, não. Espero chegar bem ao Mundial e seis semanas depois competir no Pan-Americano. Acho que posso competir bem nos dois.

GE.Net - Você já foi reserva nos Jogos de Pequim-2008. Em termos de Olimpíadas, acha que pode conseguir um resultado expressivo em Londres-2012 ou o auge será mesmo no Rio de Janeiro-2016?

Ana Cláudia - Acho que meu auge vai ser nos Jogos de 2016, mas espero fazer alguma coisa já em 2012, quem sabe uma semifinal com marcas expressivas dentro da Olimpíada. Em 2016, já dá para sonhar com medalha no individual e no revezamento.

GE.Net - Quem são seus ídolos no atletismo?

Ana Cláudia - Eu gosto muito da Fabiana Murer (a atleta do salto com vara, campeã mundial indoor, também é da BM&F). Além de ser uma grande atleta, ela é uma grande pessoa. Acho que você não tem que ser só um atleta, precisa ser uma grande pessoa também. Ela é muito educada, muito querida e acho ela muito boa. Na velocidade, gosto do Tyson Gay e da Carmelita Jeter.

GE.Net - Você é uma mulher bonita. Acha que isso pode te ajudar na carreira de atleta de alguma maneira ou é algo indiferente?

Ana Cláudia - Não ajuda nem atrapalha. Estou aqui para tentar fazer o meu melhor e ser uma grande atleta. Acho que não faz diferença ser bonita ou não ser, mas eu sou vaidosa: faço a unha, faço o cabelo, sobrancelha. Tudo. Eu cuido bastante sempre, inclusive nos treinos.

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