Vendedores de emendas: Dilmo dos Santos exige que divulguem nomes

Vendedores de emendas: Dilmo dos Santos exige que divulguem nomes

Atualizado: Sexta-feira, 7 Outubro de 2011 as 9:03

O deputado Dilmo dos Santos (PV) foi à tribuna da Assembleia Legislativa paulista durante o grande expediente, na tarde de 5/10, para exigir que os nomes dos deputados supostamente envolvidos em "venda de emendas parlamentares" sejam declarados pelo deputado que fez as acusações. “Senão mocinho vira bandido e bandido vira mocinho”, declarou Dilmo dos Santos em tom de indignação mediante notícias que envolvem seu nome com clara conotação política e intenção de denegrir seu mandato.

“Chego a esta Casa com votos vindos de 511 cidades, das 645 existentes, de mais de 90 mil eleitores que confiaram em mim. Como deputado paulista vou trabalhar para o meu Estado, independentemente de cor partidária, religiosa ou qualquer critério que não seja o bem-estar da população e o crescimento de São Paulo”, declarou o deputado Dilmo. O parlamentar aproveitou para falar da tentativa de minimização e do esvaziamento da autoridade e competência do poder do legislativo: “uma das atribuições do deputado é intermediar as reivindicações das prefeituras junto ao Governo Estadual. Até isso querem tirar do parlamentar?”, questionou.

Foi grande a repercussão da fala do deputado Dilmo dos Santos, cumprimentado pelos seus pares que compartilham da mesma opinião de que não basta denunciar, mas é preciso apresentar provas e nomes. Após a fala de Dilmo, outros parlamentares acompanharam o mesmo discurso e mostram-se igualmente indignados com a falta de objetividade das denúncias.

Finalizando seu discurso, Dilmo dos Santos pediu para que tudo seja esclarecido a fim de que todos saibam quem de fato está comprometido ou envolvido com as tais denúncias. Disse ainda que continuará recebendo prefeitos, vereadores, representantes de instituições e suas demandas: “podem me trazer estou aqui para isso. Sou deputado do Estado e não vou me prender a nenhum tipo de critério eleitoreiro, mas vou continuar atendendo às demandas que chegarem. No meu gabinete não fica nada parado. Chegou, a gente faz a Indicação, se a verba pleiteada será liberada ou não já não compete a mim, mas ao Governo do Estado”.

Confira abaixo o pronunciamento do deputado Dilmo dos Santos na íntegra:

O SR. DILMO DOS SANTOS - PV - SEM REVISÃO DO ORADOR - Quero cumprimentá-lo, Sr. Presidente, Deputado Jooji Hato, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, telespectadores da TV Assembleia, em primeiro cumprimento a nobre Deputada Ana Perugini, pelo discurso e a preocupação com o rio Piracicaba. Na verdade, a preocupação vai além do rio Piracicaba. É algo que devemos observar com muita urgência e promover ações.

Propomos nesta Casa a instalação da Frente Parlamentar do PCJ, abriremos audiências públicas, além de nos envolvermos diretamente para trazer solução a essa questão tão importante e tão relevante.

Entretanto, Sr. Presidente, o que me traz hoje à tribuna é algo que me incomoda e me traz muita indignação. Nos últimos dias temos assistido a um teatro orquestrado nesta Casa. Um teatro onde existem produções e produtores independentes criando fatos inventando histórias e trazendo protagonistas que muitas vezes não têm a coragem de se mostrar e se escondem formando histórias em relação a outras pessoas sem nenhuma responsabilidade e muitas vezes muito levianamente.

Assim que acordei hoje, ao ler os jornais, assustei-me. Sou Deputado de primeiro mandato nesta Casa. Tenham certeza de que para eu chegar aqui não foi de qualquer forma e nem de qualquer maneira. Foi com muito trabalho e com muita convicção do meu objetivo e o que espero para este Estado.

Durante alguns anos andei por este Estado para conquistar votos. Nosso Estado tem 645 municípios. Só para deixar registrado, tive votos em 511 municípios desse estado. Recebi 90.909 votos de pessoas que confiaram em mim. Como eu já disse, eu me propus a ser deputado porque tenho um sonho, um sonho de poder ver este Estado em destaque em que ele deve estar e da forma mais ordeira e honesta que possa existir.

Mas me assustei porque deputado tem algumas funções e uma delas é intermediar entre o município e o Governo. Infelizmente parece que estão tentando cercear um direito, além de outros que já foram cerceados.

Estamos aqui desde 15 de março e talvez eu tenha conseguido com muita angústia e luta defender pelo menos um projeto para ser votado - e projeto de lei é incumbência de deputado, mas parece que não é bem assim porque não é o que está acontecendo. O nosso direito parece estar sendo cerceado. Temos de negociar a todo tempo para poder exercer o nosso direito de deputado.

Mas não bastasse isso, eles agora estão tentando dizer que deputado não tem direito de indicar aquilo que é necessidade do município. O deputado só pode indicar se tiver tido voto.

Olha, eu nunca tive votos. Esta foi a primeira vez que me candidatei. Eu nunca tive votos antes. Por isso pretendo ter votos em todos os municípios no próximo mandato e quero dizer: se há denúncia, que o denunciante tenha a coragem de citar os nomes. Se não tiver esta coragem, esta Casa está preparada para instalar uma CPI, mas que tragam aqueles que têm explicações a dar. Mas parece que isso não interessa a muitas pessoas. O bandido vira mocinho e o mocinho vira bandido.

Está na hora de botar ordem na Casa e ver quem de fato merece ser condenado.

Não sei de quem é essa pretensão. Também não me interessa. O que quero é a verdade. O que quero é seriedade. O que quero é justiça em cima daquilo que está acontecendo. Não seremos os réus dos bandidos que estão querendo se passar por mocinhos. Eu não nasci para isso e não me prestarei a este papel.

Quero dizer a todos os prefeitos: se você tem uma demanda na sua cidade, traga. Mesmo que eu não possa passar como emenda, passarei como Indicação. Eu também sou um homem de fé. Quem sabe aconteça um milagre e o nosso Governador libere a verba?! Acredito que isso possa acontecer.

O que não vou admitir é que façam da forma que estão tentando fazer. Se há prerrogativas, que se use delas. Se tem o jeito, que se dê o jeito, mas não queiram dar a pecha de bandidos àqueles que são inocentes.

Trago a minha indignação porque devo à sociedade, devo ao meu Estado, devo ao meu povo a confiança que em mim depositaram e quero me colocar à disposição de quem quer que seja para reivindicar pela população.

É o meu primeiro mandato, portanto, nenhuma emenda minha foi paga ou liberada, assim mesmo estamos lutando todos os dias tentando conquistar e convencer aqueles que podem fazê-lo. Há uma forma de liberação. Talvez a sociedade não saiba.

Em relação às emendas, não é deputado que manda e manda pagar. Não. Há uma forma, há um jeito e tenham certeza de que há fiscalização por parte do Estado. Não é o deputado que acompanha até porque a documentação é enviada através de pedido da Casa Civil. Então, não é o Pastor Dilmo, não é o Deputado Dilmo, não são os deputados que estão sofrendo acusações que vão ter de pagar pelos culpados.

Quero pedir perdão se me excedi, mas estou extremamente indignado como homem de fé, como homem que representa um segmento e que não deixará a sua honra ser manchada dentro desta Casa.

Adriana Bernardo

Assessoria de Imprensa

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