Veterano de guerra do Irã se converte e é morto após espancamento

Veterano de guerra do Irã se converte e é morto após espancamento

Atualizado: Quinta-feira, 28 Agosto de 2008 as 12

Um casal cristão iraniano com cerca de 60 anos de idade morreu alguns dias depois que a polícia secreta invadiu o culto realizado na casa deles, em Isfahan, no Irã, e os espancou violentamente. Abbas Amiri era um herói de guerra e ex-muçulmano. A esposa dele, Sakineh Rahnama, também não resistiu aos ferimentos.

A polícia bateu em Abbas Amiri e o prendeu em 17 de julho, junto com outros sete homens, seis mulheres e dois menores que estavam assistindo ao culto. Abbas morreu em um hospital no dia 30 de julho em decorrência dos ferimentos causados pelo espancamento. A esposa dele, Sakineh Rahnama, morreu no dia 3 de agosto.

A violência contra Amiri se intensificou depois que os policiais descobriram que antes dele se tornar cristão ele havia levado um grupo de peregrinos para Meca, prática requerida a todos os muçulmanos devotos pelo menos uma vez na vida. De acordo com a Rede de Notícias Cristã Farsi (FCNN, sigla em inglês), Amiri foi também um veterano da Guerra Irã-Iraque e era uma fonte de orgulho nacional iraniano.

Três dias antes da morte dele, Abbas Amiri foi transferido para o Hospital de Sharieti, em Isfahan. Membros da família disseram que o tórax do ex-muçulmano foi severamente afundado e acreditam que essa tenha sido a causa da morte dele.

Abbas Amiri foi enterrado em um cemitério em sua cidade natal, Masjid-Soleiman, localizado perto da fronteira do Irã e Iraque, no dia 31 de julho. Muitos amigos assistiram ao funeral, mas os funcionários de segurança tentaram evitar a entrada de pessoas para prestar condolências.

Funeral proibido

No dia 3 de agosto, a esposa de Abbas Amiri, Sakineh Rahnama, morreu e a polícia secreta da localidade de Masjid-Soleiman pôs a casa da família sob vigilância.

Policiais ordenaram que a família não realizasse nenhuma cerimônia fúnebre e que os familiares deixassem a cidade imediatamente. O filho do casal gritou com os oficiais de segurança e foi surrado.

Em fevereiro, o parlamento iraniano propôs a mudança no Código Penal na qual pode passar a exigir a pena de morte para quem deixar o islã . Pela lei iraniana atual, a "apostasia" é considerada uma ofensa importante, mas o castigo é deixado à revelia do juiz.

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