Vítima da homofobia que teve orelha cortada: Nem filho se pode abraçar

"Nem filho se pode abraçar", diz vítima da homofobia

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2011 as 4:21

“Não se pode nem abraçar o filho”, disse o autônomo de 42 anos que teve a orelha decepada na madrugada de sexta-feira (15) porque foi tido como gay por abraçar um jovem de 18 anos, seu filho. “Eu o abracei apenas por um segundo.”

O homem, que tinha levado o filho a uma festa agropecuária em São João da Boa Vista (SP), contou que foi abordado por jovens que lhe perguntaram se era gay. Ele diz que não, mas aparentemente não convenceu porque foi agredido mesmo assim. A namorada do filho e a dele tinham ido ao banheiro.

Um dos jovens disse que “agora que liberou, vocês têm que dar beijinho”, referindo-se à decisão do Supremo Tribunal Federal que legalizou a união estável de homossexuais. “Houve um empurra-empurra, mas acabou. Eles foram embora.”

Mas logo depois eles voltaram. “Não sei se tomei um soco, o que foi, veio de trás, pegou no queixo, e eu apaguei”, disse. Quando recuperou a consciência, estava com um pedaço da orelha cortada. Ele pensou que tinha sido mordido, mas depois médicos afirmaram que a orelha tinha sido cortada com um instrumento afiado.

O autônomo pretende reconstruir a orelha, mas não tem dinheiro para a cirurgia, que custa de R$ 25 mil a R$ 35 mil. “Vai ser preciso tirar cartilagem da costela.”

O filho, que também foi agredido, mora com a mãe em São Bernardo do Campo, no ABC, e autônomo vive com os pais, em uma chácara em Vargem Grande do Sul, cidade vizinha de São João da Boa Vista.

IDENTIFICADO O SUSPEITO - atualização às 16h
A polícia identificou nesta tarde o suspeito de ter decepado a orelha do autônimo por motivo homofóbico. Ele já teria confessado o crime durante depoimento. A polícia solicitou a sua prisão preventiva, mas o juiz negou. Esses suspeito e outros que já teriam sido também localizados vão responder em liberdade pela agressão.

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