"Vivemos a época das vedetes espirituais", afirma Hernandes Dias Lopes

"Vivemos a época das vedetes espirituais", afirma Hernandes Dias Lopes

Atualizado: Quinta-feira, 5 Março de 2009 as 12

Da Redação Flashes fotográficos, jogos de luz, fumaça artificial e uma fila de dezenas de milhares de fãs, que esperam, aos prantos, conseguir uma foto ou um autógrafo que seja. Tal realidade já não é mais tão estranha para muitos artistas e líderes de ministérios evangélicos. A fama destes grandes nomes do mercado gospel viaja o Brasil e o mundo, levando palavras e ministrações de estímulo e auto-confiança a muitos que precisam ouví-las.

Porém, na opinião de alguns pensadores, tal fenômeno traz consigo um risco muito sutil, que a sociedade cristã tem deixado passar despercebido, embarcando assim nesta atmosfera de glamour e exposição exacerbada do ser humano. Em entrevista exclusiva ao Guia-me , o pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (ES), Rev. Hernandes Dias Lopes, afirmou que o verdadeiro sucesso vai além de aplausos e assédio midiático. ''Os homens que mais andaram com Deus e mais vitórias tiveram, não foram homens de sucesso dentro desta padrão do mundo, que é o cara ser rico, famoso, aplaudido, condecorado. Se olharmos bem, o maior homem do mundo foi João Batista e morreu na cadeia e degolado; o maior apóstolo foi Paulo e morreu da mesma forma que João; o apóstolo Pedro foi o grande porta-voz do mundo apostólico e morreu crucificado de cabeça para baixo. Esses homens não tinham riquezas, nem qualquer coleguismo nos corredores do poder, mas influenciaram o mundo, porque estavam aliados a um poder do alto, que não vem da terra'', lembrou.

"Uma verdadeira tietagem evangélica". É assim que Rev. Hernandes define a atual atitude dos cristãos diante dos ícones que influenciam e movimentam o meio gospel atual. Segundo o teólogo, tal prática é abominável perante a Deus, pois é um culto à personalidade e não deve ser confundido com a honra devida aos homens de Deus. ''Existe um aspecto de honra aos homens de Deus e existe outro aspecto de colocar os homens de Deus em um pedestal. Honrar os homens de Deus é correto - assim como foi no caso de Elias, que foi reconhecido pela viúva de Serepta como um verdadeiro profeta -, mas colocar um homem de Deus em um pedestal e este gostar de estar lá no alto, é um perigo, uma ameaça, e nós estamos assistindo isso'', salientou o pastor.

Hernandes Dias ainda lembrou que tal sittuação pode ser remediada se o povo cristão reconhecer o erro e se voltar para a Palavra de Deus. Um processo imperceptível no qual os evangélicos se inseriram caracteriza o que hoje é chamado pelo Reverendo de uma troca de valores. ''A Igreja, ao imitar o mundo, ela perde a sua característica de igreja, torna-se mundo. Alguém já me disse: 'procurei a Igreja e a encontrei no mundo. Procurei o mundo e o encontrei na Igreja'. A linha divisória entre o mundo e a igreja, hoje, parece que não existe mais. Isso ocorre porque deixamos de lado a Palavra. Deixamos o referencial 'porque o povo gosta', 'porque dá ibope', 'porque atrai multidão'. E essa tese de que multidão é o referencial de que Deus está gostando é um equívoco. Deus não se impressiona com aquilo que impressiona os homens. Nem sempre a maioria está com a razão. Nem sempre um aglomerado de pessoas em nome de Deus está agradando a Ele'', alertou e ainda finalizou: ''A Igreja precisa arrepender-se disso e voltar-se para as escrituras, voltar-se para Deus''.

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