Walter Longo na Semana Batista: "A igreja tem perdido fiéis e missionários para ONGs"

Walter Longo na Semana Batista: "A igreja tem perdido fiéis e missionários para ONGs"

Atualizado: Quinta-feira, 16 Julho de 2009 as 12

 Por Adriana Amorim - www.guiame.com.br

"Desde que nós nascemos, criamos verdades absolutas, paradigmas". Com a proposta de dar aos presentes no Encontro de Comunicadores da Semana Batista, a oportunidade de reavaliar conceitos que se solidificaram ao longo dos anos, o publicitário Walter Longo trouxe palestra com o tema "Inovação e Marketing - Mudanças na relação com o mercado". O evento aconteceu na tarde da última terça-feira, dia 14 de julho, na igreja Batista Boas Novas, em São Paulo (SP).

O publicitário, que traz em seu currículo atividades como a presidência de uma emissora e participação recente no programa "Aprendiz", da Rede Record de Televisão, como conselheiro de Roberto Justus, abordou o momento atual da sociedade, que vive uma revolução ainda mais transformadora do que a Industrial. Mudanças que chegaram à tecnologia, à moda, ao design e aos costumes.

Tesarac

"Nós não temos idéia da revolução que estamos enfrentando". Para exemplificar essa revolução, Longo apresentou novos produtos e atividades comerciais, já lançados no mercado, e que chamam a atenção pela inovação, como um hotel tematizado em Berlin, que oferece camas em formato de caixão e um banheiro semelhante ao de uma cela de prisão, por uma diária de 400 euros; mouses que são usados em lentes de contato; roupas lavadas por ionização; paisagens digitais para a janela; um bar em Singapura que simula um hospital; o site de uma empresa de salgadinhos que conta com mais de 300 mil casais no mundo que adotaram filhos virtuais. Estes, comunicam-se com seus pais por MSN, twitter e mensagens no celular. A apresentação divertiu o público. "Isso é o Apocalipse", brincou Longo.

O publicitário usou a expressão do escritor Shel Silverstein para definir o momento de revolução e adaptação que o mundo vive: "tesarac". A palavra significa períodos da história nos quais profundas mudanças sociais e econômicas ocorrem, transformando a sociedade. "As coisas velhas vão morrendo e as novas não as substituem. É como se procurássemos primeiramente destruir para depois construir", afirmou Longo.

Nexialistas

Nem generalistas, nem especialistas. Os profissionais hoje são "nexialistas". Foi assim que Walter Longo abordou o perfil do novo profissional no mercado, capaz de atuar neste novo momento. O termo surgiu pela primeira vez na obra "Voyage of the Space Beagle", de A.E. Van Vogt. O livro descreve as viagens de uma nave espacial composta por vários cientistas. No entanto, nas horas de dificuldade, o único capaz de resolvê-las era o nexialista, personagem central que interagia as informações de seus colegas de viagem. "Aquele profissional que não sabe a resposta para todas as perguntas, mas sabe onde achá-las", esclarece Longo.

Walter explicou que o excesso de informações faz com que o nexialista tenha uma visão gestáltica e abrangente, mas que não deixa de ir fundo naquilo que interessa. "Ele usa o cérebro para processar a informação e não armazená-la. O HD humano está aí fora".

Agente inovador

"Visão significativa antecede uma realização significativa". A afirmação do diretor de cinema Tom Pollock foi usada por Walter Longo para definir uma das características do agente inovador: otimismo.

Para o publicitário, esse otimismo deve vir acompanhado pela capacidade de assumir riscos e ser feliz. "Pessoas felizes têm inspiração. Seja um amador antes de ser um profissional. Ame o que faz", estimulou Walter Longo.

Por quê?

Questionar, essa é, para Walter Longo, mais uma atitude do agente inovador. O estrategista explicou que inovação não envolve necessariamente novas tecnologias, mas realizar algo usual de forma diferente. Para isso, é necessário sempre questionar o que se faz. "Daqui para frente, vamos perguntar o porquê de tudo", encorajou Longo.

Senso de missão

Outra marca daquele que busca a inovação, segundo o publicitário, é o senso de missão. O colaborador deve sentir-se parte de um processo. Nesse aspecto, Longo expôs que a Igreja tem perdido muitas bandeiras pelas quais luta, o que deu espaço para a atuação de ONG's no Brail, num "hiato criado pela Igreja". "A igreja tem perdido fiéis e missionários para organizações criadas nos últimos dois ou três anos, que nem sempre atuam de forma séria", expôs o estrategista.

Em entrevista ao Guia-me, o publicitário evidenciou que não basta prestar assistência social, a Igreja deve estar envolvida em questões maiores, posicionando-se e colaborando. "Eu acho que em paralelo à assistência social, a igreja tem que encontrar outros mecanismos de diferenciação. Infelizmente, os jovens afastaram-se das igrejas em função do baixo índice de preocupação delas com as questões mais prementes. Se você pegar, por exemplo, a questão da ecologia, que as igrejas não tratam, é algo fundamental hoje para o jovem. Tem gente se matando em nome do 'salve as baleias', da sustentabilidade, pela capacidade de entender que o mundo é o nosso templo e a gente tem que tomar conta dele com muito cuidado", alertou Longo aos participantes do Encontro, que reunia, entre os comunicadores, muitos líderes cristãos.

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