Ana Paula Valadão é processada por crime de LGBTfobia, após fala sobre gays

Ana Paula e André Valadão tornaram-se alvo de notas de repúdio por afirmarem que a prática homossexual é pecado.

fonte: Guiame

Atualizado: Segunda-feira, 14 Setembro de 2020 as 9:57

Pastora Ana Paula Valadão diz que homossexualidade é pecado. (Foto: Reprodução/YouTube)
Pastora Ana Paula Valadão diz que homossexualidade é pecado. (Foto: Reprodução/YouTube)

A cantora e pastora Ana Paula Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, foi processada por crime de LGBTfobia por dizer que homossexualidade é pecado e relacionar a prática à Aids, durante um episódio exibido pela Rede Super.

“Isso não é normal. Deus criou o homem e a mulher. E é assim que nós cremos. Qualquer outra opção sexual é uma escolha do livre arbítrio do ser humano. E qualquer escolha leva a consequências”, disse Ana Paula sobre a homossexualidade. 

“A Bíblia chama qualquer escolha contrária ao que Deus determinou como ideal, como Ele nos criou para ser, de pecado. E o pecado tem uma consequência, que é a morte. Inclusive, tudo o que é distorcido traz consequência naturalmente”, continua a cantora.

“Nem é Deus trazendo uma praga ou um juízo não. Taí a Aids para mostrar que a união sexual entre dois homens causa uma enfermidade que leva à morte, contamina as mulheres. Enfim, não é ideal de Deus. Sabe qual é o sexo segura, que não transmite doença nenhuma? O sexo seguro se chama aliança do casamento”, esclarece. “Deus é perfeito em tudo o que faz”.

Depois que o vídeo viralizou nas redes sociais, a pré-candidata a vereadora pelo PSOL em São Paulo, Erika Hilton, apresentou no sábado (12) uma notícia crime à Justiça contra Ana Paula Valadão. 

A Aliança Nacional LGBTI+ também disse que irá processá-la e chegou a comparar a fala de Ana Paula “aos mesmos padrões adotados por Adolf Hitler, para desumanizar setores da sociedade”, em nota de repúdio.

“Ana Paula atinge toda a coletividade da comunidade LGBTI, e principalmente a dignidade das pessoas que vivem com HIV/AIDS, colocando-as como responsáveis pela proliferação de um vírus, equiparando de maneira vergonhosa, antiquada e criminosa uma expressão legítima de amor e afeto a um ato criminoso como ceifar a vida de um ser humano”, disse Toni Reis, diretor-presidente da entidade.

Fala de André Valadão

A polêmica em torno do posicionamento de Ana Paula acontece após a repercussão da fala de seu irmão, o pastor e cantor André Valadão. Na terça-feira (8), ele respondeu no Instagram a uma pessoa que questionou se um casal homossexual deveria ser expulso da igreja.

“Entendi. São gays. A igreja tem um princípio bíblico. E a prática homossexual é considerada pecado. Eles podem ir para um clube gay ou coisa assim. Mas, na igreja, não dá. Esta prática não condiz com a vida da igreja. Tem muitos lugares que gays podem viver sem qualquer forma de constrangimento. Mas na igreja é um lugar para quem quer viver princípios bíblicos. Não é sobre expulsar. É sobre entender o lugar de cada um”, respondeu André.


Pastor André Valadão fala sobre casais gays que são membros de igrejas. (Foto: Reprodução/Instagram)

Na sexta-feira (11), a Comissão de Diversidade e Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Minas Gerais informou que vai apurar o post do pastor. “Vamos fazer um parecer e entrar em contato com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG)”, afirmou a vice-presidente da comissão da OAB, Emilia Viriato.

Liberdade religiosa

A Aliança Nacional LGBTI+ e a comissão da OAB respaldam sua ação na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2019 enquadrou a homofobia como crime de racismo, que é imprescritível e inafiançável.

Embora a decisão preveja a liberdade religiosa para manifestações em templos religiosos, o caso de Ana Paula e André, que direcionavam suas mensagem ao público cristão, apontam para uma restrição na abordagem do tema.

A Igreja Batista da Lagoinha disse em nota que a marca da denominaç˜åo “é ser bíblica e ter como maior referencial a pessoa de Jesus Cristo, que recebia todas as pessoas sem distinção”. Por conta disso, as portas da igreja “estão abertas para que todas as pessoas participem de nossos cultos de pregação das Sagradas Escrituras”.

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