EUA impõem sanções à China por usar biotecnologia na perseguição religiosa

O governo americano impôs sanções a várias empresas chinesas de biotecnologia e vigilância.

Fonte: GuiameAtualizado: sexta-feira, 17 de dezembro de 2021 12:49
Joe Biden com sua equipe de Segurança Nacional sobre a China, no Salão Oval. (Foto: Casa Branca/Adam Schultz)
Joe Biden com sua equipe de Segurança Nacional sobre a China, no Salão Oval. (Foto: Casa Branca/Adam Schultz)

O governo Biden está endurecendo sua política com a China por causa da perseguição religiosa contra muçulmanos uigures na província de Xinjiang, no oeste do país.

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos impôs na quinta-feira (16) novas sanções a várias empresas chinesas de biotecnologia e vigilância, as impedindo de comercializar ou trocar produtos com os EUA.

Além disso, o Congresso aprovou na quinta-feira um projeto de lei que proíbe as importações da região chinesa de Xinjiang, a menos que as empresas possam provar que seus produtos foram produzidos sem trabalho forçado. O projeto será encaminhado para assinatura de Biden.

Entre as empresas com as quais os EUA não podem negociar está a Academia de Ciências Médicas Militares da China e seus 11 institutos de pesquisa. 

Os EUA estão particularmente preocupados — a China está desenvolvendo vigilância biométrica e rastreamento de uigures usando drones e software de reconhecimento facial.

“A busca científica por biotecnologia e inovação médica pode salvar vidas. Infelizmente, a RPC (República Popular da China) está escolhendo usar essas tecnologias para buscar o controle sobre seu povo e a repressão de membros de grupos étnicos e religiosos minoritários”, disse a secretária de Comércio, Gina Raimondo, em comunicado. 

“Não podemos permitir que commodities, tecnologias e softwares dos EUA, que apoiam ​​a ciência médica e a inovação biotécnica, sejam desviados para usos contrários à segurança nacional dos EUA”, Raimondo acrescentou.

Série de medidas contra a opressão chinesa

Na semana passada, a Casa Branca também anunciou um boicote diplomático às próximas Olimpíadas de Inverno em Pequim, citando os “flagrantes abusos dos direitos humanos e atrocidades em Xinjiang”. Os atletas terão permissão para competir, mas nenhum dignitário dos EUA comparecerá.

No início deste ano, os EUA declararam o tratamento dado pela China aos muçulmanos uigures como um “genocídio”, em um relatório anual sobre direitos humanos.

Muçulmanos uigures na região de Xinjiang foram presos em campos, coagidos a fazer abortos, estuprados, torturados e impedidos de praticar sua fé, de acordo com vários relatos de jornalistas e grupos de direitos humanos.

A política dos EUA já proíbe as exportações para a China de tecnologia com aplicações militares e também proíbe o investimento em algumas empresas que o governo diz apoiar os militares chineses. A China nega abusos em Xinjiang.

 
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