Família de traficantes sexuais se converte na prisão e pede perdão às vítimas

Depois de passarem 25 anos presos, dois irmãos e sua mãe contam o testemunho de sua transformação através do perdão de Jesus Cristo.

fonte: Guiame, com informações de Reuters

Atualizado: Segunda-feira, 4 Dezembro de 2017 as 3:59

Mario Garfias passou 25 anos preso após atuar como traficante sexual. (Foto: Thomson Reuters Foundation/Theo Hessing)
Mario Garfias passou 25 anos preso após atuar como traficante sexual. (Foto: Thomson Reuters Foundation/Theo Hessing)

Mario Garfias não pensava duas vezes quando usava seu bastão de beisebol para espancar as mulheres e adolescentes que ele usava como prostitutas no distrito da Luz Vermelha em La Merced, no México.

Juntamente com seu irmão mais novo, Enrique e sua mãe, Esperanza, Garfias era traficante sexual. Por quase oito anos, o trio aterrorizou mulheres e meninas, vistas por eles como simples “mercadorias”.

Os três traficantes tiveram um passado marcado pela pobreza e pelo abuxso sexual, mas acabaram se tornando abusadores. “Obviamente eu não me justifico por isso, mas cresci pensando que a violência era normal. Foi assim que fui criado”, disse Garfias.

Na adolescência, Garfias conseguiu emprego como faxineiro de um bordel em La Merced. Ali, ele convenceu uma garota a trabalhar para ele e, dentro de um ano, iniciou uma rede de prostituição lucrativa. Ele ganhava até mil dólares por dia usando 10 mulheres para atender 20 clientes.

No México, cerca de 380 mil pessoas estão presas na escravidão moderna, incluindo a prostituição forçada, de acordo com a Fundação Walk Free. Em todo o país, na maioria das vezes o tráfico sexual é um negócio familiar. As vítimas geralmente conhecem seus traficantes e vivem na mesma comunidade que eles.


Enrique Garfias passou 25 anos preso após atuar como traficante sexual. (Foto: Thomson Reuters Foundation/Theo Hessing)

Garfias e Enrique atraíam as mulheres para seu negócio com falsas promessas de um futuro melhor. Eles até mesmo usavam “gestos românticos” para presenteá-las com buquê de rosas, ursinho de pelúcia ou caixa de chocolates.

Enquanto Garfias cortejava suas vítimas, elas compartilhavam detalhes sobre sua família, como o nome de seus pais e o local onde moravam. “As informações que as meninas me diziam era usada mais tarde contra elas”, ele conta.

Em meio ao sofrimento das meninas, os irmãos não sentiam que estavam fazendo algo errado. “Eu vi minha mãe trabalhar como uma prostituta. Achei que era normal”, disse Enrique. “Nós não as víamos como seres humanos, mas como nossas funcionárias. Eu as via como mercadorias que me davam dinheiro, que sustentavam minha família”.

Mudança

O negócio seguiu até que, em 2003, uma menina de 16 anos conseguiu escapar e fazer uma denúncia. A família Garfias foi detida por 25 anos, sob acusações de exploração sexual de crianças e outros crimes.

No entanto, a história da família mudou depois que um pastor que fazia um trabalho evangelístico na prisão apresentou o Evangelho a eles e se tornaram cristãos nascidos de novo.


Esperanza Garfias se arrepende de ter apoiado os filhos no crime. (Foto: Thomson Reuters Foundation/Theo Hessing)

Esperanza, hoje com 56 anos, disse que depois de se converter, ela percebeu que estava errada e deveria ter confrontado o comportamento de seus filhos em vez de apoiá-los nos crimes. “Isso me envergonha”, confessa.

Desde a saída da prisão, Mario, hoje com 39 anos, disse que encontrou cinco de suas vítimas e pediu perdão.

Com seu testemunho, os irmãos esperam ajudar a mudar as atitudes dos homens em relação à prostituição, os encorajando a pensarem duas vezes antes de pagar pelo sexo. “Sem clientes, não há tráfico. As meninas não estão de pé nos cantos porque querem. Os homens não sabem quem está realmente por trás de uma menina”, afirma.

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