Juiz manda desligar aparelhos que mantém menino vivo e pais apelam: ‘Deixem Deus decidir’

“Esta família lutou corajosamente para chegar a este ponto de defender a vida de Archie. Continuaremos ao lado deles enquanto apelam desta decisão”, disse a advogada.

Fonte: Guiame, com informações de Christian ConcernAtualizado: sexta-feira, 15 de julho de 2022 16:07
Archie Battersbee segue internado com suporte de vida. (Foto: Captura de tela/YouTube Christian Concern)
Archie Battersbee segue internado com suporte de vida. (Foto: Captura de tela/YouTube Christian Concern)

Os pais do menino de 12 anos, que segue internado e vivo através de aparelhos, num hospital em Londres, receberam nesta sexta-feira (15), a notícia de que o suporte de vida deverá ser removido. 

Um juiz da Suprema Corte decidiu que Archie Battersbee não deve mais receber o tratamento “por ser inútil e “por prolongar sua morte, em vez de prolongar sua vida”. 

A decisão tomada contra a vontade de sua mãe Hollie Dance e de seu pai Paul Battersbee, já faz parte de uma batalha judicial desde que o filho do casal foi encontrado inconsciente com um cordão no pescoço.

A mãe lembrou que Archie estava pedindo para ser batizado, alguns anos antes desse acidente: “Sempre que passávamos em frente à igreja, ele fazia a mesma pergunta: Mãe, quando podemos ir lá para sermos batizados?”. 

“Archie é um menino temente a Deus. Se ele pudesse decidir por si mesmo, acho que ele gostaria de ser mantido vivo pelo tempo necessário para que Deus tomasse a decisão Dele”, disse ainda o pai.

Relembre o caso

O menino de 12 anos participou do “desafio do apagão”, uma brincadeira de mau gosto que estimula a asfixia para chegar ao desmaio. A tal brincadeira estava sendo propagada de forma online. 

Ele foi encontrado inconsciente pelos pais, no dia 7 de abril, com um cordão no pescoço. Enquanto os médicos discutiam a possibilidade de morte cerebral, a juíza Arbuthnot ordenou aos profissionais que não tentassem mais as técnicas médicas para trazer o menino de volta.

Porém, o menino havia sido declarado como “provavelmente morto”, ou seja, não havia ainda uma conclusão por parte dos médicos. 

Os pais alegaram que o filho ainda estava vivo e que seu cérebro estava funcionando. Além disso, um neurologista pediátrico disse que já testemunhou casos de pessoas diagnosticadas com “morte cerebral” e que posteriormente se recuperaram.

Mediante essas alegações, uma petição online foi feita [com 89.768 assinantes] ao diretor executivo do hospital, pedindo para que as máquinas não fossem desligadas. E, desde então, o menino tem sido mantido no hospital com o suporte de vida.

‘Morte planejada não é algo digno’

Após a decisão do juiz, a mãe de Archie disse em comunicado: “Esta decisão é um golpe esmagador para Archie e sua família. Com todo o respeito ao Sr. Justice Hayden, não é do interesse de Archie morrer”. 

“Morte planejada é outro nome para a eutanásia, que é ilegal neste país. A remoção 'planejada' do ventilador é definitivamente a pior coisa que pode acontecer do meu ponto de vista. Não consigo ver como isso é de alguma forma digno”, escreveu ainda. 

“Discordamos da ideia de dignidade na morte. Impor isso sobre nós e apressar sua morte para esse propósito é profundamente cruel. Cabe a Deus decidir o que deve acontecer com Archie, incluindo se, quando e como ele deve morrer”, continua o comunicado. 

“Enquanto Archie estiver lutando por sua vida, não posso traí-lo. Até que Archie desista, não vou desistir. Estou vivendo o pior pesadelo de todos os pais. Deve haver mudanças no NHS e no sistema judicial antes que outra família tenha que passar pelo que passamos. Vamos apelar desta decisão e pedimos suas orações e apoio”, ela finalizou. 

“Compaixão, apoio e respeito”

“O que o caso de Archie mostrou é que uma reforma sistemática é necessária para proteger os vulneráveis ​​e suas famílias em questões de fim de vida. Pais de crianças vulneráveis ​​e gravemente doentes estão passando por dificuldades nos momentos mais traumáticos de suas vidas, quando o que eles precisam é de compaixão, apoio e respeito”, disse Andrea Williams, chefe-executiva do Christian Legal Center. 

“Esta família lutou corajosamente para chegar a este ponto de defender a vida de Archie. Continuaremos ao lado deles enquanto apelam desta decisão”, disse ainda. 

Conforme o Christian Concern, o juiz Hayden presidiu uma série de casos semelhantes envolvendo crianças e adultos gravemente doentes. 

“Ele é mais conhecido por presidir o caso de 2018 de Alfie Evans, de 1 ano, onde decidiu que era do melhor interesse de Alfie remover o suporte de vida e proibiu seus pais de levá-lo a um hospital italiano que estava preparado para fornecer tratamento”, revelou. 

“Vou ficar com Archie no hospital pelo tempo que for preciso. Os médicos preveem que em um futuro próximo, Archie terá uma falência múltipla de órgãos que levará à parada cardíaca. Se isso acontecer, é provável que eu esteja na sala”, disse a mãe.

“Acho esse cenário muito mais aceitável do que a 'morte planejada' que eles propõem. Eu aceitaria isso [falência dos órgãos] como uma decisão de Deus”, ela concluiu.

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