Norte-coreanos são 'brutalmente executados' por quebrar as restrições da Covid-19

Um desertor de alto escalão da Coreia do Norte fez denúncias sobre as violações dos direitos humanos no país durante a pandemia.

Fonte: Guiame, com informações do Christian PostAtualizado: quinta-feira, 10 de dezembro de 2020 12:28
Soldados sul-coreanos em Panmunjom, zona desmilitarizada que separa as duas Coreias. (Foto: Lee Jin-Man-Pool/Getty Images)
Soldados sul-coreanos em Panmunjom, zona desmilitarizada que separa as duas Coreias. (Foto: Lee Jin-Man-Pool/Getty Images)

Cidadãos norte-coreanos estão sendo informados de que os Estados Unidos estão tramando para espalhar a Covid-19 para “prejudicar a mais alta dignidade” do país, o ditador Kim Jong-un. Como resultado, aqueles que deixam de cumprir as ordens de quarentena são “brutalmente executados”, revelou um desertor de alto escalão.

Citando uma “fonte interna”, Ri Jong-ho, ex-conselheiro do falecido ditador Kim Jong-il, disse durante webinar da Defense Forum Foundation que a quarentena das autoridades norte-coreanas é inteiramente focada em manter Kim Jong-un seguro. 

“O regime instruiu seu povo de que inimigos externos, como os EUA e a Coreia do Sul, estão tramando para espalhar o vírus para prejudicar a mais alta dignidade”, disse ele. “É por isso que o regime de Kim está realizando medidas de quarentena anormais contra o coronavírus”.

Como parte desse esforço, a Coreia do Norte “bloqueou todas as alfândegas da fronteira e reprimiu estritamente as atividades de contrabando, criando uma zona de proteção de 2 quilômetros ao longo da longa fronteira”, disse Ho.

“Eles até executaram pessoas brutalmente por não cumprirem a ordem de quarentena do coronavírus”, acrescentou. “As autoridades norte-coreanas podem continuar bloqueando tudo até que o vírus seja completamente eliminado na China, Coreia do Sul e EUA, associando o coronavírus à segurança da mais alta dignidade, Kim Jong-Un”.

Em outubro, durante um desfile militar comemorativo do 75º aniversário do Partido dos Trabalhadores, Kim Jong-Un disse que estava grato por ninguém em seu país ter contraído o “vírus maligno”.

Ativistas de direitos humanos, no entanto, alertaram a comunidade global para a realidade dentro da Coreia do Norte — as pessoas infectadas com a Covid-19 estão sendo colocadas em “campos de quarentena” onde são privadas de comida, água e remédios, às levando à fome e morte.

Ditadura de Kim

Ho serviu ao ditador Kim Jong-il na Coreia do Norte por quase 30 anos, até que, em outubro de 2014, ele pediu asilo aos EUA após ver Jong-un assassinar seu tio, Jang Song-thaek, outras centenas de altos funcionários e assessores, além de prender seus familiares em campos de prisioneiros políticos.

Durante o webinar, Ho comparou o sistema ditatorial comunista da Coreia do Norte a um “culto”, onde Kim Jong-un usa sua autoridade para garantir que as pessoas “o adorem e obedeçam”. A família Kim está no poder há três gerações.

Ainda assim, Ho expressou otimismo de que, “com a ajuda de fora”, a Coreia do Norte pode mudar. Ele encorajou a comunidade internacional a “se concentrar em abrir o Estado desonesto para o mundo e melhorar as violações dos direitos humanos dentro da Coreia do Norte”.

“Podemos ajudar os norte-coreanos a entender o que é democracia”, disse ele. “Ao mesmo tempo, precisamos ajudá-los a entender por que não podem trazer mudanças na Coreia do Norte. Sugiro que usem as vozes de desertores norte-coreanos que vivem na Coreia do Sul por meio da Rádio Livre da Coreia do Norte, para que os norte-coreanos entendam que fora da Coreia do Norte não há um mundo perigoso”.

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