Número de suicídios entre adolescentes aumentou após lançamento de série da Netflix

As informações foram divulgadas pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Quinta-feira, 2 Maio de 2019 as 9:29

Série "13 Reasons Why" conta a história de uma adolescente que aponta diversos motivos para justificar seu suicídio. (Foto: Reprodução)
Série "13 Reasons Why" conta a história de uma adolescente que aponta diversos motivos para justificar seu suicídio. (Foto: Reprodução)

Os suicídios entre os jovens americanos aumentaram um terço já no mês seguinte ao lançamento da série "13 Reasons Why", da Netflix, segundo relatório do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH).

"A taxa de suicídio em abril de 2017 foi 28,9% maior entre os adolescentes dos EUA de 10 e 17 anos do que seria esperado com base na contagem de suicídios e tendências observadas em anos anteriores", disse o estudo do NIH.

Pesquisadores de várias universidades, hospitais e do Instituto Nacional de Saúde Mental  que financiou o estudo  publicaram suas descobertas no ‘Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry’ (Jornal da Academia Americana de Psiquiatria para Crianças e Adolescentes). O estudo destacou a necessidade de usar as "melhores práticas" ao retratar o suicídio em programas populares de entretenimento e mídia.

Diretrizes de grupos de prevenção do suicídio como a Aliança de Ação Nacional pela Prevenção do Suicídio e a Organização Mundial de Saúde recomendam que a mídia de entretenimento evite descrever as formas específicas pelas quais pessoas na TV morrem por suicídio e também mostrem como aqueles que consideram o fato de cometer suicídio podem encontrar ajuda.

A série "13 Reasons Why" conta a história de uma adolescente que relata as muitas razões pelas quais ela escolheu para tirar sua própria vida. No último episódio ela é mostrada na banheira de sua casa, cortando seus pulsos.

Um porta-voz da Netflix classificou os suicídios juvenis em ascensão como um "assunto de suma importância" e disse que eles trabalharam para lidar com a questão com responsabilidade, observando que a empresa viu a pesquisa do NIH e está revisando-a, segundo a Reuters.

O porta-voz da Netflix também afirmou que as descobertas do NIH entram em conflito com outro estudo divulgado pela Universidade da Pensilvânia sobre as taxas de suicídio nos EUA, que mostrou uma queda nos pensamentos suicidas entre jovens de 18 a 29 anos depois de assistir a toda a segunda temporada de "13 Reasons Why".

"Os pesquisadores descobriram que os efeitos benéficos só existiam para os participantes que terminaram a temporada inteira. Aqueles que pararam de assistir no meio estavam em maior risco de suicídio", relatou o ‘The Philly Inquirer’ sobre o estudo publicado na revista Social Science and Medicine, que entrevistou 729 adultos .

Disparidades

Enquanto o estudo citado pela Netflix entrevistou apenas pessoas entre 18 e 29 anos, o estudo do NIH focou no aumento das taxas de suicídio entre pessoas de 10 a 17 anos, durante o mês em que a primeira temporada de "13 Reasons Why" estava sendo promovida e os meses depois que foi lançada.

No ano passado, os pais de uma menina de 14 anos que se matou após a primeira temporada de "13 Reasons Why" pediram para que a série fosse tirada do ar, dizendo que eles estão convencidos de que a produção desempenhou um papel decisivo na morte de sua filha.

"Eu realmente sinto em meu coração com toda a minha alma que essa série contribuiu para o seu falecimento", disse o pai da adolescente que cometeu suicídio em 18 de abril de 2017, em relato ao ‘Christian Post’.

Os pesquisadores do NIH observaram na última segunda-feira (29) que enquanto o suicídio é influenciado por muitos fatores e eles não podem estabelecer um nexo causal entre a série "13 Reasons Why" e o aumento de suicídios entre adolescentes, 195 jovens a mais se mataram "entre 1º de abril de 2017 e 31 de dezembro 2017", do que nos anos anteriores. Eles também encontraram um aumento na "taxa de suicídio para março de 2017" quando a primeira temporada estava sendo promovida.

"Os resultados deste estudo se somam a um crescente corpo de informações, sugerindo que os jovens podem ser particularmente sensíveis ao modo como o suicídio é retratado no entretenimento popular e na mídia", disse o NIH em um comunicado à imprensa. O estudo do NIH também analisou as taxas de suicídio entre pessoas de 18 a 64 anos e não encontrou "nenhuma tendência significativa" entre essas faixas etárias.

Em um comunicado enviado ao The Christian Post, Tim Winter, presidente do Conselho de Pais, disse que a Netflix deveria levar as descobertas "perturbadoras" do NIH a sério. Ele exigiu que a empresa não confunda o corpo de pesquisa à luz das diferenças de idade estabelecidas nos diferentes estudos.

"Qualquer outro produto na corrente de comércio que estivesse ligado ao aumento do suicídio de crianças e adolescentes seria retirado do mercado. Nenhuma empresa responsável, de capital aberto, continuaria a distribuir tal produto. Vamos fazer com que os mercados financeiros que a Netflix está confiando para financiar seus US $ 2 bilhões de novas dívidas fiquem cientes do que os seus dólares estarão apoiando”, disse Winter.

“Embora a Netflix possa tentar justificar seu programa apontando para outra pesquisa divulgada na semana passada que descobriu que o risco de suicídio de adultos entre 18 e 29 anos que assistiram “13 Reasons Why” diminuiu após assistirem à segunda temporada do programa, a questão é que esses dois estudos estão comparando duas faixas etárias diferentes com dois níveis de maturidade diferentes. Eles não são os mesmos", continuou ele.

Na segunda temporada da série “13 Reasons Why”, um episódio incluiu imagens de um adolescente sendo sodomizado com o cabo de um esfregão, o que levou a pedidos de cancelamento da série.

A Netflix já encomendou uma terceira temporada da série.

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