Parlamento Europeu pede inclusão de membros da Irmandade Muçulmana em lista terrorista

Com 381 votos favoráveis, eurodeputados pedem avaliação para incluir entidades ligadas à Irmandade Muçulmana na lista terrorista da União Europeia.

Fonte: Guiame, com informações da ANSA e ECRAtualizado: quinta-feira, 8 de outubro de 2026 às 16:45
Plenário do Parlamento Europeu e emblema da Irmandade Muçulmana. (Montagem: Wikimedia Commons)
Plenário do Parlamento Europeu e emblema da Irmandade Muçulmana. (Montagem: Wikimedia Commons)

O Parlamento Europeu aprovou nesta quinta-feira (08), em Estrasburgo, na França, uma resolução que pede medidas contra a influência da Irmandade Muçulmana nas instituições europeias.

Os eurodeputados também solicitam uma avaliação sobre a inclusão de entidades e indivíduos ligados ao movimento na lista de organizações terroristas da União Europeia (UE).

A proposta recebeu 381 votos favoráveis, 167 contrários e 15 abstenções, e o resultado foi recebido com aplausos no plenário, segundo a agência italiana ANSA.

Em um vídeo divulgado após a votação, diversos eurodeputados comemoraram o resultado.

 
 
 
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Um deles classificou a iniciativa como um passo para o reconhecimento da Irmandade Muçulmana como organização terrorista.

“É uma vitória histórica, um grande sucesso”, afirmou outro parlamentar.

Um terceiro eurodeputado destacou a importância da medida para a segurança do continente:

“O Parlamento Europeu votou hoje pela segurança e pela liberdade de todos os europeus”.

‘Vitória para toda a Europa’

Um eurodeputado atribuiu o resultado da votação à atuação de seu grupo político, destacando o benefício da decisão para os europeus: “Esta é uma vitória para o ECR (Conservadores e Reformistas Europeus), para toda a Europa”.

As declarações refletem a avaliação política dos parlamentares. Na prática, a resolução aprovada não inclui automaticamente a Irmandade Muçulmana na lista de organizações terroristas da UE, mas solicita ao Conselho da União Europeia que avalie a possibilidade de incluir entidades e indivíduos associados ao movimento.

Outro eurodeputado destacou a importância da iniciativa para combater o financiamento e a influência de grupos ligados à Irmandade Muçulmana nas instituições europeias.

A proposta defende maior fiscalização dos recursos destinados a organizações consideradas vinculadas a redes islamistas, além de medidas para restringir sua atuação nas instituições da União Europeia.

Restrições à influência nas instituições europeias

Segundo a ANSA, a resolução solicita ao Conselho da União Europeia que avalie se entidades ou indivíduos ligados à Irmandade Muçulmana devem ser incluídos na lista de organizações terroristas.

O documento também pede à Comissão Europeia que impeça o acesso às instituições europeias de organizações vinculadas ao Conselho dos Muçulmanos da Europa.

Antes da votação, o grupo dos ECR já havia defendido o fim do financiamento público a organizações associadas à rede da Irmandade Muçulmana.

“Chega de financiamento para esse tipo de organização de movimentos islamistas e chega de espaço para elas em nossas instituições”, afirmou o eurodeputado Nicolas Bay, em declaração divulgada pelo ECR na quarta-feira (07).

“A Irmandade Muçulmana deveria ser incluída na lista de organizações terroristas da União Europeia”, acrescentou.

Parlamento dividido

A resolução recebeu apoio do Partido Popular Europeu (PPE), dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), dos Patriotas pela Europa e do grupo Europa das Nações Soberanas, além de grande parte dos parlamentares liberais.

Por outro lado, socialistas, verdes e representantes da esquerda votaram majoritariamente contra a proposta, de acordo com a análise da votação nominal divulgada pela ANSA.

Entre os argumentos apresentados pelos opositores está a preocupação de que medidas excessivamente abrangentes possam atingir organizações muçulmanas sem envolvimento comprovado com extremismo ou terrorismo.

Já os defensores da resolução afirmam que o objetivo é combater redes de influência política islamista – ideologia política que busca aplicar o Islã como sistema político –, sem confundir essas atividades com a prática religiosa dos muçulmanos.

A eurodeputada Céline Imart, do Partido Popular Europeu, defendeu essa distinção antes da votação.

“Não devemos confundir o Islã como fé com o Islã político como ideologia. Precisamos proteger tanto a democracia quanto a liberdade religiosa”, declarou.

Próximos passos

A aprovação representa um posicionamento político do Parlamento Europeu, mas a eventual inclusão de organizações na lista terrorista depende de procedimentos jurídicos específicos e de uma decisão do Conselho da União Europeia.

Caso sejam adotadas sanções formais, as entidades designadas poderão enfrentar restrições financeiras e outras medidas previstas na legislação europeia.

A resolução amplia a pressão política por investigações sobre o financiamento, a atuação institucional e as conexões de organizações associadas à Irmandade Muçulmana em países europeus.

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