Peça teatral ‘Porno Gospel’ vira alvo de repúdio na Câmara dos Deputados

O espetáculo foi acusado de promover a “intolerância religiosa” em uma moção apresentada pela deputada Mara Lima, com o apoio de outros sete parlamentares.

Fonte: Guiame, com informações de Bem ParanáAtualizado: quinta-feira, 2 de junho de 2016 14:42
A peça “Porno Gospel” satiriza as relações entre religião, política e sexo no Brasil. (Foto: Divulgação)
A peça “Porno Gospel” satiriza as relações entre religião, política e sexo no Brasil. (Foto: Divulgação)

A peça de teatro “Porno Gospel”, que satiriza as relações entre religião, política e sexo no Brasil, se tornou alvo de uma moção de repúdio na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Curitiba, no Paraná.

O espetáculo, que será apresentado no Teatro Guaíra até o próximo domingo (5), é produzido pelos grupos A Fantástica Cia de Teatro, Serafim Cia Teatral, Companhia de Variedades e Cia Variedades Produções Artísticas.

A história se passa em uma cidade fictícia chamada “Paradise City”, liderada pela Igreja Missionária do Senhor do Pastor Jair Malagaia (fazendo referências ao pastor Silas Malafaia) e da cantora gospel “Nara Lira” (satirizando a cantora e deputada estadual Mara Lima, do PSDB).

O espetáculo foi acusado de promover a “intolerância religiosa” em uma moção apresentada pela deputada Mara Lima nesta quarta-feira (1º), com o apoio de outros sete parlamentares.

Na segunda-feira (30), treze vereadores da Câmara já haviam assinado requerimento em repúdio à peça, defendendo a sua proibição. No dia seguinte, Mara Lima apresentou requerimento com argumentos semelhantes.

No documento, os deputados alegam que “pelo próprio nome”, a peça “já carrega o caráter ofensivo conotado de intolerância religiosa e discriminação motivada em função do credo”. Os parlamentares apresentaram ainda outro requerimento, questionando a Secretaria de Cultura sobre incentivos públicos ao espetáculo.


A cantora e deputada estadual Mara Lima (PSDB) se sentiu ofendida com a peça. (Foto: Franklin de Freitas)

A deputada Mara Lima alegou ainda aos colegas ter se sentido ofendida pelo enredo da peça, que inclui uma personagem de nome “Nara Lira”, definida como uma “cantora gospel e dona de uma rede de lojas de produtos do Senhor (livros, cds, camisetas, presentes…), e agora lançando no mercado, uma linha de produtos eróticos, feita especialmente para crentes”.

Ficção

Por outro lado, Fernando Cardoso, um dos produtores da peça, negou as acusações. “Na peça, não há qualquer menção ao evangelho ou a Cristo. Simplesmente pegamos reportagens sobre acontecimentos dos últimos anos para fazer uma ficção baseada em fatos reais”, disse ele. “Eu inclusive sou evangélico”.

Fernando também negou existir uma relação direta entre a personagem Nara Lira e a deputada. “A peça é uma sátira que usa referências para buscar identificação com o público”.

Sobre o nome da peça, o produtor conta que foi inspirado em notícias reais de jornais brasileiros sobre o lançamento de produtos eróticos voltados para o público evangélico, que podem ser encontradas por qualquer um em uma simples busca na internet.

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