Professor é premiado após usar Bíblia para ensinar história a presos

O professor Di Gianne de Oliveira Nunes foi premiado com o “Oscar da Educação” após usar a Bíblia para ensinar história aos alunos detentos de Minas Gerais.

fonte: Guiame, com informações de Correio Braziliense

Atualizado: Sexta-feira, 22 Setembro de 2017 as 4:45

Professor usou a Bíblia para ensinar história aos alunos detentos. (Foto: Reprodução)
Professor usou a Bíblia para ensinar história aos alunos detentos. (Foto: Reprodução)

O professor Di Gianne de Oliveira Nunes foi premiado com o “Oscar da Educação” após usar a Bíblia para ensinar história aos alunos da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) em Lagoa da Prata, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais.

Há dez anos na profissão, Di Gianne foi um dos vencedores da categoria Educadores Nota 10 com o prêmio que reconhece professores de todo o país. Agora, ele concorre como Educador do Ano.

O professor atuou em escolas públicas e privadas, mas foi na Apac que surgiu a ideia de procurar por um método de estudo diferente. “Na unidade prisional, quando eu estava dando aula sobre império romano, um aluno me questionou se existia a possibilidade de estudar por meio da Bíblia. Foi então que percebi que a grande quantidade de Bíblias disponíveis dentro da escola do presídio”, disse ele ao Correio Braziliense.

“Agora, vou utilizar o livro mais comum do sistema prisional a nosso favor”, conta o professor, que demorou cerca de dois meses para se preparar para as aulas. Seu projeto de ensino foi nomeado por ele de “regime fechado, visão aberta”.

“O cenário da Bíblia é histórico e fértil. Mergulhamos em um trabalho intenso para estudar, analisando as tradições, as culturas e as sociedades dos romanos e dos gregos. Como no presídio os alunos não têm acesso à internet, usamos a Bíblia e os livros de história. Ora líamos um, ora outro e, depois, discutíamos se o fato era comprovado pela arqueologia”, contou Di Gianne.

Os alunos aprenderam e passaram a se dedicar aos estudos. “Mudou o rendimento na sala de aula. Até na biologia, a lepra, por exemplo, muito citada na Bíblia. Ainda tem preconceito e isso vem desde a época. E tudo isso a gente vai refletindo, desconstruindo”, conta o professor.

Com a premiação do projeto, a autoestima dos estudantes aumentou. “A mãe de aluno me ligou e disse, chorando: ‘Meu filho só tinha saído no jornal em páginas policial e, agora, todo mundo voltou a acreditar nele. De repente, ele era vencedor num projeto educacional em nível nacional”, lembra o professor.

Di Gianne recebeu R$ 15 mil na premiação, mas resolveu dividir o valor entre os alunos da turma da Educação de Jovens e Adultos e Ensino Médio (EJA). “Nada mais justo. Eles são os protagonistas”, afirma.

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