Protestos no Irã: Aliança cristã pede oração contra repressão do regime islâmico

A Aliança Cristã Mundial Iraniana afirma estar “profundamente preocupada” com a repressão aos protestos populares que se espalharam por todo o país.

Fonte: Guiame, com informações do Artigo 18 e wicallianceAtualizado: quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 às 13:25
Jovens manifestantes enfrentando as forças paramilitares Basij durante os protestos iranianos em 2 de janeiro de 2026, em Mashhad, Irã. (Foto: Wikimedia)
Jovens manifestantes enfrentando as forças paramilitares Basij durante os protestos iranianos em 2 de janeiro de 2026, em Mashhad, Irã. (Foto: Wikimedia)

Em meio à intensificação dos protestos populares no Irã, a Aliança Cristã Mundial Iraniana (WICA) divulgou uma declaração dirigida aos cristãos do país.

No texto, a organização destaca o momento de profunda tensão social e espiritual vivido pela população.

A WICA chama os cristãos iranianos a se dedicarem “à oração, à reflexão responsável e à ação consciente”, para que, guiados pela fé e pela consciência moral, encontrem maneiras de apoiar a justiça, proteger a vida humana e se colocar ao lado daqueles que sofrem.

A declaração, publicada nesta semana, expressa “profunda preocupação” com a repressão estatal às manifestações que se espalharam pelo país desde o fim de dezembro.

“Apelamos às autoridades da República Islâmica do Irã para que respeitem a dignidade humana dos cidadãos e se abstenham de repetir práticas passadas de repressão violenta a protestos”, diz a declaração.

E continua: “Condenamos veementemente a rotulação indevida de cidadãos que protestam pacificamente e sua caracterização como ‘agitadores’ como forma de justificar a violência contra eles.”

‘Crise muito mais profunda’

Segundo a organização, os protestos têm raízes amplas que vão além de fatores econômicos, incluindo a “ausência sistemática de justiça”, e refletem uma crise muito mais profunda.

Os protestos, que já se estendem por 11 dias, resultaram em manifestações em massa em mais de 80 cidades desde 28 de dezembro, provocando uma resposta violenta das autoridades e deixando, segundo informações, ao menos 29 mortos.

Relatos apontam confrontos violentos, detenções em massa e dezenas de mortes associadas à resposta das forças de segurança.

Reações

Em 2 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu as autoridades iranianas contra o assassinato de manifestantes.

Em publicações nas redes sociais, afirmou que o país estava “pronto para agir” e que “iria em socorro” da população.

Em uma mensagem direta às forças armadas e de segurança do Irã, publicada no X, o príncipe Reza Pahlavi, herdeiro da antiga dinastia Pahlavi, que governou o Irã de 1925 a 1979, declarou:

“Vocês vestiram o uniforme militar para defender a nação iraniana e agora estão diante de uma escolha clara e histórica. Em dias em que o povo iraniano, corajoso e unido, está construindo e escrevendo a história, minha pergunta a vocês é: de que lado da história vocês ficarão – ao lado dos criminosos ou ao lado do povo? A outra questão já não é se a República Islâmica, este regime corrupto e repressivo, vai cair. A única pergunta é quando ela cairá – e esse momento está mais próximo do que nunca.”

‘Dignidade humana’

Criada no ano passado com o objetivo de oferecer aos cristãos iranianos uma “voz unificada”, a WICA apelou às autoridades do país para que “respeitem a dignidade humana dos cidadãos e se abstenham de repetir práticas passadas de repressão violenta a protestos”.

O grupo também criticou o que chamou de "rotulação errônea" dos manifestantes como "vândalos", "como forma de justificar a violência contra eles". 

“O protesto pacífico é um direito indiscutível de todo cidadão, e os danos à vida e à propriedade dos manifestantes não devem ser ignorados nem normalizados”, diz a declaração, publicada no domingo.

 

Leia a íntegra do documento:

Declaração da Aliança Cristã Mundial Iraniana

Nós, membros da Aliança Cristã Mundial Iraniana, expressamos nossa profunda preocupação com a repressão dos protestos em todo o país que eclodiram em nossa pátria, o Irã, desde 28 de dezembro de 2025. Como as evidências claramente demonstram, esses protestos não são meramente uma resposta às dificuldades econômicas enfrentadas pela população, mas estão enraizados em uma ausência sistemática de justiça e refletem uma crise muito mais profunda. O direito de protestar pacificamente é um direito fundamental dos cidadãos que se veem alienados ou privados de justiça, dignidade humana e participação significativa na construção de seu próprio futuro.

Uma economia fragilizada por sanções internacionais renovadas, a persistente escassez de gás e eletricidade, a crescente falta de água, a escalada do custo de vida e a contínua negação de liberdades sociais e políticas básicas têm minado diretamente a dignidade humana dos cidadãos. Salvaguardar a dignidade humana e garantir o bem comum são condições essenciais para uma boa governança, e a confiança social — indispensável para uma sociedade estável e justa — só pode ser alcançada dentro dessa estrutura.

Assim, apelamos às autoridades da República Islâmica do Irã para que respeitem a dignidade humana dos cidadãos e se abstenham de repetir práticas passadas de repressão violenta a protestos. Condenamos veementemente a rotulação indevida de cidadãos que protestam pacificamente e sua caracterização como "agitadores" como forma de justificar a violência contra eles. O protesto pacífico é um direito indiscutível de todo cidadão, e os danos à vida e à propriedade dos manifestantes não devem ser ignorados nem normalizados.

Expressamos nossas mais sinceras condolências às famílias e entes queridos daqueles que perderam suas vidas nestes protestos e lamentamos junto a todos que sofrem. Exortamos o povo iraniano à união, ao cuidado mútuo, ao compromisso compartilhado e à firme solidariedade na busca por justiça e dignidade humana. Conclamamos os cristãos iranianos a se dedicarem à oração, à reflexão responsável e à ação consciente, para que, guiados pela fé e pela consciência moral, encontrem maneiras de apoiar a justiça, proteger a vida humana e estar ao lado daqueles que sofrem. Nossa esperança permanece de que o Irã possa caminhar rumo a um futuro mais promissor, alicerçado na justiça, na compaixão e no respeito aos direitos de todos os cidadãos.

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