Satanistas processam agência de publicidade por não anunciar ‘ritual de aborto’, nos EUA

O Templo Satânico dos EUA está processando a agência 'Lamar Advertising' por 'discriminação religiosa', após a empresa se recusar a anunciar um 'ritual de aborto'.

fonte: Guiame, com informações da CBN News

Atualizado: Sexta-feira, 2 Outubro de 2020 as 9:48

Membros do Templo Satânico dos EUA em reunião. (Foto: Times Union)
Membros do Templo Satânico dos EUA em reunião. (Foto: Times Union)

O Templo Satânico dos EUA (TST) anunciou na última quarta-feira (30), que processou uma agência de publicidade porque ela se recusou a exibir alguns outdoors promovendo um ritual oferecido pelo grupo para ajudar as pessoas a contornar as regras de aborto em alguns estados.

Com sede em Salem, Massachusetts, o Templo Satânico processou a agência ‘Lamar Advertising’ no tribunal estadual do Arkansas. O processo acusa a empresa com sede em Louisiana de discriminação religiosa.

O Templo diz que a Lamar se recusou a exibir oito outdoors em Arkansas e Indiana, que promoviam o que o grupo chama de "ritual de aborto religioso". O grupo descreve o ritual como um "ato sacramental que confirma o direito à autonomia corporal".

Ao realizar o ritual, diz o grupo, as pessoas podem reivindicar uma isenção religiosa dos períodos de espera obrigatórios, aconselhamento, ultrassom e outras medidas que alguns estados exigem antes que um aborto possa ser realizado. O grupo afirma ter enviado cinco projetos a Lamar para serem exibidos perto de centros pró-gravidez.

Em uma das imagens, uma tigela de massa de bolo é mostrada com o texto, "não é um bolo", ao lado de uma imagem de um espermatozóide e um óvulo com o texto "não é um bebê". É acompanhado por um texto que diz: "Nosso ritual de aborto religioso evita muitas restrições estaduais."

Lamar rejeitou os outdoors e disse que seu conteúdo era "enganoso e ofensivo", de acordo com o processo.

Contexto

Como informado pela CBN News em agosto, o Templo Satânico anunciou que estava sorteando um aborto gratuito para promover o ritual de aborto satânico da organização, enquanto argumentava que os direitos religiosos de seus membros estão isentos de quaisquer leis estaduais ou regulamentos que possam bloquear o acesso aos serviços de aborto durante o primeiro trimestre.

A organização afirma que aqueles que praticam o ritual de aborto satânico estão “isentos” de serem submetidos a períodos de espera, aconselhamento obrigatório, visualização forçada de ultrassons e materiais de leitura, conforme exigido em muitos estados.

"O TST baseia suas afirmações de isenções de mandato de aborto nas proteções fornecidas por Leis Estaduais de Restauração da Liberdade Religiosa ou RFRA, que geralmente proíbem o governo de interferir substancialmente no livre exercício religioso de uma pessoa", disse O Templo Satânico em um comunicado à imprensa na época.

O grupo diz que todos os abortos de seus membros são “atos religiosos do satanismo e protegidos pela decisão”.

A organização também disponibilizou um modelo de carta a todos os seus membros para solicitar uma isenção religiosa às restrições ao aborto. Fundado em 2012, o Templo Satânico afirma ter mais de 300.000 membros em todo o mundo.

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