A autoestima no divã: Características daqueles que são usados por Deus

A autoestima no divã: Características daqueles que são usados por Deus

Atualizado: Quarta-feira, 30 Setembro de 2009 as 12

"E foi Jabes mais ilustre do que seus irmãos (sua mãe lhe pusera o nome de Jabes, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz). Jabes invocou o Deus de Israel, dizendo: Oxalá que me abençoes, e estenda os meus termos; que a tua mão seja comigo e faças que do mal eu não seja afligido! E Deus lhe concedeu o que lhe pedira"(2 Cr 4:9, 10).       

Vivemos tempos onde a capacitação e a eficiência para desempenhar tarefas são altamente valorizadas. As empresas buscam profissionais cada vez mais especializados em sua área de atuação e, preferencialmente, fluentes em duas ou mais línguas.   

Busca-se, também, o profissional  que saiba trabalhar em equipe, cuja característica principal é a inteligência interpessoal, ou seja, a habilidade para entender e responder adequadamente a humores, temperamentos e desejos de outras pessoas.   

Mas, e quando me considero aquém das cobranças? Ou a imagem que vejo refletida em meu espelho não me motiva a romper barreiras e ousar? O que poderei fazer para mudar se sou tímido e não sei me expressar? Ou se minha origem é muito humilde e tive poucas oportunidades na vida?    

Primeiramente devemos ter consciência de nossas limitações e valorizarmos o que é positivo. O importante é nos dispormos a crescer e a agarrar as oportunidades. Ninguém nasce pronto. Somos "esculpidos" dia após dia.      

Auto-estima é a opinião e o sentimento que cada um tem por si mesmo. É ter consciência de seu valor pessoal, acreditar, respeitar e confiar em si. Juntamente com o amor próprio, serve de base para o ser humano. Ela contribui para a cura de muitas enfermidades de origem emocional e relações destrutivas.     

Ela começa a ser formada na infância, a partir de como as pessoas são tratadas. Ou seja, as experiências do passado exercem influência significativa na auto-estima quando adultos. Quando a auto-estima está baixa a pessoa se sente inadequada, insegura, com um sentimento vago de não ser capaz.    

Esses mesmos dilemas foram vividos por várias pessoas nos tempos bíblicos. Não se trata de nenhuma novidade dos tempos pós-modernos. Pessoas de diversas origens apresentaram as mesmas características de personalidade que, de certa forma, as paralisaram diante dos desafios: baixa auto-estima .   

Algumas pessoas foram escolhidas por Deus para realizarem algo de suma importância para o Seu povo, mas estas duvidaram de suas reais possibilidades ou que o Senhor não as pudesse capacitá-las.       

Outras, porém, a despeito de suas origens, romperam com rótulos pré- estabelecidos e foram lembradas justamente pela ousadia, como foi o caso de Jabes.     

Seu nome já carregava o estigma de dor e sofrimento. Este foi o primeiro paradigma a ser vencido. Cada vez que sua mãe o olhava, se recordava do quão havia sido doloroso para ela trazê-lo ao mundo. Todos os nomes nos tempos bíblicos eram carregados de significado. Havia uma marca a ser rompida. 

O que mais nos chama a atenção na vida de Jabes é o fato dele crer e mover-se na direção oposta ao seu destino. Por isso é citado que ele foi mais ilustre que seus irmãos.     

Jabes creu no Deus Todo-Poderoso e o invocou em oração. E aquilo que seria impossível aos olhos humanos foi realizado em sua vida. Coisa que, para os ditos "crentes espirituais"de hoje não passaria de ganância ou Teologia da Prosperidade.  

Enquanto temos em Jabes o exemplo de alguém que rompeu barreiras e agiu à altura daquilo que Deus poderia fazer na vida dele, vemos também alguns outros exemplos diametralmente opostos, como é o caso de Gideão.  

A imagem que Gideão possuía de si mesmo não era das melhores. Se considerava desprovido de qualquer qualificação para ser usado por Deus.   

"Então, o Anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse; O Senhor é contigo varão valoroso, (...) vai nessa tua força e livrarás a Israel da mão dos midianitas, porventura, não te enviei eu? E ele lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manasses, e eu, o menor da casa de meu pai"  ( Jz 6: 12, 14 b, 15).  

Gideão estava preso a uma imagem que havia sido construída ao longo de sua vida. Para ele, o fato de ser pobre, da menor família de toda a sua tribo e também de ser o caçula, já eram suficientes para desqualificá-lo. Ainda que o próprio Anjo do Senhor tenha aparecido a ele com palavras de estímulo. Faltava em Gideão a  motivação.  Motivação é intrínseca, nasce na alma do homem. É um Desejo de realizar. Essa motivação estava presente na vida de Jabes. Estímulo é externo; e esse o Anjo deu primeiramente a Gideão, mas não havia sido suficiente. 

Há um ditado corrente entre os cristãos que diz o seguinte: Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos. Gideão, mesmo não se considerando à altura da missão que lhe estava sendo proposta, foi, ao final, capacitado por Deus para desempenhá-la.     

Outro personagem bíblico que não possuía uma boa auto-estima foi Jeremias. Quando o Senhor o chamou para o ministério profético este hesitou e temeu ante a extraordinária missão de falar a Palavra do Senhor ao povo de Judá. 

"Assim veio a mim a Palavra do Senhor, dizendo: Antes que te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e as nações te dei por profeta. Então, disse eu: Ah! Senhor Jeová! Eis que não sei falar, porque sou uma criança" ( Jm 1: 4, 5 ,6).  

Não importa qual seja a tarefa que o Senhor te designou  a desempenhar. Ele é o responsável por capacitá-lo e fazer o que for necessário para o desempenho da sua tarefa. Basta colocar-se sem reservas em Suas mãos.   

"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que nos chamou das trevas para a maravilhosa luz"( 1 Pd 2: 9).

Temos de nos enxergar como Deus nos vê: Mais do que vencedores em Cristo Jesus ( Rm 8: 37). E isso não é pouca coisa!   

Mônica Valentim.

Mônica Valentim é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.    

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