A bruxa que virou pastora

A bruxa que virou pastora

Atualizado: Quarta-feira, 28 Maio de 2008 as 12

Eu sempre fui uma garota batalhadora, que sabia o que queria da vida e lutava muito para conseguir. Nunca bebi, nunca fumei, não gostava de baladas, tinha horror a drogas e promiscuidade sexual. Era uma careta de carteirinha e não me julgava "perdida" como os crentes costumam falar das pessoas que não são convertidas.

Sou filha de pais separados, a quinta filha de um casal que sempre sonhou ter um filho. Logo depois que eu nasci, meus pais se separaram e eu sempre me senti culpada. Afinal, eu não era o menino que eles haviam planejado. Bem, por conta disso decidi que eu seria melhor do que qualquer homem e me esforcei para superá-los em tudo. Eu era meio pobrezinha e a única saída para que eu fizesse sucesso na vida era estudar e estudar muito. Sempre me destaquei nos estudos.

Entrei na escola com seis anos e já sabia escrever o meu nome e do meu pai. Sempre fui a primeira da turma, com exceção de Matemática (bleg!!!). Com toda essa dedicação, entrei na Faculdade, sem cursinho, aos 17 anos. Fiz Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e me formei com 21 anos. Antes mesmo de me formar já estava empregada como jornalista, o que é muito difícil. Viu só, eu estava conseguindo ser melhor do que muitos homens que competiam comigo. Para que precisaria me converter? Eu era o máximo aos meus próprios olhos.

Sempre fui meio lerda quando o assunto era namorados. Só às vésperas de pegar o diploma de jornalista, comecei a namorar pela primeira vez.

Bem, depois disso, cursei Rádio e TV, na Anhembi Morumbi, e Jornalismo e Esporte, na ECA-USP. Fui editora de revista feminina, assessora de imprensa do Ayrton Senna e de vários outros famosos do esporte. Participei da cobertura das Olimpíadas de Barcelona e de uma série de campeonatos internacionais de judô, basquete e vôlei. Eu era o que as pessoas costumam chamar de bem sucedida. Como esse tal Jesus poderia melhorar alguma coisa? Eu tinha tudo e não fazia mal para ninguém. Era certinha, como as minhas amigas costumavam dizer.

Então, no final de 1993, eu comecei a sofrer de Síndrome do Pânico. Tinha crises de medo, desmaiava, suava frio, tremia muito sem saber porque. Às vezes ficava imóvel, desacordada, mas ouvindo e entendendo tudo. Tinha muito medo de ser enterrada viva. Misericórdia!!!

Nessa época, eu era o que os esotéricos costumam chamar de bruxa do bem. Eu lia a mão das pessoas, jogava tarô, já tinha feito vários cursos de astrologia, numerologia, cabala, fazia mapa astral, usava um montão de amuletos, talismãs, acreditava no poder das pedras e das cores e coisas do tipo. Eu tinha horror a crente.

Uma das minhas irmãs era crente e eu achava aquele povo muito "mané". Alguns não sabiam nem falar direito, engasgavam para ler, vestiam-se mal e gritavam muito. Deus não é surdo, não entendia porque falar tão alto. Eu me achava a tal e humilhava os crentes sempre que podia.

Pois bem, num sábado, com medo de ter mais uma crise, decidi ir com a minha irmã a casa de uma crente que orava e "via as coisas". Hoje sei que essa irmã é profeta de Deus com dom de revelação. A tal irmã fez o maior pouco caso de mim, orou rapidinho e me disse para procurar uma igreja evangélica e sugeriu a Igreja Universal, que ficava na Av. Celso Garcia, já que era um templo enorme e lá eu não iria sentir vergonha, pois ninguém me conhecia. Ela me disse: "Eu só posso dizer para você procurar uma igreja e se converter, porque do jeito que você está você vai morrer e, o que é pior, como não tem Jesus, vai para o inferno". Disse isso friamente e desandou a orar pela minha irmã com o maior fervor.

Fui para casa revoltada. Dizendo que aquela irmã era do diabo. Minha mãe também ficou revoltada. Chegando a noite, quando eu costumava dar "chiliques", perguntei à minha mãe onde era a igreja evangélica mais próxima. Afinal, a irmã havia me mandado procurar uma igreja. E lá fui eu, a maravilhosa Myrian Rosário, jornalista de sucesso, assessora de Ayrton Senna, num salãozinho 3x4 com um som cheio de microfonia, um monte de crentes mal vestidos e muita gritaria. Estava achandoaquilo tudo o fim, mas não fui embora.

A certa altura, o pastor começou a chamar algumas pessoas à frente para orar, ele dizia que Deus estava mostrando irmãos com dor de cabeça, problemas na coluna etc. e o povo ia para frente. Chamou todo mundo menos eu, que estava morrendo. Ai pensei: esse Deus dos crentes não quer nada comigo mesmo. Ele diz que vai curar até quem quebrou a unha e eu aqui, com "cara de pastel".

Quando o pastor fechou os olhos para orar, abriu rapidamente, apontou para mim e disse: "Você, venha aqui". Eu olhei para os lados procurando com quem ele estava falando, não acreditava que podia ser comigo. E ele disse: "É você mesma". Bem, fui para frente, o pastor começou a orar e a contar alguns fatos da minha vida guiado pelo Espírito Santo. No final, ele me perguntou se eu queria aceitar Jesus como meu Senhor e Salvador. Meu coração batia forte, um calor tomou conta do meu corpo e eu disse sim. Daquele momento em diante Jesus passou a controlar a minha vida.

Dias depois, joguei todo o meu material de bruxaria fora, sem que ninguém tivesse me dito nada a esse respeito, comecei a ler a Bíblia, a orar e a freqüentar os cultos. Não fiquei naquela igrejinha porque eles pegavam no meu pé por causada calça comprida e do batom e Deus não havia me falado nada a esse respeito.

Em pouco tempo, eu me tornei uma nova criatura: parei de mentir, parei de fazer bruxaria, parei de me achar a tal, me tornei mais humilde, comecei a aprender a amar, vi que o que importa é o que a gente é e não o que a gente tem. A Síndrome do Pânico foi para o espaço juntamente com os remédios que eu tomava pra controlá-la, conquistei paz no meu coração, não tinha mais medo de nada, reconstrui meu relacionamento com a minha família, descobri que não era a culpada pela separação dosmeus pais, aprendi a perdoar e a pedir perdão, ganhei um novo sorriso, uma nova família em Cristo, comecei a dormir mais tranqüila, passei a ser mais honesta comigo e com as outras pessoas e mais milhares de bênçãos que nunca terão fim.

Um ano e pouco depois da minha conversão, logo depois de ser batizada, já estava atuando como líder de jovens e ingressei no Seminário Teológico. Minha formatura foi em dezembro de 1999. Em janeiro de 2000, conheci o amor da minha vida e me casei em janeiro de 2001. Antes de Jesus, eu achava que casamento era coisa para mulher inculta que não tinha mais o que fazer. Quem diria, hoje atuo no ministério de casais.

Deus tem me usado para ensinar, discipular jovens e adolescentes e levar a mensagem de salvação. Hoje denuncio o engano do esoterismo e a cilada de se achar auto-suficiente. Sou submissa a Deus e ao meu marido.  Tenho uma filha linda, fruto de milagre e sou muito feliz assim, totalmente dependente Dele.

Tenho colecionado testemunhos e sou prova viva de que, sem Jesus, a moça certinha e bem sucedida é tão perdida quanto o drogado assassino. A Ele toda honra, toda glória, todo louvor e toda adoração.

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