Apesar de próspero financeiramente, casal vivia de aparências

Apesar de próspero financeiramente, casal vivia de aparências

Atualizado: Sexta-feira, 7 Maio de 2010 as 2:09

O comerciante Luiz Carlos dos Passos, 39 anos, vivia de aparências. Como distribuidor de frutas, se orgulhava de poder oferecer uma vida próspera para a esposa, Shirley, de 35 anos, e os filhos.

Na época, Shirley não trabalhava, por isso, ficava em casa cuidando da casa e das crianças. Apesar da vida tranqüila, tudo que sonhava era ter momentos de harmonia no lar, a presença e atenção de seu marido.

"O Luiz passava horas na rua bebendo com os amigos. Só chegava em casa de madrugada. Nunca me agrediu, mas era nervoso com as outras pessoas, andava armado e chegou a me dar uma arma de presente. Eu tinha medo de vê-lo envolvido em alguma tragédia. Cheguei a pedir a Deus que tirasse tudo o que tínhamos em troca da transformação do meu marido", recorda.

O que de fato aconteceu. As perdas vieram e foram sucessivas. "Por causa das dívidas, Luiz teve que se desfazer de todos os nossos bens", revela Shirley. De distribuidor passou a trabalhar como agregado, fazendo entregas. Para não ter que pagar ajudantes, descarregava toneladas de alimento sozinho. Como se não bastasse, em um acidente quase perdeu o caminhão – sua única fonte de renda.

"Foi um período muito difícil, passamos a andar de ônibus, isso quando tinha o dinheiro da passagem. Ficamos com o nome sujo e tivemos vários cheques devolvidos. O gerente do banco já não me atendia. Fui muito humilhada. Deixava o carrinho com as compras e pegava só o essencial, pois o dinheiro não dava. Entrei em depressão", conta.

Certo dia flagrou o marido chorando, depois que a filha lhe pediu 1 real e ele não tinha para dar. A situação era tão crítica que farofa de ovo passou a ser a refeição da família por vários dias da semana.

Numa madrugada, ao ver a programação da IURD, Shirley ouviu falar da Fogueira Santa de Israel e resolveu exercitar sua fé. Na época, já havia começado a fazer pequenas costuras para ajudar no orçamento, porém ganhava apenas 70 reais por semana.

"A Shirley me dava 50 reais para o combustível do caminhão; com os outros 20 reais comprava uma cesta básica e o leite para nosso filho menor", relata Luiz Carlos.

Após o seu voto com Deus, Shirley começou a fazer roupas infantis, aproveitando retalhos. "Em uma semana eu estava ganhando mais que o meu marido", lembra.

Seguindo o exemplo da esposa, Luiz passou a viver a mesma fé. Ele vendeu o seu único caminhão para investir em uma pequena confecção com a esposa.

As coisas foram se transformando. Hoje, após sete anos, o casal conquistou uma confecção, criou a marca "Bless", que em português significa abençoado, e emprega 80 funcionários. Eles confeccionam diversos modelos e estilos de roupa feminina, que vendem não só para o Espírito Santo, mas também para Rio de Janeiro, São Paulo, Sul de Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros estados.

O casal conta que mora em um dos melhores apartamentos da região. "Compramos e reformamos uma casa de praia avaliada em 200 mil reais; temos dois carros zero. A Fogueira Santa para mim representa as janelas dos céus se abrindo, só que para isso tem que haver sacrifício", afirma Luiz.

Shirley acrescenta que o mais importante é a paz que hoje reina em seu lar. "Meu marido é um grande companheiro, trabalhamos juntos e temos paz interior", finaliza.

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