"Dei minha filha e o Senhor a trouxe de volta como

"Dei minha filha e o Senhor a trouxe de volta como

Atualizado: Quarta-feira, 7 Janeiro de 2009 as 12

Sabe aquelas histórias de novela mexicana, que envolve romance, filhos que não sabem quem são seus verdadeiros pais e um final surpreendente. Pois foi mais ou menos isso que o Senhor fez na vida da artesã Nídia Mara Rosário Loyola. Quarta filha de um casal de poucas posses, Nídia ficou órfã de mãe aos oito meses. O pai alcoólatra não suportou o peso da responsabilidade e todas as crianças acabaram sendo criadas pela avó materna, uma crente nominal. "Cresci vendo minha avó dar o maior apoio às amantes dos meus tios e, sem perceber, assimilei o conceito de que ser amante era melhor do que ser esposa", conta ela.

Ainda na adolescência, Nídia se envolveu com um homem casado e engravidou. Apesar da vergonha e do desespero da família, que tentou esconder o fato até o último momento, a menina nasceu saudável e foi bem acolhida pela mãe, embora não tivesse sido reconhecida pelo pai. Pouco tempo depois, fruto de um romance inconseqüente, ela engravidou de novo. "Eu só tinha 18 anos e uma filhinha com menos de um. Trabalhava como doméstica, vivia de favor e não tinha nenhuma condição para ter outro filho", lembra.

As preocupações durante a gestação provocaram complicações e Nídia ficou internada durante um mês. Quando sua segunda filha nasceu, prematura aos seis meses de gravidez, ela estava decidida a abandoná-la no hospital. "Eu não sabia o que fazer nem tinha para onde ir com duas crianças". A solução surgiu quando Ziza, a irmã mais velha de Nídia, reencontrou um antigo namorado da irmã, o Clei, e contou o que estava acontecendo. O homem, agora casado com uma mulher estéril, amargava a tristeza por não ter filhos e, prontamente, se ofereceu para adotar a criança, registrando-a como sua própria filha. "Eu o conhecia bem e sabia que ele tinha condições financeiras e emocionais para dar à minha filha, que nasceu doente, tudo aquilo que eu não podia dar", diz ela.

"Entreguei minha filha e nem olhei para trás"

Quando a menina recebeu alta, Nídia foi buscá-la e entregou-a direto a Clei, que a fez prometer que nunca se aproximaria da menina. "Eu nem queria olhar muito pra ela. Tinha medo de me apegar e desistir do plano. Tudo o que eu quis saber foi o nome que ele daria a ela: Sileine Aparecida Mendes. Ele era devoto de Aparecida!".

Nídia revela que sempre pensava na menina, mas a tirou completamente da cabeça ao ser informada de que a menina, frágil e prematura, havia morrido. "Depois de adotar a Sileine a mulher dele engraviou e o bebê morreu. Quando ele reencontrou a minha irmã, disse que a filha adotiva é que havia morrido para ficar livre de nós para sempre".

O tempo se passou, Nídia se casou com um homem divorciado que tinha um filho,  da mesma idade de sua filha mais velha, Deise Ângela. Antes mesmo do casamento, contou toda a história da sua vida para ele. "Eu queria muito acertar e, por isso, não deixei nenhuma brecha. Ele se casou comigo sabendo que eu tinha dado uma filha para a adoção e que ela tinha morrido. Contei que o pai adotivo se chamava Clei e que  trabalhava no cartório". Convertida, Nídia teve outro filho.

Em 1996, o enteado de Nídia, que morava com a mãe, começou a namorar e logo engravidou a moça. Os dois foram morar juntos na casa da mãe dele, mas Nídia não teve a oportunidade de conhecer a "nora torta" porque a ex do seu marido sempre foi muito hostil com ela. Quando o "neto torto" nasceu houve um desencontro na maternidade e Nídia continuou sem conhecer a nora e a criança. "Sabia que ela se chamava Sileine e que era linda, mas achei que o nome era apenas uma coinciência".

A descoberta aconteceu sem querer

Durante uma crise do jovem casal, o marido de Nídia foi conversar com a nora e descobriu, sem querer, que o pai dela trabalhava no cartório, que se chamava Clei e que ela era filha adotiva. "Ela disse que havia descoberto tudo aos dez anos de idade e que até sabia o nome da sua mãe biológica: Nídia Mara Rosário Pedro, meu nome de solteira. Depois de beber um copo de água para aliviar o susto, meu marido contou para a nora que a mãe verdadeira dela era eu", emociona-se.

Sileine combinou com o sogro que queria conhecer Nídia e, se gostasse dela, revelaria que era sua filha, se não, os dois guardariam o segredo para sempre. A moça foi à casa de Nídia visitá-la. Nídia não estava e, irada com a bagunça da casa, quando chegou começou a brigar com a filha mais velha na frente de todos. "A menina disse que queria conversar comigo e eu logo achei que ela tinha ido me pedir dinheiro", ri. "Quando ela me falou que tinha que ser em particular, disse que já estava acostumada com tragédia e que na minha casa ninguém tinha segredo. Mesmo assim fui para ao quarto com ela, torcendo para que ela não me pedisse para se mudar para a minha casa. Todo mundo diz que o sangue puxa, que mãe tem sexto sentido. É tudo bobagem! Eu não percebi nada"

No quarto, Nídia, então, reparou na moça e elogiou sua beleza. "Ela me mandou sentar e perguntou se eu havia tido outra filha além da Deise Ângela. Nesse momento, meu coração se encheu de ira porque logo imaginei que meu marido havia contado a minha vida para uma menina que nem me conhecia", diz Nídia, que nem percebeu o quanto a nora torta se parecia com ela e que isso, somado ao nome Sileine, podia dizer alguma coisa.

Como Nídia permanecia fria, Sileine tirou a carteira de identidade do bolso e disse: "Eu sou sua filha". "Quando ouvi isso, cai no chão de vergonha. Ela logo me disse que me perdoava, mas, mesmo assim fiquei em choque por algum tempo", lembra.

O começo não foi fácil, houve resistência por parte do pai adotivo de Sileine. "Ele não gostava muito do meu enteado e passou a gostar menos ainda quando descobriu que foi por causa dele que eu e minha filha nos reencontramos. Hoje estou muito feliz. Tive mais uma filha e desfruto da alegria de uma grande família. Costumo dizer que o meu netinho é meu neto duas vezes. Só Jesus para promover tamanha restauração."

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