Ele era gay!

Ele era gay!

Atualizado: Segunda-feira, 8 Setembro de 2008 as 12

Abuso sexual, relações homossexuais às escondidas e até uma namorada de fachada fizeram parte da vida o velho Wellington. Mas ele conheceu Jesus, foi transformado, casou-se e hoje é pai e pastor.

Por Myrian Rosário

Ao ver um adolescente com modos muito delicados, muitos não pensam duas vezes antes de zombar e discriminar. Outros acham normal. Afinal, é uma opção dele. Há ainda os que têm certeza de que ele nasceu assim e que está fadado a viver nessa condição pelo resto da vida. Talvez ninguém questione o que pode ter acontecido para que o jovenzinho assumisse aquela postura. Bem distante da predisposição genética defendida pelos ativistas gays e da "falta de vergonha" alegada pelos moralistas mais radicais, a grande maioria dos casos de homossexualidade, masculina ou feminina, tem sua raiz num episódio de abuso sexual.

 "Eu era um garoto normal. Tenho um irmão e uma irmã e pais que sempre nos amaram. Eu tinha cinco anos de idade e, um dia, fui dormir na casa de uma amiga da minha mãe. Como acordava muito cedo, resolvi sair para o quintal na intenção de brincar. De repente, ouvi o vizinho, um rapaz de 18 anos, me chamando para brincar na casa dele, disse que queria me mostrar algo. Inocentemente, abri o portão e fui. Quando entrei na casa, ele tirou as minhas roupas e abusou de mim", conta o Pr. Welligton Franca.

"A partir daí, minha vida se transformou num verdadeiro caos. Como não consegui contar a ninguém sobre o abuso, sofri muito. Meu psicológico foi abalado, cresci acreditando que por causa daquilo jamais poderia ser um homem comum. Isso resultou em várias distorções. Não brincava com meninos e me portava diferente no colégio. Todas as minhas amigas eram meninas porque elas não representavam perigo para mim", detalha.

Trejeitos

Wellington conta que, aos 10 anos, começou a sentir atração por pessoas do mesmo sexo. "Recordo-me que alguns meninos mais velhos se aproximavam de mim. Mas, o intuito deles era sempre o mesmo, pedir para transar comigo. Nunca tive relação com homens muito mais velhos do que eu. Sempre 'brincava' e transava com vizinhos e primos, quase da mesma idade", lembra.

Ainda na infância, ele já era cheio de trejeitos e sua voz era fina. Por isso, sofreu muito com o preconceito. "No colégio recebia vários apelidos. Na rua era pior. Os vizinhos sempre soltavam piadas". Apesar disso, a família nunca questionou porque ele agia daquela maneira. "Acredito que minha família preferia não perceber. Hoje vejo o quanto eu era estranho".

Uma namorada para despistar

 

Na adolescência, embora a voz tenha engrossado bastante, Wellington continuava "afetado" e a pressão externa para que arrumasse uma namorada - talvez para provar que era homem - foi grande. "Aos 14 anos, descobri que uma prima da minha mãe, que tinha a mesma idade que eu, estava me paquerando. Então, resolvi 'namorar' com ela. Era tudo muito confuso para mim. Mas, ao menos, consegui me livrar das piadas sem graça das pessoas".

Pactos nojentos

Wellington nunca freqüentou barzinhos nem baladas gays, mas sabe, de ouvir falar, que nas noitadas imperam várias distorções da homossexualidade. "É incrível como tudo o que se refere ao ato sexual no homossexualismo é sujo e contra aquilo que é natural. Por exemplo, é comum que um cara passivo seja penetrado por mais de um homossexual ativo no mesmo ato sexual. Também existem pactos nojentos feitos com sêmen, simbolizando uma aliança. Graças a Deus nunca participei de nada disso".  

Apesar de satisfazer plenamente seus desejos homossexuais, ele revela que não conseguia se sentir feliz. "Um vazio reinava dentro de mim. Muitas vezes, não conseguia dormir, tentando achar uma saída para tudo aquilo. Ouvia vozes me dizendo: 'Mate-se! Não tem jeito!'. Eu chorava muito. Para mim não existia mais esperança".

Encontro marcante com Jesus

Em 1997, toda a família foi convidada a ir a uma reunião na casa de um casal de tios, que estava sendo preparado para o ministério pastoral. Os pais de Wellington estavam saindo de uma crise conjugal, que culminou em uma separação temporária. "Minha mãe era desviada e, depois daquela reunião, voltou aos caminhos", relata. "Ele foi batizada no Espírito Santo e começou a apresentar mudanças reais no seu jeito de ser e de agir. Toda a minha família estava na igreja e eu podia ver a alegria expressa no rosto deles".

Durante um jantar de família na casa dos tios, Wellington viveu um momento inesquecível. "Quando terminamos o jantar, o meu tio pediu para orarmos antes de irmos embora. Fiquei no canto da cozinha de olhos fechados tentando sentir algo, até que senti que ele impôs as mãos sobre mim. Naquele momento, parece que recebi uma descarga elétrica espiritual. Fui lançado ao chão, meu corpo tremia, meus ouvidos foram destampados e uma voz suave e doce falava comigo: 'Eu amo você! Venha a mim, eu sou o Senhor! Arrependa-se!'. Não conseguia ficar de pé, pois minhas pernas tremiam muito. Sabia que era o Senhor quem falava comigo e resolvi aceitá-Lo naquele momento", relembra Wellington, que ainda chora muito ao relatar esse encontro que mudou a sua vida.

 

Confissão e nova vida

Os passos seguintes foram o batismo no Espírito Santo e a conversão da prima-namorada, que estava pronta a ser consagrada num centro de umbanda como mãe-de-santo.  "Ela aceitou Jesus no final da pregação de um pastor que havia sido homossexual. Imediatamente após ela ter se entregado a Cristo, Deus encheu meu coração de amor por ela. Naquele dia senti algo novo. O Espírito Santo encheu meu ser de amor por aquela nova criatura. Assim, consegui amar e ter algum sentimento por uma mulher".

Mas não pense que foi fácil. "Foram muitas as minhas lutas para permanecer firme. Um dia, um cliente da empresa que havia acabado de me contratar, me ofereceu muitas coisas para que eu tivesse um caso com ele. Mas resisti firme, não conseguia mais deixar de amar a Jesus! O processo de libertação é difícil. Creio que a batalha na mente é a pior. Eu me sentia livre no espírito, mas preso na mente. Dia após dia buscava renovar minha mente com a Palavra do Senhor e quando me sentia fraco e sendo tentando a voltar atrás, lembrava das promessas de Deus. Fiz o que o apostolo Paulo nos ensina em Romanos 12:1-2".

Embora nunca  "saído do armário", como se diz no meio dos homossexuais em relação aos gays não declarados, depois de Jesus, Wellington foi impelido pelo Espírito Santo a pedir perdão e declarar sua antiga condição de homossexual aos pais, aos pastores, à igreja, à namorada e até à sogra.

Convertida, Patrícia ouviu dele a confissão de que o relacionamento deles era uma farsa. Apesar de chocada, ela decidiu continuar com ele. Pouco tempo depois, os dois se casaram, ganharam um filho e um ministério.

Ninguém nasce gay!

Questionado se concorda com a máxima dos ativistas gays, segundo a qual o homossexual já nasce assim, Wellington rebate: "Creio na bíblia e ela me diz que Deus criou o homem e a mulher, Adão e Eva. Nunca vi na bíblia o momento da criação de um Ivo! Como disse, não sentia desejo algum por minha namorada, até o dia que ela se converteu ao Senhor. Ele mesmo colocou amor e desejo por ela em mim. Porém, em muitos casos isto é um processo mais demorado. A batalha para alcançar a libertação é muito árdua. Há um contra-ataque de satanás ferrenho e nestes ataques muitas feridas são causadas. É importante negar-se a si mesmo e aos desejos da carne. Lembrando-se de que uma vez que o espírito do homem foi liberto, ele recebeu a Jesus, o Espírito Santo é quem habita nele gerando o novo nascimento".

Wellington diz ter vergonha do seu passado. "Tenho vergonha do meu passado sim! Mas, quando é para conclui-lo afirmando que Deus continua transformando vidas, venço minha vergonha e declaro quem Ele é. Assim, vivo um dos versos que mais amo na palavra: 'Importa que eu diminua e que Ele cresça em mim!'.

 

Um novo coração

Alvo de uma restauração completa, ele teve a chance até de reencontrar o homem que o molestara na infância e provar que havia realmente perdoado. "Lembro-me de que no meu processo de libertação e cura na alma, aprendi que precisava liberar perdão para os que haviam me feito mal, trazendo feridas à minha alma. Apesar da dor, decidi perdoar o rapaz que havia me molestado. Depois de uns 15 dias, eu estava na igreja e quando olhei para a porta, para minha surpresa, quem estava entrando? O próprio! Naquele dia soube que havia perdoado, pois o sentimento que tive foi de misericórdia para com ele".

Wellington encerra com uma mensagem: há esperança!

"Porque ainda que a árvore tenha sido cortada, brota de novo e torna a viver. Mesmo que suas raízes envelheçam, e o seu tronco de velho venha morrer, bastará um pouco de água, e ela brotará novamente, soltando galhos como planta nova" - Jó 14:7-9.

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