Esperança na enfermidade

Esperança na enfermidade

Atualizado: Quarta-feira, 13 Janeiro de 2010 as 12

No title Quando a vida toma rumos diferentes do que gostaríamos, devemos olhar para o Senhor e coninuar a caminhar

"Senhor leva-me onde o Senhor quiser, mas vem comigo. Dá-me qualquer carga, mas sustenta-me. Desfaça todo e qualquer tipo de laço em minha vida, exceto aquele que me une a Ti'

Sempre gostei desta frase de David Livingstone e, como nunca, ela tem sido real em minha vida!

Até o início do ano de 2000, nossa vida parecia transcorrer como um mar de rosas: alguns espinhos, naturalmente, mas boa saúde na família, filhos todos empregados, muita paz e muito amor no lar, participação agradável na igreja, poucas preocupações financeiras...

Em março de 2000, porém, aconteceu o inesperado e nossa vida mudou dramaticamente.

Fui internado em regime de urgência, com quadro de bloqueio/paralisia intestinal. No dia 31 de Março fui operado às pressas, e os médicos retiraram um tumor do cólon. Era um câncer em estado avançado, muito agressivo e já com metástases - ou seja, com células cancerígenas já disseminadas pelo corpo.

No término da cirurgia, o médico chamou meus familiares e nos recriminou por ter deixado a doença chegar a um estado tão avançado! Em resposta à pergunta de um dos filhos, informou que meu estado era muito grave e a previsão médica, desde que eu me submetesse ao tratamento apropriado, seria de aproximadamente um ano de vida.

O choque foi terrível, e forneceu todos os ingredientes para que nossa vida se tornasse um mar de espinhos! Mas, não foi isto que aconteceu.

De lá para cá tenho feito quimioterapias, mais três cirurgias e tive um quadro de confusão mental. Já perdi (e recuperei) todos os meus cabelos, já tive reações de toda espécie aos tratamentos, já fiquei deprimido, já fiquei exultante.

Ainda possuo tumores cancerígenos, alguns têm aumentado, outros, diminuído. Desde Dezembro 2002 sou "cobaia" de um tratamento experimental de combinação de quimioterapia com transplante de células sangüíneas de parentes próximos.

Fui obrigado a reduzir minha atividade profissional e passamos a viver mais modestamente.

- O que o tudo isto tem a ver com minha fé cristã?

Tudo. Sou cristão desde os 14 anos de idade, quando reconheci que Jesus Cristo é Deus. Confiei nele como Salvador pessoal e Senhor da minha vida. Passei a fazer parte da família de Deus, e tenho certeza de vida eterna. Este é um dos fatores que me mantém vivo, com boa qualidade de vida. Da mesma forma que minha fé, esta certeza, é totalmente racional. Vejamos:

Sei que meu futuro, como de qualquer outra pessoa, apresenta três hipóteses. Vejamos:

a) Deus pode me levar já, ou seja, posso morrer a qualquer momento. Quando enfrentamos uma doença grave somos forçados a encarar a possibilidade de morte - e isto, de  modo geral é assustador! Apesar de crermos, na imortalidade da alma, nos apegamos muito à permanência do corpo físico aqui na terra! Porém, minha fé não permite que eu fique apavorado! O Salmo 23 diz '...quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei mal algum, pois tu estás comigo...'

E realmente está! E mais, sei para onde irei no exato momento em que deixar esta terra: um lugar onde não há dor, sofrimento, choro, morte, dinheiro, dívidas, repartições públicas, impostos, políticos corruptos etc...

Esta certeza não é fruto de eu ser uma pessoa melhor do que qualquer outra, de ser membro de uma igreja, de tentar praticar boas obras; mas, sim, da minha fé na obra e pessoa do Senhor Jesus Cristo, que morreu em meu lugar na Cruz do Calvário e foi ressuscitado ao terceiro dia. Jesus mesmo disse: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente'.

Minha experiência dos últimos quatro anos confirmou que Deus retirou de mim qualquer medo da morte física, a qual virá mais cedo ou mais tarde; a vida eterna é prometida por Deus e a ressurreição de Cristo, a garantia da ressurreição de todos os salvos.

b) Deus pode me deixar aqui por mais algum tempo, curado. Em momento algum deixo de crer que Deus PODE me curar, se assim desejar... Poder para isto, o criador de todo o Universo tem! O fato de me manter vivo, durante todo este tempo, e com boa qualidade de vida, é prova de seu cuidado e carinho para comigo. Ele sabe qual é a melhor opção para mim.

c) Deus pode me deixar aqui por mais algum tempo, doente. A doença tem me trazido muitas bênçãos: uma maior intimidade com Deus; o reconhecimento da ação dele em cada momento do meu tratamento; um estreitamento do relacionamento com a família - que tem me apoiado incondicionalmente - a certeza de ser muito amado por inúmeras pessoas que me apóiam e oram por mim, em todo o mundo; a oportunidade de conhecer, trocar idéias, consolar e ser consolado por outras pessoas na mesma situação.

Como afirmei anteriormente, estas três hipóteses são aplicáveis a qualquer pessoa na face da terra. O que me deixa tranqüilo é que sou salvo pela graça de Deus, sei que ele está no controle da minha vida, do meu tratamento, da minha saúde.

"Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8.38).

Se você, querido leitor, tomar a mesma decisão que eu tomei, de receber a Jesus como salvador de sua vida, um dia certamente iremos nos encontrar lá no céu.

William Paulo Jones é formado e pós-graduado em Administração de Empresas. Aposentou-se há dez anos. Possui uma consultoria empresarial. É casado, em segundas núpcias, há 15 anos com Ilara. Possui, no total, dez filhos (uma das quais adotada nos últimos três anos) e nove netos.

veja também