Ex-gay existe sim!

Ex-gay existe sim!

Atualizado: Quinta-feira, 30 Abril de 2009 as 12

Por Myrian Rosário Pedofilia e homossexualidade: que relação pode haver entre esses dois assuntos tão polêmicos discutidos atualmente em Brasília? Pode parecer mera coincidência, mas a história de vida da maioria dos homossexuais, como as ex-amantes Sandra e Nice, é marcada por um episódio de assédio ou abuso sexual na infância.

A história de Sandra

"Eu tinha uns cinco anos quando minha mãe ficou doente e me mandou passar uns dias na casa de uma tia", lembra Sandra. "Lá, sofri abuso sexual por parte de um primo adolescente. Nunca contei para ninguém, pois tinha medo. Mas, aquela agressão marcou minha vida para sempre. Inconscientemente, a partir desse episódio passei a ver os homens como uma ameaça. Eu queria me proteger deles e proteger também ouras mulheres".

Sandra conta que ainda menina se sentia atraída pela coleguinhas de escola. Na adolescência, a atração se transformou em desejo. "Eu freqüentava bailinhos onde a gente bebia muito e fumava. Conheci outras moças que também gostavam de mulheres e passei a me relacionar com várias pessoas. Nessa época também comecei a rejeitar o meu próprio corpo. Eu queria esconder as características femininas, queria me parecer com um homem. Meu sonho era me casar com uma mulher e ter filhos, não gerados por mim. Na verdade, eu queria fazer filhos numa mulher".

Retirar o seio e trocar de sexo também faziam parte dos planos de Sandra, que desapareceu de casa assim que assumiu sua condição de homossexual. Aos 26 anos, ela conheceu Nice, com quem permaneceu "casada" durante cinco anos.

A história de Nice

"Venho de uma família com nove filhos. Meu pai era alcoólatra e usuário de drogas e o casamento não durou. Quando eles se separaram, eu tinha 2 anos e fui mandada para um colégio de freiras. Voltei para casa aos 10 anos. Minha mãe havia se casado novamente e não demorou muito para que o meu padrasto começasse a me assediar. O assédio durou três longos anos. Eu contava o que estava acontecendo, mas minha mãe nunca acreditou em mim. Sei que existem muitos filhos e filhas passando pela mesma situação hoje e isso é muito triste. As várias tentativas de estupro me fizeram criar uma repulsa em relação aos homens", diz Nice, lembrando que a mãe sempre se dirigia a ela com palavras ofensivas como "vaquinha", "p...", tudo no diminutivo.

Para sair de casa, aos 16 anos, Nice se envolveu com um hare krishna, engravidou e mudou-se para Rondônia. "Havia uma igreja perto da minha casa em Rondônia e eu ouvia muitos hinos, sem sair de casa. Acho que foi lá que Deus falou comigo pela primeira vez. Essa músicas ficaram na minha mente e surgiam na minha lembrança nos momentos mais estranhos, como quando eu estava me drogando".

Pouco tempo depois, Nice abandonou o companheiro e a filha e voltou para São Paulo. "A casa da minha mãe havia virado um ponto de tráfico. Muitos dos meus irmãos foram presos e eu comecei a me prostituir. Eu nunca gostei de homem, não confiava neles. Eu só me relacionava com eles para conseguir dinheiro para comprar drogas".

Homossexualidade, drogas e jogo do bicho

Envolvidas no mundo das drogas, Nice e Sandra se conheceram e decidiram morar juntas. Construíram uma casa no quintal da mãe de Nice e formavam um casal de lésbicas típico. "Nós éramos fiéis, mas o relacionamento homossexual é muito atribulado. Havia muito ciúme e violência. A Sandra tentou me matar várias vezes", declara Nice. "Em busca de satisfação sexual, as pessoas inventam várias formas que não são naturais e acabam se ferindo fisica e emocionalmente", completa Sandra.

As duas se tornaram sócias de uma banca de jogo do bicho na rua 25 de Março, em São Paulo. "Nós trabalhávamos para o Ivo Noal. Dominávamos o jogo naquela região. Éramos as corretoras do zoológico", ri Nice. Com um box muito grande para a atividade exercida, as duas decidiram sub-locar o espaço. "Ganhamos dois inquilinos: um crente da Igreja Universal do Reino de Deus e outro da Assembléia de Deus, que guardavam mercadorias lá".

O senhor começou a cercá-las. "Nessa mesma época, um rapaz começou a freqüentar o nosso box para vender bolo gelado. Eu ficava fascinada porque o olhar dele resplandecia. Ele me disse que era o brilho de Deus na vida dele, que ele era crente. Eu contei que conhecia a igreja, que sabia alguns hinos e ele começou a me chamar de irmã. Hoje sei que isso foi uma estratégia que Deus deu a ele. Quando ele me chamava de irmã eu me sentia alguém. Eu pensava assim: 'eu sou lésbica, cheiro cocaína, faço jogo do bicho, freqüento boate e um crente me chama de irmã!? Eu sou alguém", emociona-se Nice.

O Senhor também usou um outro crente para ir orar na casa delas e convidá-las para ir à igreja. "Eu fui à igreja umas três ou quatro vezes e o processo de libertação teve início. Eu comecei a ter nojo da vida que levava, de toda aquela situação. Eu queria ter uma vida normal", conta Nice. "Na igreja eu ganhei uma fita com o testemunho do Matos Nascimento e uma frase dele me marcou. Ele dizia: 'Quando eu estava na minha mais profunda solidão, Jesus chegou na minha vida e me socorreu'. Então eu orei: 'Se o Senhor socorreu ele vai me socorrer também'. Eu estava cansada de viver em guerra, com ciúme e brigas. Então, disse para a Sandra que não queria mais. Ela não queria sair da minha casa, não se conformava e tentou me matar. Mas, depois, aceitou e passamos a viver na mesma casa, mas separadas, uma na parte de cima e outra na parte de baixo do sobrado".

Duas lésbicas, um bêbado e muitos milagres

Não demorou muito e Nice conheceu Marcelo, que freqüentava um bar no mesmo shopping aonde as duas tinham um box. Ele era alcoólatra, afastado da igreja, mas conhecia o evangelho e falava de Jesus para elas. Nice e Marcelo começaram a se relacionar e a ir a igreja juntos. "Na primeira vez que fomos à igreja, convidamos a Sandra. Ela saiu do bar e foi só por consideração a nós. Ficou parada na porta, desconfiada", diz Nice.

Sandra revela que ficou muito triste e inconformada depois da separação. "Uma noite, eu me tranquei em casa e disse pra Deus: 'se o Senhor existe, mostra o que está acontecendo na minha vida'. Eu comecei a chorar, adormeci e tive uma visão onde um homem me dizia: 'você vai largar tudo isso e vai me seguir'. Quando ele falou isso, um raio de luz bateu no meu peito e eu senti como se estivesse morrendo, como se algo estivesse se soltando dentro de mim. Eu não sabia, mas Deus estava fazendo uma obra de libertação em mim".

Nice e Marcelo convidaram Sandra para ir ao culto de novo. Nice diz que foi instruída pelo Espírito Santo para falar que era a última vez que a convidaria. "Ela aceitou o convite dizendo que estava indo só porque era a última vez que eu ia convidar", conta Nice. "Naquele dia, quando o pastor começou a pregar, ouvi Jesus falando comigo: 'É isso o que está te faltando'. Na hora do apelo, fui à frente chorando e clamando", conta Sandra, que foi a primeira dos três a se batizar.

Restauração total

Deus mudou o jeito de Sandra, que se vestia e se comportava como homem. Ela voltou para a casa dos pais e os relacionamentos com a família foram restaurados. Nice e Marcelo também se batizaram e se casaram. A filha de Nice, que cresceu numa casa freqüentada por muitos homossexuais e viciados em drogas e sofreu com os ataques das crianças da escola, que riam dela por sua mãe ser casada com outra mulher, hoje também é convertida.

Sandra estuda Teologia no Seminário Betel, é pastora de uma igreja na zona leste e espera no Senhor por aquele que será o seu marido. Nice é diaconisa, ministra louvor e gravou um CD de samba gospel. As duas contam seu testemunho de restauração em igrejas de todo o Brasil. "A igreja tem que estar preparada para receber os homossexuais que buscam restauração. Não dá para ser feliz sendo homossexual, mas nós temos que expressar mais amor. O pastor que nos recebeu não perguntou nada sobre a nossa vida. Eu era completamente masculinizada, mas ninguém me olhou diferente ou zombou de mim. Eles nos receberam com amor e os homossexuais precisam se sentir amados, eles precisam sentir que podem confiar em nós. A restauração é obra de Deus", observa Sandra.

Ex-gay existe sim! Sandra e Nice estão ai para provar isso.

veja também