Missionária evangelizou terroristas que a sequestraram: "Deus traz coisas boas da dor"

Gracia Burnham chegou a perder o seu o marido em uma tentativa de resgate, mas hoje vê que Deus reverteu tudo para o cumprimento de Seus planos.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Quarta-feira, 11 Abril de 2018 as 10:58

Martin (à direita) e Gracia Burnham (esquerda) com terroristas do Abu Sayaff ao fundo. (Foto: Persecution Blog)
Martin (à direita) e Gracia Burnham (esquerda) com terroristas do Abu Sayaff ao fundo. (Foto: Persecution Blog)

Após mais de 15 anos de seu resgate de um sequestro que durou um ano por terroristas islâmicos em uma selva das Filipinas, a missionária do Kansas (EUA), Gracia Burnham, diz que seu tempo de um ano em cativeiro a mostrou o quão incrédula ela era e como ela tinha uma visão limitada dos planos de Deus.

Burnham e seu falecido marido, Martin, serviam à Missão Novas Tribos (agora Ethnos360) quando foram sequestrados e mantidos como reféns pelos militantes do grupo terrorista Abu Sayyaf - braço não-oficial do Estado Islâmico nas Filipinas - em 27 de maio de 2001. O casal de missionários estava com um grupo de 20 outros reféns sequestrados pelo grupo terrorista em uma ação no Palmas Resort, em Palawan.

Depois de 376 dias de cativeiro, Burnham foi libertada em junho de 2002, após uma batalha dos terroristas contra o exército filipino, que resultou na morte de seu marido.

A misssionária e autora de 59 anos descreveu sua experiência em cativeiro com centenas de pessoas reunidas na Conferência de Avanço dos Mártires, realizada na Igreja 'McLean Bible', nos arredores de Washington, D.C.

"Quero lhes agradecer por suas orações. Obrigado por orarem por esse casal amoroso que vocês nunca conheceram antes. Parecia que nosso cativeiro duria para sempre e é assim que um sequestro é, não é?", ela perguntou à multidão. "Houve dias em que nos sentimos como se todos tivessem se esquecido de nós e houve dias em que me senti abandonada".

Burnham disse que a parte mais difícil de seu cativeiro não foi o fato de que seus pés sangravam dolorosamente por causa das longas caminhadas sem meias, nem o fato de que ela foi forçada a dormir à noite com apenas um saco de arroz sujo e velho, enquanto criaturas selvagens rastejavam pelo chão da selva.

"A coisa mais difícil para mim foi me ver pelo que eu realmente era", disse ela. "Quando tudo se foi, o meu eu real veio à tona e eu nem queria acreditar que existia. Eu vi um Gracia odioso. Eu vi um Gracia infiel. Foi chocante".

Em um momento de muito desespero, Burnham disse que clamava por Deus para mudá-la e gritou para perguntar a Deus quanto tempo duraria aquele cativeiro.

"Eu estava tão confusa que nem sabia se Deus poderia me mudar", explicou ela. "Mas Deus pode fazer qualquer coisa, e Ele prometeu nos mudar. Ele disse que nos mudaria tanto que começaríamos a parecer como Jesus. Não é assim que queremos viver?".

Para caracterizar sua transformação radical, Burnham assegurou que Deus pegou "uma refém furiosa e colocou amor em seu coração".

"Deus começou a me mudar. Ele trouxe paz ao coração partido", disse ela. "Ele pode trazer coisas boas da dor. Ele continua nos dando um dia de graça para servi-lo novamente".


Fé em meio à frustração

Uma das partes mais frustrantes do sequestro ocorreu nos dias que antecederam a Páscoa de 2002, quando um resgate foi pago pela libertação, mas os líderes do Abu Sayyaf decidiram pedir com mais dinheiro.

"Eu implorei para eles não fazerem isso. Eu disse: 'Isso não vai dar certo. Estamos cansados ​​disso, vocês estão cansados disso, peguem o dinheiro e nós vamos para casa'. Mas eles eram gananciosos e pediam mais dinheiro”, explicou Burnham. "Você pode imaginar como nos sentimos derrotados naquela noite, quando nos deitamos em nossos sacos de arroz para tentar dormir".

"Quando eu estava adormecendo, Martin meio que me cutucou e disse: 'Gracia, estou tão feliz que quando Jesus pagou um resgate por nós, foi o suficiente", recordou Burnham. "O pagamento de Jesus por nós foi suficiente. Ele satisfez a Deus e não precisamos mais ser sacrificados pelo pecado".

Embora o cativeiro de Burnham tenha durado mais de um ano e tenha resultado na perda de seu amado marido, ela disse à multidão que hoje entende que Deus tinha um propósito não apenas com a detenção deles, mas também com a morte prematura de seu marido.

Burnham disse que pouco eles sabiam que eram capazes de plantar sementes para o Reino de Deus dentro dos corações de alguns dos próprios terroristas que os forçaram a marchar implacavelmente pela selva enquanto tentavam evitar o poder de fogo das forças armadas filipinas.

Agora que vários dos membros de Abu Sayyaf que mantiveram o refém de Burnhams estão agora sentados em uma prisão de segurança máxima em Manilla pelo resto de suas vidas, Burnham diz que ela conseguiu se reconectar com vários deles.

"Deus levantou um casal de ex-militantes nas Filipinas que tem um coração para o ministério. Eu gostaria de ter uma hora para contar a história de como eles ministraram aos mesmos homens que nos mantinham cativos e como eu consegui fazer parte disso", Disse Burnham. "A boa notícia é que até agora quatro ex-Abu Sayyaf conheceram Jesus como seu Salvador".

Após seu discurso, Burnham confirmou ao 'Christian Post' que os quatro membros de Abu Sayyaf que vieram a Cristo eram militantes com quem ela e seu marido haviam marchado na floresta.

"Se eu soubesse, enquanto passávamos pelo nosso difícil ano na selva, que um dia até um desses rapazes conheceria Jesus por causa de nossa experiência, os dias teriam sido mais fáceis de suportar", disse Burnham. "Eu posso me chutar agora e dizer: 'Não teria sido suficiente confiar no bom Deus com os dias da minha vida?".

Burnham desafiou as pessoas que a ouviam naquele evento a acreditarem que Deus coloca as pessoas em duras provações não para "esmagá-las", mas para as usarem para "fazer um bom trabalho".

"É sempre bom porque é bom para Deus. Fui encorajada pelo fato que não pode haver colheita sem quem plante as sementes", afirmou Burnham. "Talvez plantar sementes não seja sempre divertido. Ouvimos algumas histórias [hoje] de plantio de sementes bem duros. Talvez plantar sementes para você seja desconfortável e você não veja nenhum fruto do seu trabalho. Você pode se perguntar por que foi chamado para plantar sementes, se você nem se acha bom nisso. Mas de repente você vê o que Deus está fazendo".

"Eu me lembrei que a semente que plantamos na floresta não foi desperdiçada. Outros estão colhendo o que plantamos há muito tempo. Deus é Todo-Poderoso e Ele pode fazer qualquer coisa", acrescentou ela. "Deus pode usar qualquer coisa. Eu realmente acredito nisso. Talvez o tempo de nosso cativeiro ... e a morte de Martin tenham sido necessários para trabalhar nos corações dos terroristas do Abu Sayyaf".

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