Nunca é tarde demais! - Resgatando a autoridade da Palavra de Deus em nossos casamentos

Nunca é tarde demais! - Resgatando a autoridade da Palavra de Deus em nossos casamentos

Atualizado: Quinta-feira, 5 Novembro de 2009 as 12

Costumamos ter uma visão míope quando o assunto é divórcio. Focamos, exclusivamente, nos papéis legais, ou então, nas próximas possibilidades como um novo casamento. Mas isso é somente a ponta do iceberg. Uma separação é apenas sintoma de uma outra doença cardíaca mais séria: a dureza. E essa dureza pode ser tanto da parte de quem está se divorciando contra a vontade, quanto de quem está propondo a separação. Se nenhuma das partes tivesse coração duro, o divórcio não ocorreria. Se os maridos seguissem a exortação bíblica de amar e cuidar de suas esposas, e se estas, por sua vez também valorizassem e honrassem seus maridos, o divórcio acabaria se tornando obsoleto. Jesus, no Novo Testamento, falou explicitamente sobre esse assunto. Em Mateus 19.8,9 Ele diz: "Respondeu-lhes Jesus: "Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém, vos digo: Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações ilícitas, e casar com outra, comete adultério (e o que casar com a repudiada comete adultério)". Em nosso desejo de nos realizarmos em nossos relacionamentos acabamos dando ênfase a tópicos errados: focamos resultado quando deveríamos olhar para contribuição.

Buscamos nossos próprios interesses, quando deveríamos ir atrás de maneiras criativas para suprir as necessidades do outro.

O Novo Testamento é um registro de amor, reconciliação e perdão. Não há como lê-lo sem notar as recomendações de Cristo para que perdoemos e nos reconciliemos com o nosso próximo. E não faz qualquer diferença se nosso próximo mora na esquina de baixo ou sob o mesmo teto que nós.

As instruções de Jesus dirigem-se a todos os tipos de relacionamento. Não dá para compreender como alguém que diz seguir a Jesus pode manter, ao mesmo tempo, um coração endurecido em relação a seu cônjuge. É uma grande incoerência!

Crise nos aconselhamentos

Estou convencido de que grande parte da responsabilidade de um divórcio recai sobre os conselheiros que trabalham com casais em crise. Mesmo entre os cristãos há muitos que deixam de dizer o que deve ser dito, em nome de uma suposta ética. Muitos ensinam que, se simplesmente pedirmos perdão a Deus pelos erros cometidos no casamento  estaremos prontos para novas bodas. Tem havido muita superficialidade e até leviandade, em muitos aconselhamentos conjugais. E essa postura parece incoerente com o ensinamento cristão no que diz respeito a outros tipos de pecado. As pessoas costumam ser rápidas para citar versículos bíblicos que condenam outros tipos de erro, como roubo, homossexualidade e assim por diante. São enfáticos ao mostrar a necessidade de se abandonar a prática da velha natureza e em se traçar um novo curso, como prova de uma genuína conversão.

No entanto, muitas vezes, as mesmas pessoas que fazem questão de ser inflexíveis no que tange a arrependimento e mudança de comportamento nessas outras áreas, se colocam muito maleáveis com as mesmas passagens no que diz respeito a divórcio e novo casamento.

Há uma grande e inaceitável incoerência. A mesma pessoa que diz a um pecador que ele deve permitir que Deus amoleça seu coração e o mude, vira-se para outros e diz que a dureza de seus corações pode permanecer!

Dificuldade para perdoar

Quando os cônjuges que estão se divorciando admitem estar errados, expressam a necessidade de perdão, mas se recusam a tentar resgatar seu casamento, coloco em dúvida que tenha havido um real arrependimento. Será que ocorreu entre eles uma verdadeira metanóia que é a palavra grega para indicar meia volta e uma trajetória para o lado oposto de onde se estava originalmente  indo?

Arrependimento implica em tristeza pelos erros, mas também em nova tentativa. É o famoso "fazer o bolo e comê-lo". Não é só contrição, mas também ação.

Não dá para termos dois pesos e duas medidas ao se lidar com o pecado. Se conclamamos os pecadores a se arrependerem e a mudar de rumo devemos igualmente, orientá-los a andar uma milha além, a fazer novas tentativas na manutenção do casamento. A situação, em suma, é a seguinte: se alguém que está com o casamento em crise, se dispõe a pedir perdão e a solicitar uma nova chance, o cônjuge solicitado peca se não a conceder. Quando Pedro perguntou a Jesus quantas vezes deveria perdoar, a resposta significou infinitas vezes! Por que, então, abrandamos o ensino de Cristo no que diz respeito ao divórcio? Sabemos que existem situações como adultério, abandono e outros tipos de circunstâncias avassaladoras cuja solução viável é realmente o divórcio (mas mesmo para essas situações há possibilidade de reconciliação se houver misericórdia e graça entre o casal!). A grande fatia dos divórcios, porém, ocorre devido à dureza de coração de um, ou de ambos os cônjuges. "Incompatibilidade de gênios" é a desculpa para inúmeras separações.

Estamos  no tempo do "eu". Minhas necessidades devem ser supridas a qualquer preço, doa a quem doer!

Mas o amor, no sentido bíblico, não é centrado no "eu", mas no outro. É a atitude de colocar os interesses do cônjuge e seu bem-estar em primeiro lugar, mesmo com os sentimentos românticos em baixa.

O aconselhamento profundo precisa ser restaurado para que os cônjuges a percebam que será mais proveitoso restaurar um relacionamento conhecido do que iniciar outro, desconhecido. Estou chamando os orientadores a ouvirem o "Maravilhoso Conselheiro".

Os conselheiros, antes de incentivar o divórcio e um novo casamento, deveriam pensar em salvar o casamento ajudando os cônjuges a tratar seus problemas com amor e honestidade.

Resgatando a autoridade da palavra de Cristo

Se você, seus pais ou algum casal amigo estiver atravessando alguma crise conjugal, saiba que meu coração se solidariza com o seu. Já atravessei pela dor de um casamento em ruínas e descobri que existe somente uma porta de saída para esse problema: a palavra do Maravilhoso Conselheiro. Ele, também, poderá falar diretamente com você, ou através de outros homens e mulheres piedosos. Você pode ter várias horas de aconselhamento, ou passar pela agonia de um auto-exame. Serão horas de confissão e levará um tempo até que o processo do perdão se cumpra em sua vida. Seu orgulho, seu próprio eu terá de morrer em prol de seu casamento. Mas, sem dúvida será compensador para você, seu cônjuge e seus filhos, se seus corações se derreterem, pois somente depois da morte pode ocorrer a ressurreição.

Escrito por: William Kinnaird  - professor e escritor. Mora em Atlanda, na Georgia. Seu mais recente livro publicado é: "A alegria vem pela manhã",  Ed. Word

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