A banda Sacrifício Vivo conta detalhes sobre seu primeiro CD

A banda Sacrifício Vivo conta detalhes sobre seu primeiro CD

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:26

O Sacrifício Vivo é uma banda da Baixada Santista, que além do amor por Deus e pela música, traz um forte apelo por missões e serviço social. 

Nesta entrevista exclusiva, dois integrantes do ministério (Emerson – violões e Helder – teclado/voz) falam sobre o lançamento do CD Dependência, que tem sido divulgado no cenário independente cristão. 

Confira abaixo nossa entrevista exclusiva: 

Supergospel – Como surgiu o Sacrifício Vivo? 

O ministério surgiu em meados de 2002, de maneira bem informal e natural: o Rodrigo (atualmente pastor na Inglaterra) reunia alguns amigos de igrejas diferentes, para tocar ocasionalmente em pequenas congregações e eventos da cidade. Inicialmente não havia intenção de iniciar uma banda ou algo assim. Mas foram surgindo oportunidades, as idéias foram surgindo, e então permanecemos. 

O primeiro evento externo que tocamos foi uma “Praça Missionária”, e todos sempre tiveram o coração voltado para missões. Depois disto começamos a participar de eventos em albergues, casas de recuperação de dependentes químicos, e até mesmo na antiga FEBEM (atual Fundação Casa), além de pequenas igrejas e congregações. E assim tudo começou pela graça de Deus... 

Supergospel – Como foi o processo de produção do primeiro CD do grupo – Dependência? 

Desde 2003 nós tocávamos músicas próprias nos lugares aonde íamos, e algumas destas canções se tornaram queridas de algumas igrejas da Baixada Santista (especialmente as músicas “Arrependimento”, “Dependência” e “Muito Mais Além”). Porém, era claro para nós que não era o momento de gravar um CD. Alguns anos depois (por volta de 2008) começamos a pensar mais seriamente sobre o assunto. 

As coisas foram acontecendo naturalmente, o Senhor foi colocando pessoas diante de nós, e quando percebemos, já estávamos em estúdio. Como todos os integrantes trabalham secularmente, sendo que dois moram em outra cidade (Rio de Janeiro) a produção foi um pouco longa – levou cerca de 1 ano, ou um pouco mais. Mas acreditamos que sempre vale a pena deixar as coisas acontecerem no tempo do Senhor. 

Supergospel – Como foi o processo de escolha do repertório do disco? 

A mensagem central do CD já estava definida antes de termos as músicas: seria sobre o crescimento cristão rumo à maturidade, dependermos do Senhor em tudo, e não fazermos nada sem Ele. Além disso, a escolha do repertório se baseou em duas premissas importantes: 1) queríamos gravar apenas canções autorais, nossas ou de pessoas próximas; 2) o repertório seria escolhido de maneira colaborativa. Cada integrante trouxe músicas de autoria sua ou de irmãos de suas igrejas, e assim reunimos cerca de 40 canções. 

Tirando as músicas que não se encaixaram muito na temática pré-definida, ficamos com 28 canções. Fizemos uma gravação caseira destas 28, e demos para os integrantes e algumas pessoas próximas ouvirem por algumas semanas. Cada um indicou as suas canções preferidas e, compilando tudo, ficamos com 14 canções. Em uma última reunião, reduzimos de 14 para 11 hinos – e essa foi a lista final. Apenas uma música foi incluída no disco sem passar por todo esse processo, que foi “Nas Garras da Graça”, escolhida já no estúdio, por ter tudo a ver com a temática do projeto. 

O álbum traz participações, como por exemplo, Lucas Souza, Stênio Marcius e Sérgio Pereira (do “Baixo & Voz”). Como foi compartilhar experiências com eles? 

Foi uma experiência muito positiva. É um grande prazer compartilhar de talentos musicais como estes. Temos ouvido das pessoas que as participações “caíram como uma luva” nas músicas escolhidas. A intenção também foi mostrar que é possível ter unidade na diversidade, por exemplo, unindo músicas de conteúdo evangelístico, mais “pop” (como é o caso da “Coragem”, que tem a participação do Lucas), com músicas de reflexão inspirativa, puxando mais pra MPB (como é o caso de “Maiores Mandamentos”, que tem a participação do Stênio e do Sérgio). Isso tudo sem perder a essência, a coerência bíblica e a estética musical. 

Em que consiste a sonoridade da banda? Qual a vertente? Quais os estilos? 

É complicado (risos). Algumas pessoas classificam o CD como “adoração congregacional”, mas logo percebem que também temos canções pop-rock (com solos de guitarra e tudo o mais) e MPB (com vaso, caxixi, ganzá, etc). Alguns dizem que algumas músicas lembram o antigo VPC (o que pra nós é uma grande honra). Como o principal trabalho do grupo sempre foi com pequenas igrejas e em locais onde vivem pessoas marginalizadas e excluídas da sociedade, isso nos levou a tocar bastante “música de igreja”. Então, é possível que nossa sonoridade seja de louvor congregacional. 

Mas também gostamos de outros estilos, como Rock e MPB, e por isso acabamos utilizando alguns elementos destes estilos nas canções. Mas nos preocupamos principalmente com as letras daquilo que cantamos, e acreditamos que isso seja mais importante do que o estilo em si. A Igreja precisa refletir mais sobre as letras das canções que têm sido cantadas. 

Supergospel – Como tem sido a repercussão do trabalho de vocês 

A receptividade do trabalho tem sido excelente, considerando o fato se sermos um grupo independente e alternativo. Colocamos 5 das 12 músicas para download gratuito na internet, e isso tem sido muito positivo para as pessoas conhecerem o projeto. Porém, mais do que downloads, vendas, etc, o mais gratificante são os testemunhos recebidos e os compromissos honrados. 

Por exemplo, nós nos comprometemos a destinar parte da renda do álbum para um projeto missionário, e recentemente conseguimos para fazer o primeiro repasse. Quando fizemos isso, aquele líder nos disse que estava em oração, pedindo pela intervenção de Deus, pois ele não tinha alimentos para oferecer para as crianças do projeto. O Senhor nos usou, aliás, usou a todos os que nos apoiaram, compraram o CD, intercederam, etc. 

Outro exemplo foi o de uma moça que estava trabalhando em uma loja evangélica montada dentro de uma feira cristã. Incrivelmente, apesar do local onde se encontrava, ela não caminhava com o Senhor. Algum irmão levou o nosso disco para aquela loja, e o responsável concordou em tocá-lo (o que é curioso, pois esta loja não vende o nosso CD). Enquanto tocava a música “Arrependimento” essa moça se entregou ao Senhor. Havia um pastor próximo, que a acolheu e deu as primeiras instruções. Histórias como estas já valeram todo o nosso esforço. 

Supergospel – Como é o relacionamento de vocês com as outras bandas do cenário independente e alternativo? 

Temos conhecido irmãos muito especiais nesta caminhada, e temos ótima relação com todos eles. Destacamos o Stênio Marcius, um irmão com um grande talento, canções maravilhosas e coração para o Senhor. O Eduardo Mano também é um grande amigo, que tem um talento incrível para escrever canções inspiradas pelo Pai; é um grande parceiro, que inclusive participou conosco da Conferência Missionária que realizamos no início de 2011. 

O Lucas Souza também é um irmão querido, que participou do CD e também da nossa Conferência, junto com o Mano. Temos também bastante carinho e apreço também pelo Diego Marins (banda “Interlúdio”), pelo pessoal do grupo “Grãos da Terra” e por toda a galera da MPB Cristã. 

Supergospel – Musicalmente falando, o que influenciou vocês e o que vocês têm ouvido hoje em dia? 

A influência musical é bastante variada e cada integrante da banda tem suas preferências, que incluem Soul, R&B, Rock, MPB, Bossa, dentre outros. Mas, coletivamente falando, diria que nossa influência musical hoje inclui principalmente a música congregacional (Asaph Borba, Adhemar de Campos, Koynonia, Daniel Souza, Beto Tavares, Stuart Townend, Casting Crowns, Vineyard, etc) e a MPB Cristã (Stênio Marcius, João Alexandre, Gladir Cabral, Gerson Borges, etc). 

Supergospel – Em relação a música gospel que existe no mercado hoje, vocês curtem algum ministério? 

Não podemos generalizar, mas temos a impressão de que antigamente, no geral, a coisa toda era mais sincera e pura. Hoje em dia alguns buscam só notoriedade mesmo. E outros, sem perceber, se afastam das doutrinas essenciais do evangelho. Temos músicas cada vez mais centradas no homem, e não em Deus, e algumas vezes temos até indícios de “um outro evangelho”. Quase nunca é intencional. Talvez isso seja conseqüência da ausência de boas referências teológicas, de boas literaturas e de um bom ensino em muitas igrejas. 

Mas graças a Deus que há muitos que não se encaixam nesse contexto. E, dentro da “música gospel de mercado”, destacamos o bom trabalho do pessoal do Resgate, Leonardo Gonçalves, Palavrantiga e Vineyard Music, dentre outros, mostrando que é possível sim estar no mainstream e fazer música de qualidade com comprometimento com a Palavra. 

A propósito, o pessoal da Vineyard tem feito um excelente trabalho no tocante a música congregacional, tendo se tornado uma das principais referências nesta área atualmente. Uma queixa muito comum que ouvimos de alguns pastores de igrejas sérias, é que há muita dificuldade de encontrar músicas teologicamente cantáveis para a congregação. Aí entra o importante trabalho da Vineyard, que disponibiliza canções congregacionais acessíveis para a maioria das igrejas, muitas vezes traduzidas, é verdade, mas contendo verdades bíblicas e fugindo dos ventos de doutrina. Essas igrejas também têm recorrido aos hinos e às músicas antigas que já passaram no teste do tempo, como as do Koynonia, Asaph, Adhemar, etc. Vemos isso como um movimento de “retorno ao início de tudo”, e nos sentimos honrados de também fazermos parte disto, mesmo que de forma mais limitada por sermos uma banda independente. 

Supergospel – Individualmente, como músicos, vocês participam do grupo da igreja local? 

Sim. Os integrantes da banda são membros de três igrejas diferentes: Batista, Presbiteriana Independente (IPI) e Capela do Calvário (Calvary Chapel). Todos são ativos em suas igrejas locais na área do louvor, e alguns também se aventuram em outros ministérios, como escola bíblica, crianças, etc. Acreditamos que o vínculo com uma igreja local é essencial, pois é lá que o crescimento acontece, os dons são aperfeiçoados, e pessoas são usadas por Deus em sua comunidade. 

Supergospel – E como banda? Existe alguma diferença entre tocar na igreja ou fora dela 

O que difere é o local (em termos de estrutura) e a expectativa do público. Tocar numa igreja é uma coisa: as pessoas foram porque quiseram, e com um propósito. Tocar numa “Praça Missionária” ao ar livre é outra coisa: as pessoas estão de passagem, e precisam ser “atraídas” ao evento (e a música pode ser um elemento de “atração”). 

Agora, tocar na Fundação Casa (antiga FEBEM) é outra coisa: temos de levar toda a aparelhagem de som. O “público” serão os internos, que não necessariamente estavam ali por vontade própria. A expectativa sempre é de encontrar vários “desviados” (o que de fato acontece). Tem de haver um momento de ministração individual, de oração, de ouvir mais do que falar. E se possível deve haver um momento onde eles possam escolher qualquer canção que queiram, e a gente simplesmente toca. Acreditamos que ministério também é saber se adaptar e se adequar às mais variadas situações, por amor às pessoas. 

Supergospel – Qual a opinião de vocês em relação ao mercado de pirataria de CDs e download ilegal de músicas? 

O compartilhamento ilimitado, irrestrito e não-regulamentado de conteúdo alheio prejudica a todos. Mas acreditamos que isso faz parte de um “todo” bem maior do que a pirataria em si. Não podemos ignorar que o mercado fonográfico está se modificando e novas possibilidades estão surgindo. Não sabemos como vai terminar, mas podemos dizer que já começou e é irreversível. Combater o chamado “download ilegal” da forma que está sendo feito não adianta muita coisa; é necessário prover mecanismos para legalização de downloads e comercialização de música digital. 

O que ocorre é que a maioria das bandas, artistas e gravadoras está despreparada para o que há de vir, seja o que for que venha. Muitos selos estão investindo pesadamente no “religioso” e no “sertanejo”, por acreditarem que estes segmentos sobreviverão mais tempo à mutação da indústria. Mas a verdade é que isso não resolve o problema, apenas o adia. 

Uma pesquisa mundial recente mostra que até o ano de 2014, pela primeira vez na história, a venda de música em formato digital será maior que a venda de música em formato físico. A música digital já é uma realidade, e não é difícil imaginar que, a médio/longo prazo, os CD’s na forma que conhecemos hoje talvez sejam feitos somente sob encomenda – pois o formato “padrão” será o digital. 

Outras indústrias e mercados já passaram por transformações parecidas antes, e talvez fosse o caso de tentar aprender com o passado. Por exemplo, no mercado de inseticidas de algumas décadas atrás, empresas que insistiram em fabricar produtos domésticos à base de querosene simplesmente faliram – pois ignoraram a nova possibilidade de fabricar os mesmos produtos à base de água. Isto é apenas um de muitos exemplos, e, guardadas as devidas proporções, acreditamos que é algo parecido que acontece hoje na música. 

Neste contexto, parece um pouco exagerado o “contra-ataque” dos grandes players contra o chamado “download ilegal”, primeiro porque é inútil, segundo porque a culpa não é apenas de quem baixa, mas também (e principalmente) de quem não teve interesse de propiciar meios para que se baixasse legalmente. 

A cada dia vemos crescer o uso de meios eletrônicos, como o Twitter, o MySpace, Orkut, Youtube, entre outros, para divulgação do trabalho. O que vocês acham dessas novas opções de mídia? 

Dentro do contexto do que falávamos anteriormente, estas ferramentas são essenciais para divulgação dos trabalhos independentes e alternativos, e a tendência é de que elas sejam cada vez mais úteis para as bandas e ministérios. 

Para encerrar, quais são os seus projetos para este final 2011 e 2012? 

Vamos prosseguir na divulgação do CD “Dependência”, e estamos orando sobre a realização de uma 2ª Conferência Missionária em 2012, a exemplo do que fizemos este ano. Quem sabe possa se tornar uma conferência anual com foco em missões. Achamos que esta é uma área na qual a igreja como um todo precisa crescer mais, inclusive os ministérios de louvor. Estamos estudando a melhor maneira de estruturar isto, e esperamos ter mais informações em breve! 

Contatos  Site/blog: www.sacrificiovivo.com  Download Gratuito: www.noisetrade.com/sacrificiovivo  Email: [email protected]  Twitter: @sacrificiovivo  Facebook: www.facebook.com/sacrificiovivobr 

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