A Glamourização da Simplicidade ou Exemplo para os Pop Stars Gospel

A Glamourização da Simplicidade ou Exemplo para os Pop Stars Gospel

Atualizado: Terça-feira, 17 Maio de 2011 as 10:34

Dias atrás tive a excelente oportunidade de participar do programa de TV “Sexta Básica” que é transmitido diretamente da Igreja Batista da Lagoinha através da Rede Super, emissora atualmente dirigida pelo multitalentoso Alex Passos, em minha humilde opinião, o mais criativo e competente profissional de TV do circuito gospel tupiniquim.

Juntamente comigo, no programa-evento estavam presentes o jovem empreendedor André Câmara, executivo da Rede Boas Novas de Comunicação, Zé Bruno, vocal leader da Banda Resgate e o cantor Asaph Borba.

Minha participação restringiu-se a responder a perguntas de alguns postulantes a artistas de música gospel, gente que ainda está no início da caminhada artística e que tinham suas dúvidas sobre como alcançar seus objetivos que em quase todas as vezes resume-se a fazer parte do cast de uma gravadora.

Mas este texto não vai descrever e nem mesmo comentar sobre minha participação. Se você tiver alguma dúvida de como foi esta experiência basta fazer uma pesquisa no You Tube para conferir as imagens daquela noite. O que gostaria de comentar aqui aos nossos 22 leitores (Sim! Conseguimos cooptar e reconhecer mais um assíduo leitor de nosso blog! Rumo aos 23!) foi a experiência mais agradável que tive ao literalmente poder assistir de camarote a dois momentos que marcaram a minha vida naquela noite.

O programa começou e já nos primeiros minutos, Zé Bruno foi convidado a assumir o palco para cantar junto com Marcelo, Jorge Bparticiruno e Hamilton, os sucessos da Banda Resgate. Neste ano a Banda completa 22 anos de carreira. São 22 anos com a mesma formação (fato raríssimo nesse meio!) e depois de alguns anos levando o projeto musical como um apêndice de suas carreiras ministeriais, a Banda Resgate volta à carga total após sua contratação pela Sony Music e os novos projetos ministeriais sob uma nova visão.

A montagem dos instrumentos foi rápida, mas cada músico ficou ali cuidando de seu próprio setup. Nada de técnicos, roadies, assistentes... tudo naquele clima de garage band, cada um por si correndo para montar sua parafernália no menor tempo possível. Zé Bruno enfileirou ao seu lado os seus instrumentos, 2 ou 3 guitarras, tudo bem à mão para ser facilmente acessado.

Já nos primeiros acordes, a platéia que completava quase 2/3 do templo foi ao delírio acompanhando as canções do último trabalho da Banda, o antológico CD “Ainda Não é o Último” lançado no ano passado pela Sony Music. A cada canção, Zé Bruno ia contando algumas histórias do Resgate e fazendo referências sobre as canções que estariam interpretando. O clima foi ótimo! A performance da Banda excelente! Mas o que mais me impressionou foi a leveza com que eles estavam levando suas vidas! Nada de impostação, nada de discurso pronto! Nada de imagem fabricada! O que eu via ali eram quatro pastores. Quatro músicos competentes, todos já meio “tiozões”, mas que estavam curtindo aquela oportunidade como se fossem adolescentes começando a pegar a estrada.

Aquela semana havia sido marcante para eles. Por uma semana estiveram na Grande BH para atender a uma série de convites de igrejas e eventos. Por uma semana fizeram todas as programações de mídia, promoção e apresentações. Quando conversei com Jorge Bruno antes da apresentação na IBL, com um sorriso enorme ele me disse que jamais haviam trabalhado tanto em 22 anos de carreira, concedido tantas entrevistas, enfim, tiveram naqueles dias uma rotina super cansativa, mas ao mesmo tempo tão prazerosa!

Em meio a tantos pop stars que sequer tiraram as fraldas no nosso meio gospel, tão cheios de si, que do dia para a noite são picados pela mosca “Divas at Maximus” e transformam-se em pessoas inacessíveis rodeadas por assessores e staffs, ver a simplicidade e seriedade com que esses ícones do pop rock gospel nacional voltaram à ativa me dá um alento de que nem tudo está mesmo perdido!

E a noite realmente foi especial! Depois de relembrar e cantar com a Banda Resgate, Alex Passos convidou o pastor-músico e agora jornalista (prestes a se formar) Asaph Borba para apresentar uma matéria produzida por ele sobre o trabalho evangélico nos países muçulmanos. A matéria seguiu mostrando a dificuldade do trabalho cristão nestes países, a cultura e os projetos que estão sendo implementados com o apoio do próprio Asaph Borba.

O Asaph Borba é alguém que tenho o prazer de conhecer bem de perto há pelo menos uns 20 anos. Trabalhamos diretamente nos Congressos Vinde, onde eu cuidava da editora e de outros projetos e ele ministrava os louvores. Naquela época nem imaginava que um dia trabalharia com música, mas já me encantava com as canções, o jeito simples e a seriedade com que Asaph lidava com seu ministério.

O que me impressiona na figura do Asaph é sua visão de Reino. É seu comprometimento com o Evangelho de Cristo e de sua missão pessoal. Sem dúvida, Asaph não é uma virtuose musical! Suas canções falam do amor, da fé, do compromisso com Deus, da relação de intimidade com o Pai. Não há espaço para novas teologias, chavões e ‘invenções’! Suas canções falam do relacionamento homem e Deus e não precisam de mais nada! Tratando-se de um artista, Asaph pode ser considerado alguém mediano. Não tem uma voz potente! Não toca absurdamente um instrumento! Não é nenhum jovem galã! E ao mesmo tempo é a referência nacional em se tratando de louvor e adoração no Brasil.

O que me emocionou neste programa foi poder ver como Asaph ainda fala com paixão sobre as pessoas! Como ele ainda continua vibrando pela oportunidade de viajar ao Oriente Médio para cantar e ministrar para um enorme grupo de 200 pessoas! O que me emociona é ver que sua vida continua a mesma! Sua esposa Rosana o acompanhando no máximo de eventos e viagens possíveis! Sua família sempre sendo prioridade no seu dia a dia! Isso é simplesmente fantástico! Como um homem que tem toda essa trajetória de sucesso e reconhecimento continua colocando a mão na massa sem esboçar a mínima vontade de parar e descansar!

Esta noite em BH, no templo da Igreja Batista da Lagoinha foi marcante para mim! Tive a oportunidade de assistir a poucos metros de distância, 2 representantes da música gospel nacional, cada qual no seu estilo, cada qual com uma trajetória bastante distinta, mas que hoje encaram o ministério pastoral e suas carreiras artísticas de uma forma bastante intensa e empolgante!

Se a minha participação naquele evento fosse após as apresentações da Banda Resgate e de Asaph Borba, sinceramente me recusaria a responder às perguntas. Acho que repassaria o microfone para Asaph e Zé Bruno para que eles contassem sobre o que foram esses anos pregando a Palavra pelo Brasil e o mundo. Vendo a simplicidade e o entusiasmo com que eles cantam e pregam após décadas de estrada, efetivamente me sinto menor perante à grandeza daquelas figuras. Que os postulantes a pop stars do mundinho gospel reconheçam os valores dos desbravadores da música gospel e que aprendam com seus exemplos. Quando vejo artistas brigando por mais espaço na mídia, ‘levitas’ detonando suas gravadoras e colegas de profissão nas redes sociais por mero ciúme ou ainda, com ‘ministros’ quebrando tudo por causa de dinheiro, imagem, posição, dinheiro, dinheiro, dinheiro e mais dinheiro … aí realmente me dou conta de que pre cisamos repensar posições e atitudes urgentemente.

Agradeço ao Alex Passos por ter me proporcionado uma noite tão intensa e agradável. Ao fim do culto-programa-evento, a Banda Resgate e Asaph Borba recolheram eles próprios seus instrumentos e equipamentos, atenderam ao público para fotos e conversas e no fim, seguiram para a cantina da IBL para comer uma pizza no meio do povão! Nada mais sofisticado e glamouroso, não?

Por Mauricio Soares - jornalista, consultor de marketing, publicitário e diretor executivo da Sony Music Gospel no Brasil.

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