Análise: CD "Duetos - Novo Tempo vol. 3"

Análise: CD "Duetos - Novo Tempo vol. 3"

Atualizado: Sexta-feira, 29 Abril de 2011 as 11:33

Já está à venda o CD Duetos Novo Tempo vol. 3 e trouxe o que já era esperado. Mas foi além! Para você que achava que o CD seria um remake com novos arranjos e vocais, surpresa! O arranjo não é igual, é o mesmo. Pois é, simplesmente chamaram a galera, botaram o playback e cantaram. Simples assim. Por isso vi comentários de que a Príscilla estava no back-vocal deste CD. Claro, ela gravou para o dela. Só se deram ao trabalho de mudar a ordem das músicas e fazer uma capa bonitinha. Mas até aí já era de se esperar, mas o pior ainda estava por vir. Quando comecei a ouvir o álbum já bateu aquele sentimento de quem conheceu o trabalho original gravado por Príscilla: estragaram tudo! Mas me libertei desse sentimento e resolvi ouvir como se fosse novidade.

Após o prelúdio, entra Joyce Carnassale e Felipe Valente com "Pra Sempre". Nos solos os dois se dão bem, até porque o timbre de Joyce é parecido com o de Príscilla e Felipe consegue cantar num tom mais alto, já de costume. Mas o dueto ficou estranho, a harmonia não colou e o back não ajudou. A ponte foi um desastre, perdeu toda a potência que exige. Mas Joyce conseguiu dar o máximo de si, dando potência no côro e ficou menos ruim. "Inexplicável" entra com Ronaldo Fagundes e Riane Junqueira. Gostei da idéia de colocar Ronaldo no solo do começo, o baixo dele deu muito certo. No primeiro côro Riane sofre pra fazer a harmonia contralto pra Ronaldo na melodia. Solo normal de Riane. No segundo côro ela entra na melodia e Ronaldo na harmonia, e a coisa anda legalzinha, fica interessante. "Quero Ser o Seu Deus" com Laura Morena e Jairo Souza, começa bem com o barítono de Jairo. Em seguida solo de Laura. O dueto ficou bom. Nada demais. "É Tudo que Eu Sei" entra com Jônatas Ferreira e Jéferson Pillar, a novidade da gravadora pra esse ano. Ele sofreu um pouco, pois a melodia ficou bem alta no primeiro côro. Agora quem não reconheci a voz foi de Jonatas Ferreira! Uma voz diferente, sem o timbre característico dele. Mais rouco, menos potente. Sei lá, estranhei. O dueto ficou normal, sem nada demais também. "Não Desisti" com Rafaela Pinho e Marlon Miranda, para mim, foi um dueto errado. Essa música precisava da potência que Rafaela não tem na melodia. A música é forte, precisava de voz forte, tipo a Laura (péssimamente usada na outra música). Marlon se deu bem, pois seu timbre deu certo com o tom, o que salvou a música da perda total. "Descansar e Seguir" com Daniel Lüdtke e Iveline, me deu dó da Iveline! Colocaram a moça pra fazer praticamente baixo na música, principalmente no solo, afinal o contraltão de Príscilla foi pesado nessa música. Percebe-se nitidamente as mudanças bruscas de tom que Iveline tem que fazer pra conseguir terminar a música com honra. Demorei a perceber que era ela. Daniel se deu bem, mas o dueto não ficou legal. Forçaram demais. "Quando o Sol Chegar" com Melissa Barcelos e Ana Beatriz, faltou alguma coisa. Melissa deu tudo que tinha e Ana abusou do grave, mas ainda não conseguiram dar o brilho necessário à música. Eu entendo que deve ser difícil ter que se virar pra cantar num tom que não é o seu. O dueto ficou normal, sem grande surpresa. "Outra Vez" com Fernando Iglesias e Gabriel Iglesias ficou interessante por causa do pai e filho. Uma jogada estratégica pra ficar "bonitinho". Fernando ficou confortável vocalmente e Gabriel entrou na harmonia com o papai. O solo de Gabriel não teve grande novidade, e nem a música permitia. Ficou bom, por terem mantido a melancolia que a música exije. "Viver pra Te Adorar" com Tatiana Costa e Vagner Dida ficou normal. Claro que perdeu toda potência que tinha antes, afinal o timbre dos dois não permite. Dida sofreu um pouco para alcançar notas altas de seu solo e em algumas partes desce bruscamente. O dueto ficou bom, sem grande novidade. E fechando o álbum, entra Fernanda Lara e Társis Iraídes com "Bem-Aventurado", a mais ritmada. Percebe-se nitidamente que Fernanda está um peixinho fora d'água, até porque esse não é seu estilo musical e nem vocal. Társis perde o brilho na música, seu solo ficou forçado. O dueto ficou fraco, principalmente pelo back vocal pesado que essa música tem. No mínimo, deveriam ter regravado o back e diminuido o volume.

Enfim, infelizmente é o que era esperado. Péssima combinação vocal. Se queriam aproveitar as músicas, poderiam pelo menos ter feito algo mais planejado e estudado. Comparações são inevitáveis, visto que o álbum de Príscilla repercutiu bem e quem conheceu vai levar em conta a qualidade. Olhando por outro ângulo, penso no que se passa na cabeça de Príscilla com tudo isso. Claro, muitos dirão que foi ela quem escolheu e tal, mas qual é nosso papel como cristãos? Você já se perguntou? Sinceramente, achei a idéia infeliz. Foi meio que um álbum tapa-buraco, sabe? Às vezes me pergunto também o porquê dessas panelinhas. Sempre em trabalhos conjuntos assim, estão as mesmas pessoas. Por que não colocam gente diferente, timbres diferentes, novas caras? Tanta gente boa, como Robson Fonseca, Damaris Reimann, Art'Trio, Adjane Firme, Carine Luup, Etiene, e tantos outros talentos por aí que quase nem existem em produções como essa. As pessoas querem novidade. Querem inovação.

Está aí, espero que abençõe, transforme vidas e que Deus seja honrado, apesar de nossas imperfeições. Fique DeOlhO!

Marcelo Silva

Marcelo Silva , 20 anos, é universitário, blogueiro, apaixonado por música em todas suas formas. Membro da Igreja Adventista do 7º Dia, sempre foi ligado à música, participando de grupos musicais e solos. Lider jovem, atualmente se prepara para o ministério solo. Dono do blog www.deolhoadventista.blogspot.com , que conquistou pessoas ligadas à musica gospel/adventista por suas críticas e reflexões entre música e cristianismo.

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