Aproveitando melhor os ensaios

Aproveitando melhor os ensaios

Atualizado: Sexta-feira, 20 Maio de 2011 as 10:06

Hoje, quero falar sobre um assunto de grande valor para aqueles que fazem parte do grupo de louvor: “Aproveitamento de ensaios”

Antes de começar a me entreter no assunto, gostaria de fazer uma pergunta:

  * Você por um acaso já entrou alegre em um ensaio e saiu triste?

  * Você Já passou horas em um ensaio e quando terminou teve a impressão que você não cresceu em nada?

  * Você já teve que fazer uma oração forte para que a dor de cabeça sumisse depois que você ensaiou por causa do barulho insuportável?

  * Você já teve que liberar perdão para todo o grupo de louvor porque você se estressou?

  * Você está ensaiando exatamente dois anos e meio para pegar aquela música que tem aquele acorde que mais parece uma aranha caranguejeira que você tenta formar e não consegue?

  * Você já teve que cantar num tom tão alto mais tão alto que quase você explodiu? Se a resposta é sim, você está lendo o artigo certo!!!

É claro que eu exagerei um pouquinho nos exemplos “se bem que não tanto assim” para tentar mostrar a você nobre amigo o quão prejudicial pode ter um ensaio só por ter...

É impressionante como isso acontece com freqüência nos departamentos de música de Igrejas e denominações. Eu vejo isso demais e o que quero mostrar para você é que essa história pode e deve mudar.

Antes, pergunte a você mesmo: O que é um ensaio? Qual o propósito do ensaio?

Porque pelo que vejo ás vezes, parece que a ficha não caiu para algumas pessoas. Elas pensam que ensaio seja talvez pegar todas as músicas de uma só vez em algumas horas e tocar tudo de uma vez só no domingo.

“Ensaio é a reunião de um determinado grupo em prol da organização da estrutura musical, para que cada componente saiba desempenhar o seu devido papel na música”.

É muito comum o músico chegar ao ensaio e perguntar: O que vai ser hoje? Vamos fazer o que? E o líder diz: Sei lá, o que vocês acham? Assim, eu queria pegar aquela música da Hosana Music com os metais da Filarmônica de Berlim...

Primeiro: Nem metais o grupo tem.

Segundo: A coisa que mais me deixa chateado como músico é ter que pegar uma música de improviso, sem saber a estrutura musical, qual o estilo apropriado, qual a pegada que devemos ter, enfim, é simplesmente “terrível”.

Terceiro: A falta de liderança e firmeza da parte de quem lidera simplesmente desanima o restante do grupo. É um balde de água fria. O grupo se sente desprivilegiado.

Como solucionar isso?

“Para se haver um ensaio um ensaio mais produtivo, precisa-se primeiramente que o grupo tenha um coordenador musical ou arranjador, que seja responsável pela direção e transmissão dos arranjos. Esta pessoa precisa ser habilitada em seu instrumento e possuir maior conhecimento do que os demais, pois ele saberá como transmitir cada detalhe para cada componente do grupo”.

Quando não se tem um líder musical a coisa mais comum no ensaio é ter bate boca. O tecladista diz: Vamos fazer assim; O baixista diz: Assim não dá, eu ainda não sei fazer esse groove. O baterista diz: Já sei, vamos fazer essa levada... ”Na verdade ele deu essa idéia, porque ele só sabe fazer essa levada”. O guitarrista para não ficar por baixo diz: Vamos tocar aquela música tão linda! “ Ele quer tocar essa música, pois no meio dela tem um solo de dez minutos”. Eu já fiz isso! E por aí vai...

Quando o grupo tem um coordenador, ele até pode ouvir opiniões, mas a palavra final sempre será a dele. Isso evita dor de cabeça.

O arranjador precisa ser um músico sensível para assimilar e distinguir o comportamento de cada instrumento, levando a idéia para o restante do grupo.

E se não tiver arranjador?

Não havendo arranjador, o grupo terá que utilizar outros recursos pára um maior aproveitamento nos ensaios, como: cópia de cds com seleção de músicas ou cifras para todos os componentes.

Isso adianta muito o tempo do ensaio. Torna-se mais agradável, produtivo, animador. É bem verdade que o músico não deve estudar no ensaio, isso ele faz em casa. Mas ele pode ter mais interatividade, crescimento, pois ele está seguro do seu papel na música e assim ter mais idéias e assim por diante.

Cada um tem obrigação ouvir os cds e estudar as músicas cifradas, adiantando assim o processo do ensaio, pois todos estarão preparados para tocar o repertório selecionado.

Isto gera segurança e sintonia no grupo, pois todas as idéias ou arranjos estarão firmados em cada um.

Outra coisa que percebo que acontece demais é acerca da falta de concentração dos ensaios. Isso atrasa o crescimento do grupo gerando improdutividade.

Devemos entender que a concentração dos ensaios é a chave principal para uma boa apresentação, pois o músico estará demonstrando no instrumento as informações que já foram definidas pelo grupo.

Não se pode haver um bom proveito nos ensaios, quando há desconcentração dos participantes.

Ex: Displicência para ligar o equipamento e afinar os instrumentos, Atraso na passagem de som, Conversar fora de hora, Comentários que não produzem resultados, risadas, brincadeiras ou piadas no momento dos ensaios.

Obs.: Todas essas coisas atrapalham o percurso dos ensaios, fazendo com que o grupo obtenha um aproveitamento mínimo neles.

Acredito que se você e o seu grupo colocar em prática esses princípios, os resultados serão muito satisfatórios.

Música é uma ferramenta poderosa. Lembre-se que você tem a responsabilidade de dar o seu melhor naquilo que você faz. Não ensaie de qualquer jeito porque com certeza não pense que a “unção” irá mudar na hora do culto o seu som.

A unção não é mágica, ela só opera quando há uma abertura da sua parte. Se você não se disponibilizar para ser o melhor, como Deus pode fluir através de você? Nós ministramos a Deus com a nossa vida, vozes, e também com os nossos instrumentos. Dê o seu melhor e você verá a unção de Deus te alcançando, porque a unção só trabalha com um propósito.

Por André Martins - Pastor da Igreja Evangélica Verbo da Vida em Florianópolis (SC) e ministro de música

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