As quatro cenas musicais - parte 1

As quatro cenas musicais - parte 1

Atualizado: Quarta-feira, 25 Maio de 2011 as 11:58

Há pelo menos cinco anos tenho refletido sobre os espaços de apresentação e gêneros/estilos da música produzida por artistas evangélicos e entendo que hoje minhas convicções estão calcadas em solo pouco arenoso, devido às décadas de demonstração de atuação destes artistas confirmando tais convicções.

Minha conclusão é que existem quatro tipos de artistas (bandas ou cantores/as) produzindo música junto às igrejas protestantes brasileiras. Essas diferenças que levam a quatro cenas distintas se dão por vários fatores, mas, principalmente por estes: esses artistas não comungam do mesmo gênero/ estilo musical, não freqüentam as mesmas denominações evangélicas - o que leva, consequentemente, a outros discursos e práticas musicais relacionadas à visão que têm sobre a música como arte, comércio e no serviço religioso -, além de também não se apresentarem nos mesmos palcos e eventos. São eles: MPB cristã, Gospel, Adoração e Alternativa.

Mas, de antemão, assumo que minhas conclusões são apenas empíricas neste momento (tomara que a partir deste texto surjam estudos e pesquisas mais completos, firmados em boas referências bibliográficas e documentos, escassos neste momento). Outro dado importante se refere à terminologia empregada. Talvez o único termo difundido pelos artistas de sua própria cena, ou seja, o único tipo de artista que assume a denominação aqui citada seja aquele relacionado à cena gospel. Os demais não utilizam sempre “MPB cristã”, “adoração” ou “alternativa”.

Por isso, lê-se erroneamente em trabalhos acadêmicos ou nas prateleiras das lojas e livrarias que vendem CDs/ DVDs um apanhado geral dos artistas cristãos denominando tudo e todos simploriamente como “gospel”. Ainda, em relação à pesquisa acadêmica, geralmente os futuros mestres e doutores pecam por acharem que fazer parte dos grandes conglomerados fonográficos (gravadoras majors) é uma maneira de apontar a história da música no Brasil feita por evangélicos. Ledo engano; grande parte da produção está na mão dos independentes ou das pequenas gravadoras (e selos).

Foi difícil escolher um título para este texto. No princípio, pensei em chamar de “As quatro músicas”, mas, não eram apenas quatro composições. Depois achei que “Os quatro grupos” cairia bem, porém, me deu idéia de algo estático, fixo ou de “bando”, o que não era meu objetivo. Na sequência, escrevi com convicção “Os quatro movimentos”, entretanto, a idéia de algo em movimentação constante também não era verdade, pois os artistas relacionados não se locomovem de um espaço para o outro tanto assim. Aí encontrei o termo “cena”. Meu fiel companheiro, o dicionário digital Aurélio Século XXI me deu uma boa dica: uma das explicações para o termo cena é “cada uma das unidades de ação duma peça, cuja divisão se faz segundo as entradas ou saídas dos atores”. Era isso...

No próximo texto estarei escrevendo sobre as características principais destas cenas e dando exemplos de seus integrantes.

Por Sérgio Pereira - músico, educador e escritor de materiais didáticos. Mestrando em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, faz parte do duo Baixo e Voz, que neste momento está gravando seu 5º CD.

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