Banda Vox Dei fala sobre o seu retorno aos estúdios para novo CD

Banda Vox Dei fala sobre o seu retorno aos estúdios para novo CD

Atualizado: Quarta-feira, 4 Maio de 2011 as 3:08

Eles moram na terra do forró, mas decidiram seguir outra batida: o Rock'n Roll. Com um nome quem vem do grego e signfica “Voz de Deus” (em tradução livre), a banda cearense Vox Dei já tem um tempo considerável de estrada (aproximadamente 12 anos), lutando contra as dificuldades do mercado fonográfico que as bandas independentes enfrentam e trabalhando para a gravação de seu terceiro CD.

Em entrevista exclusiva ao Guia-me, o grupo que é sucesso no cenário musical cearense falou sobre o longo período de reflexão entre o seu último trabalho e o que está em fase de produção, a escolha do novo repertório e as novas tecnologias que podem influenciar no lançamento deste CD.

Confira a entrevista na íntegra:

Guia-me: Após o lançamento do último CD de vocês, “Sete Dias”, a banda trabalhou a divulgação do disco e fez uma pausa de alguns anos até uma nova gravação. O que esse tempo sem gravar trouxe de positivo para o grupo?   

Vox Dei: Essa pausa..... [risos] nos fez refletir sobre tudo!! Desde a estética musical, meios de divulgação, até mesmo nossa postura enquanto músicos e servos de Deus. Como somos uma banda sediada no nordeste (a terra do forró!) vimos o quanto é difícil divulgar um trabalho, na linha do nosso, por aqui e nacionalmente. Por outro lado, vimos o quanto poderíamos ser úteis nesse árido deserto. Muitas bandas novas apareceram e sempre que encontravam conosco por aí, diziam que nós éramos a maior influência deles; outros contrataram o Finnis [baterista] ou pessoas que haviam trabalhado na nossa equipe, outros queriam aulas de guitarra com o Sarquis ou que eu fizesse a arte do CD... enfim, vimos que de alguma forma tínhamos influenciado muitas pessoas e outras bandas.

Guia-me: O CD “Sete Dias” contou com alguns efeitos de produção como samplers, pick-ups e até mesmo algumas conversas gravadas entre as músicas. Vocês estão pensando em algo parecido para este novo trabalho?

Vox Dei: Possivelmente não. Estaremos colocando em prática algumas idéias que foram se formando e amadurecendo durante essa pausa. No entanto, temos algumas sobras de estúdio, da época, que são bem interessantes. É difícil falar sobre isso, pois nós do Vox Dei tentamos não fechar a questão no que diz respeito aos "formatos e ferramentas". Nos consideramos meio "old school" mas nunca deixamos de olhar para o mundo da arte e ver o que está acontecendo. Hoje temos como base musical: guitarra, baixo, bateria, violão... mas temos feito os últimos shows com a valiosa participação  do violinista Rodrigo Cardozo (que é um músico clássico com alma de guitarrista), e tem sido surpreendentemente bom. Isso tudo acaba interferindo e mudando/alterando o jeito de pensar música. Sem falar que no Vox Dei "tocamos" todos os instrumentos, ou seja, todos temos liberdade de opinar ou criar dentro da esfera de todos os instrumentos. Isso acaba ajudando no processo criativo e deixando ele mais livre. Geralmente o guitarrista tá focado no som da guitarra, ou o baixista no do baixo e isso nos deixa com uma visão limitada. No VD observamos um ao outro e pensamos e executamos de uma forma mais coletiva.

Guia-me: O novo CD vai contar com músicas inéditas e regravações (canções de outros autores). Quais foram os critérios usados para a escolha do novo repertório?

Vox Dei: As duas coisas: músicas inéditas nossas e regravações. Quando vamos escolher as músicas, pensamos muito no que elas estão transmitindo. Não somos um grupo de louvor congregacional ! Somos uma banda de rock e queremos influenciar pessoas. A música nada mais é que o meio de comunicar. O critério é: o que vamos ou precisamos comunicar.

Guia-me: O novo disco ainda não tem nome, mas fatores como o repertório, por exemplo estão levando a banda a seguir determinado tema para o CD... ou a cautela ainda está falando mais alto neste momento de produção (estão esperando mais para ver que nome fica melhor)?

Vox Dei: Está difícil pensar num álbum !! Acho que hoje o conceito é outro. Poucas pessoas escutam um álbum ou um disco inteiro. Estamos na era do playlist onde nós escolhemos o que queremos ouvir e na ordem que nos agrada. Tenho um pouco de saudade desse lance do álbum. Ainda nem sabemos que tipo de mídia vamos usar (CD, pendrive...??). Nosso primeiro trabalho saiu numa fita cassete [risos]. De qualquer forma, acho que criaremos um nome sim (temos até alguns...) mas vamos ver o que acontece até o fim do processo, não vamos fechar questão agora. Alguns nomes que pensamos: "Venezuela's democracy" , "A volta dos que nunca foram", [risos].

Por João Neto - www.guiame.com.br

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