Cantor gospel fala sobre diálogo entre cristãos e gays

Cantor gospel fala sobre diálogo entre cristãos e gays

Atualizado: Quinta-feira, 30 Dezembro de 2010 as 9:23

Derek Webb não tem o perfil de um evangélico comum, mas espera que um dia venha a ter. Bastante conhecido e querido pelos apreciadores de música cristã, Webb várias vezes tem flertado com a controvérsia desde o início de sua carreira solo, após sair do grupo Caedmon’s Call. Isso ficou acentuado depois do álbum Stockholm Syndrome, de 2009,  cuja primeira música a fazer sucesso What Matters More [O que mais importa], falava abertamente sobre a homofobia na igreja cristã. Nesta entrevista, perguntei a Webb sobre a sua identidade religiosa e como isso influencia seu trabalho e suas posições.

Chris Stedman: Acompanhando a sua carreira, parece-me que você se tornou cada vez mais assertivo ao expressar suas opiniões sobre certas questões sociais. O que há por trás disso?

Derek Webber: Minha esposa e eu somos artistas. Parte da vantagem de ser um artista é que você não apenas pode, mas tem a responsabilidade de pensar muito sobre as coisas e dar sua opinião aos que gostam do seu trabalho. Você pode dar apenas um ponto de partida para questões que nem sempre fazem parte da rotina ou da realidade da maioria das pessoas. Acho que existe muita gente inteligente por aí, mas que simplesmente não tem tempo para pensar sobre algumas destas questões. Fica mais fácil ver as notícias na TV, ler alguns blogs e a partir disso formar sua opinião sobre certas coisas.

Às vezes, as pessoas precisam de um empurrãozinho. Sinto que os artistas podem desempenhar um papel realmente único, aproveitando da vantagem de poder pensar sobre questões que atingem nossa vida e cultura para, em seguida, resumir esses pensamentos em apenas alguns minutos, acrescentar uma melodia – como algo que ajuda o remédio a descer – e dar às pessoas algo para reagir. A partir disso, elas poderão começar a formar suas próprias opiniões.

Qual foi a reação a What Matters More e, de maneira mais ampla, ao conteúdo de Stockholm Syndrome? Você estava preocupado com o risco de tomar partido em uma discussão tão acirrada?

Honestamente, isso já era bastante previsível. [Webber chamou para abrir os seus shows Jenniffer Knapp, cantora evangélica que se declarou homossexual no início do ano] O que realmente não esperava foi a resposta daqueles que administram a porção mercadológica da Igreja, especialmente no que se refere à “questão gay”. O que foi surpreendente, no bom sentido, e me mostrou que escolhi o melhor tipo de problema para abordar – foi a resposta de um grande número de pessoas que realmente estavam lutando espiritualmente com esse assunto.

Elas não sabiam como expressar quem realmente são e crer no que realmente pensavam crer. Durante toda a vida ouviram pessoas lhes dizendo que não podiam ser daquela maneira. Fiquei muito satisfeito por conseguir oferecer um pouco de sanidade mental a um punhado dessas pessoas. Isso fez valer a pena qualquer tipo de julgamento ou mal-entendido que meu álbum poderia gerar.

Pensando sobre  ter medo ou não de uma reação. Bem, levo meu trabalho muito a sério. Ao longo dos anos, tentei criar o hábito de não dar ouvidos às pessoas que me criticam ou me elogiam. A espiritualidade é algo muito misterioso e sinto como se tivesse recebido durante anos várias orientações de Deus sobre como e onde devo investir meu tempo e meu trabalho. É realmente isso o que estou fazendo. Se ao seguir fielmente essas coordenadas e acabar recebendo elogios de um determinado grupo de pessoas, isso é muito bom. Mas não faço nada para agradar os outros, nem fico chateado se perder o apoio de algumas pessoas ao longo do caminho. Prefiro muito mais ser fiel a ser bem-sucedido. Acho que essa é uma diferença real quando vejo como agem alguns profissionais do meio em que vivo.

Como você acha que a comunidade cristã pode construir pontes com a comunidade LGBT?

Pra começar, os cristãos podem parar de fingir que são tão diferentes. Acho que haveria uma mudança imediata na conversa, se todos percebermos como somos semelhantes e como partilhamos de uma linguagem comum. Outra coisa que realmente poderia mudar o diálogo entre a igreja e a comunidade gay – e que precisa desesperadamente mudar – é a resposta da igreja. A igreja passou tantos anos lidando publicamente com a moralidade da questão, de uma maneira que distorce a resposta que creio que Jesus daria. Talvez os cristãos tenham se esquecido, ou talvez nunca souberam, é que a maneira de tratar os gays não deveria mudar.

Quer você seja da opinião que a questão gay é perfeitamente admissível segundo a Bíblia, ou que é totalmente condenável, não importa. Saiba que essa resposta é o amor. Ponto final. É amar e manter os braços abertos, independentemente de sua posição sobre o aspecto moral.

Por Chris Stedman

Tradução: Jarbas Aragão

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