Cid: Guerreiro de Deus

Cid: Guerreiro de Deus

Atualizado: Segunda-feira, 31 Agosto de 2009 as 12

Por João Neto - www.guiame.com.br

Você se lembra do Cid Guerreiro? Caso não reconheça o nome, talvez possa recordar-se de uma de suas composições, que se tornou um grande sucesso no final dos anos 80, especialmente entre as crianças brasileiras: ''Ilariê''. Cantor baiano, Guerreiro ficou famoso por inúmeras participações no programa ''Xou da Xuxa'' e ''Mara Maravilha'', e apresentações em cima de trios elétricos do carnaval de Salvador (BA). Após ter se convertido ao evangelho, o artista testemunha uma nova fase de sua vida.

Há três anos e 10 meses, Cid Guerreiro aceitou Jesus Cristo como Senhor e salvador. Desde então, tem passado por igrejas, shows, rádios e TV's, narrando sua história e mostrando uma nova função para seu estilo musical. Em entrevista exclusiva ao Guia-me, Guerreiro falou a respeito de sua conversão ao evangelho, a polêmica em torno de sua conhecida composição ''Ilariê'' e sobre o processo de produção de seu primeiro CD gospel.

Guia-me: Você agora usa o título ''Guerreiro de Deus'' em suas camisas. Como surgiu essa ideia?

Cid Guerreiro: Vou fazer 50 anos de idade, faz três anos e 10 meses que me converti. Fui um cara que já foi de macumba, candomblé, seicho-no-ye, espiritismo, fui católico... Eu acho que no mundo eu fui de tudo. Deus me deu oportunidade para que eu realmente visse tudo, para que depois ele me mostrasse a verdade. Eu acho que isso de eu ter hoje o nome ''Guerreiro de Deus'' não foi ao acaso. Deus já tinha colocado um propósito na minha vida, de um amigo meu ter colocado o meu nome artístico como Cid Guerreiro, para depois o Cid morrer e só ficar o Guerreiro de Deus.

Guia-me: Como você procura marcar a sua participação nos eventos em que está presente?

Cid Guerreiro: Normalmente eu faço o seguinte: chego na igreja, recolho-me para me prostrar ao chão, abro a minha boca e peço para que o meu Pai fale. Então, nem eu sei o que acontece. Lá em cima (púlpito) eu só deixo que Ele me use. Eu digo que estou aqui para servi-Lo e para que Ele me use da melhor maneira possível. Com certeza a gente vai dar um testemunho de vida, mas quando estou no espírito de uma pregação, louvores, essas coisas são muito do jeito que Deus quer.

Guia-me: Falando sobre a polêmica criada em torno de sua composição ''Ilariê'', o que pode ter motivado o surgimento de tal discussão a respeito do assunto?

Cid Guerreiro: No início eu tinha uma ira muito grande contra esse pastor que lançou essa inverdade. Ele dizia que estava ao meu lado quando eu fiz a música ''Ilariê'' e que eu tinha feito um pacto, consagrando a música para o demônio. Isso é uma inverdade. Ele infelizmente foi usado pelo inimigo para querer aparecer em algum lugar ou outra coisa, e gerou essa polêmica toda. Isso me afastou do evangelho por muitos anos, porque eu era um cara que tinha raiva de crente, justamente porque eu passava nos lugares e as pessoas diziam: ''Lá vai o filho do diabo...'', ''o cara que fez a música do diabo...'', essas coisas todas, e não tinha nada disso. Por outro lado, foi bom porque hoje em dia eu prego muito sobre o julgamento. Nós evangélicos, dentro da igreja, julgamos muito as pessoas e julgamos pelas coisas que ouvimos. Deus deu dois ouvidos e uma boca e, dentro da boca, uma espada muito ferina. Então, a gente tem que saber usar essa espada. Ela tanto pode edificar uma pessoa, como pode destruir.

Guia-me: Você não abandonou o seu estilo musical após se converter e isso pode ser visto em seu novo CD. Fale-nos mais sobre o processo de produção dele.

Cid Guerreiro: Esse disco foi todo feito aqui em Fortaleza (CE). Eu passei dois meses tentando compor uma música para Deus e não consegui compor nada. Eu fiquei desesperado e pensei: ''Será que Deus não gosta mais de mim?''. Mas, depois disso, um pastor amigo meu chegou para mim e falou: ''Cid, você está buscando trabalhar para Deus, mas agora Ele quer trabalhar para você'' e em uma semana vieram todos os louvores, aliás, esse primeiro foi feito em Salvador (BA). Eu digo com certeza que não compus nenhuma dessas músicas, porque o que eu estava tentando compor eram adorações e Deus me fez justamente cantar - o que eu já fazia no mundo. Então, no trabalho, toda a honra, toda a glória são só dEle mesmo. Eu não tenho participação nenhuma nessas músicas. Eu apenas me deixei ser usado para que Ele mandasse os louvores que Ele queria que eu cantasse.

Guia-me: Como tem sido a aceitação de seu trabalho no meio evangélico?

Cid Guerreiro: A aceitação é maravilhosa. Primeiro cria uma polêmica muito grande. Inclusive já fui em muitas igrejas pentecostais e neo-pentecostais e muitos pastores dizem: 'Olha, você tem que cortar o cabelo', 'Você tem...', 'Você tem...', e não tem que fazer nada. Quem manda é Deus. No início, eu até comecei a procurar por respostas de Deus sobre isso, pedi confirmações sobre isso, porque se Deus chegasse para mim e dissesse: 'corte o cabelo', eu raspava a cabeça. Eu não tenho mais nenhuma vaidade e, graças a Deus, eu sei muito bem a caminha na qual eu estou. A minha meta é só seguir a luz de Jesus e mais nada.

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