Entrevista: Paulinho Makuko

Entrevista: Paulinho Makuko

Atualizado: Sexta-feira, 6 Junho de 2008 as 12

Por Myrian Rosário

Participando ativamente do boom da música gospel no Brasil, no final da década de 80, o cantor e percussionista Paulinho Makuko viu o rock invadir as igrejas, os jovens serem alcançados por uma mensagem contextualizada da Palavra de Deus e grandes eventos evangélicos, como a Marcha Para Jesus, assumirem proporções gigantescas. Apesar de todos os avanços dos ritmos e do cristianismo no Brasil, Makuko acha que está na hora de uma nova revolução. No refrão da música "Primavera", faixa de abertura do novo CD do Katsbarnéa, "A Tinta de Deus", Makuko expressa claramente que anda em busca de inovações:  "O que era novo já era, o novo viverei", diz ele.

Guia-me: Há 19 anos, quando o Katsbarnéa começou, você já imaginava que o evangelho e a música gospel nacional iriam conquistar os espaços que têm hoje?

Makuko: Eu tinha certeza de que ia acontecer. Na época, muitas pessoas nos detonavam, como detonam até hoje, mas sabia que ia acontecer. O crescimento de eventos como a Marcha Para Jesus é resultado da união de todas as igrejas

Guia-me: Como você avalia o gospel nacional?

Makuko: Acho que tá ficando um pouco careta. O povo de Deus precisa se antenar mais para trazer o mundo para Ele. As pessoas precisam ver que ter Jesus é legal. No início, o nosso som assustava as igrejas, mas o mundo achava moderno. Hoje já não está mais assim.

Guia-me: O que é preciso mudar?

Makuko: Não sei direito. Precisa acompanhar as evoluções. É preciso compor letras diferentes, com estilo diferente. Temos que usar uma fórmula com menos crentês para chegar em quem não tem Jesus. É preciso dar uma contextualizada. No início, houve uma explosão, mas agora vivemos uma fase de acomodação.

Guia-me: E por que essas mudanças não acontecem?

Makuko: As pessoas ficam com medo das autoridades, de pastor, de bispo... Nós temos que mudar e temos que falar nas igrejas que está na hora de mudar.

Guia-me: De que maneira você tem colaborado para essa mudança?

Makuko: No nosso novo CD, "A Tinta de Deus", eu me preocupei com a elaboração de letras legais e atuais com melodias legais. Eu falo o nome de Jesus clara e abertamente. Mas também quis levar uma coisa mais moderna para o crente (Eu nem gosto dessa palavra "crente"). Colocamos músicas que levam o cristão a pensar.

Guia-me: Por que vocês ficaram tanto tempo sem gravar?

Makuko: Nós ficamos um tempão vivendo de sucessos antigos para que a seleção do novo CD fosse feita com calma. Paramos um tempo para analisar o trabalho. Temos sempre que trazer coisas novas, renovar.

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