Eyshila lamenta o falecimento de Edvaldo Novaes

Eyshila lamenta o falecimento de Edvaldo Novaes

Atualizado: Segunda-feira, 14 Fevereiro de 2011 as 3:02

O falecimento de Edvaldo Novaes , líder do grupo Altos Louvores significou uma grande perda para muitos cantores do meio gospel. Considerado parte da história da música evangélica no Brasil, durante muitos anos, o ministro de louvor foi parceiro do cantor Sérgio Lopes no grupo, que marcou a década de 80 no meio cristão brasileiro.

Em uma postagem de seu blog oficial, a cantora Eyshila falou sobre a dura perda que sofre ao ver um amigo partir e revela que o Grupo Altos Louvores foi, entre outros, referência em sua formação musical.

Confira o post na íntegra:

Hoje [12] foi um dia difícil, um dia de duras notícias, um dia de luto. Um grande amigo partiu. Alguém que fez parte da minha vida de um modo muito especial. Eu tinha apenas 15 anos quando ele foi visitar a minha igreja, na época Assembléia de Deus em Cordovil, para prestigiar o Pr. Anésio Sarmento que estava aniversariando e era dono da gravadora Desperta Brasil,a qual havia contratado o Grupo Altos Louvores. Foi um grupo reduzido, apenas Edvaldo, Sérgio Lopes, Eli Miranda e Fernando. Passaram o dia todo na minha casa que era quase em frente à igreja na época. Foi um dia de alegria,com direito a churrasco e tudo mais. Passamos o dia todo cantando e nos alegrando. À noite fomos à igreja, onde o grupo cantou,e eu fiquei emocionada de assistir pessoalmente aquele grupo que já fazia parte da minha vida há algum tempo. Eu amava suas músicas, eu as cantava na igreja, parecia um sonho. Sonho mesmo foi quando, no final do culto, Edvaldo me procurou e perguntou se eu gostaria de entrar para o Grupo Altos Louvores, já que uma de suas componentes iria sair e eles precisariam de um apoio vocal. Fiquei emocionada, mas não pude responder. Eu tinha que consultar meus pais, afinal, só tinha 15 anos. Na época o meu pai vivia me forçando a cantar nas igrejas, e eu detestava cantar sozinha, só gostava de cantar em grupo. Havia um rumor lá em casa de que o meu pai tinha recebido uma indenização do antigo emprego e tinha decidido me gravar. Fiquei apavorada só de pensar. Aquilo pra mim era o fim! Quando recebi o convite do Edvaldo, foi como se tivesse encontrado minha válvula de escape, um meio de não ter que gravar só. O Altos Louvores me salvou rsrsrs! Falei com o meu pai sobre o convite, o que o deixou muito feliz, claro. O Altos Louvores já era naquele tempo um referencial em matéria de repertório, vocal, composição e tudo mais. Entrei para o grupo e fui aprender a fazer vocal com Léia Mendonça, Sérgio Lopes, Eli Miranda, e o próprio Edvaldo. Eu era tão jovem, e o restante do grupo ficou até mesmo receoso de que isso fosse ser um obstáculo pra mim, já que eu era uma menina com pais rígidos que vigiavam de perto meus horários. Mas o Edvaldo lutou, acreditou em mim. O Altos Louvores foi uma escola em minha vida.

Lembro dos dias de ensaio em Jardim América. Nós gostávamos tanto do que fazíamos, que às vezes perdíamos a noção da hora, e acabávamos de ensaiar de madrugada. E o meu pai ficava lá me esperando, até altas horas. Como eu era jovem! Como eu aprendi com eles! Talentos se foram e outros vieram, mas o grupo permaneceu ali, seguro nas mãos de Deus, sustentado pela garra de um homem obstinado e decidido a fazer dar certo. Ele não tinha medo de nada, e dava a cara à tapa mesmo.

O Altos Louvores fez parte de tantos momentos em minha vida! Querem saber de um muito especial? O dia em que o Odilon me viu cantar e se apaixonou rsrsrsrs. Foi no Teatro Brigite Blair, no centro da cidade, em um culto que o Pr. Silas Malafaia dirigia todas as segundas feiras. O Grupo sempre cantava lá, e nesse dia eu me dei bem. Conheci o homem que seria o meu eterno namorado. Meu marido Odilon. Quantas vezes eu cantei chorando, com dor de cotovelo, coisas de adolescente, jovem apaixonada. Quantas vezes eu me alegrei e celebrei com eles. Foi no Altos Louvores que eu soube o que era gravar em estúdio. Foi lá que eu recebi o meu primeiro direito artístico. Foi lá que eu gravei a minha primeira canção. Foi cantando no Altos Louvores que fui vista pela minha amiga Fernanda Brum. Foi em uma viagem pra Curitiba com o Altos Louvores que a Fernanda bateu em minha porta e disse que Deus mandou que ela fosse minha amiga. Foi no Altos Louvores que minha irmã Liz Lanne cantou pela primeira vez diante de uma multidão. Por lá passaram Léia Mendonca, Sérgio Lopes, Marquinhos Gomes, Jozyanne, Liz Lanne, Roberta Diangelles, Elvira, Jeferson Monteiro, e tantos outros talentos inesquecíveis. Por lá passou meu amigo Diógenes Marques que já dorme com Deus. Ele e a Graça tomavam conta de mim nas viagens. Eu vivi intensamente esse tempo, e quado saí foi muito difícil cortar o cordão umbilical. Sofri demais porque eu detesto despedidas. Cheguei a sair do grupo por um tempo, não aguentei, voltei e passei mais alguns anos. Quando eu me casei não teve jeito, tive que seguir meu rumo, mas chorei demais com saudade.

Hoje também choro de saudade. Edvaldo se foi, tão jovem, tão depressa. A morte é cruel em qualquer tempo, mas há momentos em que ela é mais devastadora. Como pode uma doença tão cruel? Como pode uma família se desfazer dessa forma? Como pode não ter nem sequer dado tempo de dizer “até breve ” ? É muito cruel perdermos quem amamos. É muito triste saber que não o veremos mais nessa vida. Mesmo com a esperança de que um dia nos encontraremos na glória, dói demais...

Que o Espirito Santo venha consoslar sua esposa Eranete, suas filhas Marcella, Gisella, Andressa e seu único filho homem Isaque, de apenas dois aninhos. Que Deus console seus pais, seus parentes e amigos mais chegados. E como vi alguém dizer no DVD do meu amigo Paulo Cézar Baruk: Edvaldo não morreu, apenas foi curado pra sempre.

veja também