FLG cita cachê de Claudia Leitte ao falar em desvalorização do gospel

FLG cita cachê de Claudia Leitte ao falar em desvalorização do gospel

Atualizado: Quinta-feira, 3 Fevereiro de 2011 as 4:09

O FLG, conhecido quarteto da black music gospel, formado por Silveira, Will, Sandro e Carlinhos já tem 15 anos de estrada e acumula grande experiência no mercado fonográfico gospel.

O GUIA-ME encontrou o quarteto na última terça-feira, 1° de fevereiro, no lançamento da ExpoMusic Gospel, e em um bate-papo exclusivo os quatro componentes do FLG comentaram o atual cenário da música gospel, principalmente no que diz respeito à sua desvalorização. Confira:

GUIA-ME: Hoje é o lançamento da ExpoMusic Gospel. Acreditam que esse evento venha para mostrar mais ainda a força música gospel e o espaço que ela vem ganhando inclusive no meio secular?

Will: É a primeira feira, portanto muitos erros e muitos acertos vão acontecer, mas tenho certeza que a iniciativa é das melhores. Músicos vão poder ter o seu espaço, inclusive os independentes. Sendo uma banda de 15 anos já, nós vemos de perto a evolução desse segmento.

A música gospel passou a ser uma coisa só, mas a música gospel tem o black, o rock, o forró, todos esses ritmos que são colocados em um pacote só. Em alguns canais da televisão, a gente vê programas evangélicos e o público que assiste acha que a música gospel é aquilo que ele vê na televisão que geralmente é uma música de adoração ou um louvor pentecostal, e não conhece outros estilos que a gente tem na igreja. Mas, enfim, acho que esse é um espaço para mostrar que a música gospel tem outros elementos e é diversificada como a música brasileira...

Precisamos mostrar profissionalismo e seriedade para que a gente tenha mais investimentos e que o músico cristão possa ser valorizado como um músico secular. Se você pensar no cachê de 300 mil reais da Claudia Leitte, que é uma grande artista, e de um músico evangélico &top& que cobra 20 ou trinta mil, quer dizer que a gente tem uma caminhada grande para correr. Qualidade a gente tem, só precisa se organizar e ter mais espaço como esse.

GUIA-ME: Acham que a luta por espaço no mercado gospel parece sufocante?

Carlinhos: Acho que é como o Will falou, está tudo se juntando agora. Acho que o espaço para o gospel que ainda está limitado.

Will: Tem uma coisa importante que é o espaço que se dá a determinados estilos. Hoje o louvor e adoração e a música pentecostal têm maior abertura nas emissoras e os outros ritmos ficam com um espaço muito menor. Posso dizer que a gente se sente sufocado com esse espaço gigantesco para alguns estilos apenas. A mídia evangélica é imensa, mas o espaço mesmo é para esses estilos: &louvor e adoração’ e ‘pentecostal&, e a gente acaba esbarrando nisso (...) Mas o trabalho tem sido feito porque a 15 anos atrás a gente nem tocava nas igrejas porque o estilo era meio que um absurdo para muita gente.

Carlinhos: Nesses 15 anos a gente sofreu muito preconceito para divulgar a black music na igreja, mas conseguimos graças a Deus e à nossa insistência também de dizer &essa música é boa para a igreja também&. O cara que está fora da igreja e chega aqui não vai chegar ouvindo louvor e adoração de uma vez, ele vai curtir algo que se identifique com o que ele já curtia lá fora. As pessoas estão começando a perceber que não é só o tradicional que funciona na igreja, até porque não tem só anciãos lá dentro.

Tem muito músico gospel que não tem onde divulgar seu trabalho e faz isso na mídia secular

GUIA-ME: Citando a presença de músicos gospel na mídia secular vou citar o Programa do Raul Gil, do SBT, como exemplo de espaço para a música gospel e aproveito para perguntar se a crítica do Will é justamente em referência à exclusividade de estilos musicais que ganham essa abertura, inclusive nesse programa.

Will: Eu tenho uma preocupação com a música gospel porque não se investe em novos talentos. Existia a Gospel Records, da Renascer, que investiu muito em novos talentos, a galera do rap, do rock e do black tomaram conta, a diversidade de sons era impressionante, mas hoje o que está no topo e o que tem investimento das grandes gravadoras são poucos estilos e nomes conhecidos como a Som Livre que está investindo em Diante do Trono e Ludmila Ferber,  a Sony com a Cassiane, mas e os novos talentos? É de se pensar, orar e trabalhar em prol da música. A gente faz música gospel, mas a gente música, é o dom que Deus nos deu.

Carlinhos: É um apelo aos investidores para que eles se atentem a outros estilos bacanas que a música gospel tem, como a black music e o rap que são armas muito poderosas de evangelização.

Sandro: Esse lance de estilo musical vai muito longe e é também uma questão  cultural porque, por exemplo, a música black não desenvolve no meio gospel, mas nem no meio secular. Seria muito estranho se a gente morasse nos Estados Unidos, cantasse black na igreja e não rolasse porque lá a música predominante é a black music. O Brasil é um país miscigenado e a cultura é outra. Não tem jeito, a música mais popular desenvolve mais e a igreja é reflexo do que acontece lá fora. Eu tenho certeza que daqui a pouquinho vai começar a aparecer muita música certeza dentro da igreja. Por quê? Porque é o que está estourando lá fora.

Will: Se você colocar no Multishow ou na MTV, 80% da programação é black music secular, mas internacional, porque nacional mesmo não tem (...) Mas, enfim, o bom do povo evangélico é que ele absorve tudo, ouve o sertanejo, ouve o pentecostal, ouve o louvor e adoração, ouve o rock e ouve o black.

Por Juliana Simioni

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