Leonardo Gonçalves publica o texto introdutório de "Princípio e Fim"

Leonardo Gonçalves publica o texto introdutório do novo CD

Atualizado: Segunda-feira, 2 Abril de 2012 as 1:30

O cantor Leonardo Gonçalves publicou em seu blog o texto introdutório do seu novo trabalho, o CD "Princípio e Fim".

Afirmando que a intenção é que as pessoas leiam o texto, mesmo que não sejam leitoras assíduas de encartes de CD, Gonçalves resolveu reproduzí-lo em seu blog, assim como já fez com os textos de outros álbuns.

Confira o texto introdutório de "Princípio e Fim":

 

nem sempre uma das premissas do mundo ocidental se prova verdadeira; os opostos, os paradoxos e o que é fundamentalmente diferente nem sempre precisa estar separado ou distante um do outro. aliás, não é difícil perceber que algumas das coisas mais belas deste planeta freqüentemente são fruto de combinações improváveis e/ou inesperadas…

é somente quando sol e chuva se fundem que temos o arco-íris; a lua cheia, quando vista de dia, parece ainda mais bonita, quase transparente contra um céu azul; e o que dizer das fontes de água quente que na islândia jorram em meio a um deserto de gelo… 

sempre que o ser humano segue estes exemplos da natureza (de unir o que a princípio parece inconciliável) coisas incríveis e maravilhosas acontecem. 

se isto é verdade na natureza e nas relações humanas, quanto mais nas artes! o novo fica tão mais bonito quando emoldurado do velho; o moderno tão mais profundo quando enraigado numa tradição; a erudição tão mais elegante quando de mãos dadas com a simplicidade…

no plano espiritual também não é muito diferente. algumas verdades são tão abrangentes que não podem se restringir somente ao passado, presente ou futuro… algumas só encontram seu real sentido quando coexistem. 

o Reino de D-S é assim. ele só vai existir porque já existe. e se existe hoje em parte, é porque (já existiu com o Messias e) um dia vai existir plenamente. já, mas não ainda…

há aqueles que se omitem no presente, tamanho seu foco na eternidade. há aqueles que negam a eternidade, tamanho seu comprometimento em mudar o presente. e já me vi fazendo o papel tanto de um quanto do outro. 

atribui-se a martinho lutero a afirmação: “se eu soubesse que amanhã fosse o dia do juizo final, ainda hoje plantaria uma macieira.”

é quando nada mais pode ser feito, ou fazer qualquer coisa parece ter perdido o sentido, que tudo o que é feito se torna uma revelação de caráter. ao mesmo tempo que é assombroso pensar em fazer qualquer coisa, contribuir de qualquer maneira para um ser que é Todo-Poderoso ao ponto de ser imutável (o mesmo ontem, hoje e eternamente), como permanecer inerte perante tudo o que Ele fez e faz, tudo o que Ele é?! 

exigir que fizéssemos algo que Lhe pudesse acrescentar alguma coisa seria esmagador. impedir-nos de retribuir tudo o que recebemos e somos por Sua causa igualmente um castigo. por isto Ele nos pede que façamos pelo próximo o que gostaríamos de fazer por Ele. pelo órfão, pela viúva e pelo estrangeiro. por aqueles que não possuem perspectiva e expectativa. por aqueles que não compartilham sequer de nossas perguntas, quem dirá de nossas respostas.

se servimos ao Rei do universo porque é honroso servi-Lo, não servimos outro a não ser nós mesmos. quantos não querem servir ao Criador, oprimindo Suas criaturas! mas servir a D-S é servir a Seus pequeninos. e é quando o fazemos que nos tornamos um com o Rei, que Criador e criatura se unem para plantar uma semente que vai desde o aqui e agora até a eternidade. 

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