Marquinhos de Jesus: A palavra de Deus nas rodas de Samba

Marquinhos de Jesus: A palavra de Deus nas rodas de Samba

Atualizado: Terça-feira, 9 Agosto de 2011 as 10:37

Em 1992, fomos ao Rio de Janeiro acompanhar a produção de jingles que fizemos para alguns políticos de Rondônia. Ao chegamos à cidade Maravilhosa  ficamos sabendo através do empresário e produtor musical, considerado amigo das escolas de samba de Porto Velho, Murilo Collares que alguns cantores que estavam começando a carreira, e já tinham trabalhos gravados em vinil, gostariam de mostrar esses trabalhos, para o “Empresário” Silvio Santos, (assim Murilo havia espalhado no mundo do samba carioca). Numas dessas audiências especiais, fomos convidados a assistir a apresentação do sambista “Paulinho do Pagode” e o Paulinho levou para acompanhá-lo o Marcos de Souza que depois ficamos sabendo ser conhecido artisticamente como Marquinho do Cavaco. Juro que não liguei para o canto do Paulinho, minha atenção foi toda para a maneira da “palheitada” dada pelo Marquinhos nas cordas do cavaquinho, ao terminar a apresentação do cantor, disfarçadamente, perguntei ao Marquinho aonde ele se apresentava e quando. “Faço parte do Grupo Oitava Cor e hoje as 18h00 vamos tocar no pagode em frente a UERJ. As seis horas da tarde estávamos Eu e o Murilo no pagode da UERJ e encontramos o Oitava Cor mandando ver. O grupo era realmente muito bom e então conversamos com o empresário e dono do grupo Raimundinho.

Explicamos nossa intensão de realizar em Porto Velho dois meses de samba na praça, “Verão na Praça”. Como nossa oferta em dinheiro representava três vezes o que eles faturavam no Rio, ele aceitou.

Foi aí que o Marquinho do Cavaco veio parar em Porto Velho. Quando terminou o contrato que foi assinado com a AESB e a Skol eles foram a Guajará Mirim contratado pelo empresário Pilon que depois foi prefeito e com o Zé Carlo Lobo foram tocar no Acre. Voltaram pro Rio de Janeiro e depois de uns dias o Luizinho Buda mandou buscar o Marquinho para tocar em seu grupo “Sem Nome” e o Marquinho resolveu fixar residência em Porto Velho onde mora até hoje. Só que por muito tempo, Marquinho andou metido no meio das drogas e por isso ficou fora do circuito. Hoje recuperado e levando a palavra de Cristo onde quer que esteja, Marquinho aceitou dar o testemunho ao jornal Rondônia Dinâmica.

Confira a entrevista completa:      Zk – Vamos começar falando sobre sua trajetória no mundo do samba e de como você optou por se converter ou seguir os ensinamentos de Jesus Cristo ministrados pela igreja Wesleyana? Marquinho – Minha vida como todo mundo sabe em Porto Velho Rondônia, foi uma vida pautada em muitas. lutas, muitas batalhas. Cheguei aqui em 1992 através do Silvio Santos, Murillo Colares e do Natanael Silva da Skol quando juntamente com os integrantes do Grupo Os Dez do Rio passamos a tocar na praça das Caixas D’água dentro do Projeto, “Verão na Praça” que aconteceu nos meses de julho e agosto daquele ano.

  Zk – Você estava falando que gostaria de dar testemunho sobre sua vida? Marquinho – Quando estava vindo aqui pra redação do jornal pensei, vou falar com o Zé que quero dar um testemunho pra ele botar no jornal. O pior momento que passei na minha vida foi quando estava no mundo das drogas e da bebida, por isso perdi a confiança dos amigos que trabalhavam comigo, que tocavam comigo.  Muitos eventos dos quais participava parei de participar por andar muito exposto ou drogado.  Passei 7 anos nessa desgraça que é o mundo das drogas e da bebida.  

Zk – E hoje? Marquinho – Hoje Deus me libertou, Deus me curou. Sou evangélico há cinco anos, apesar de estar tocando ainda, fazendo um trabalho que as pessoas dizem que é mundano, mas, é esse trabalho mundano que sustenta a minha família. Meu coração com certeza, é todo voltado pra Deus, só ele pode falar isso  para alguém, ninguém pode julgar ninguém como diz a própria palavra de Deus. “Quem somos nós pra julgar alguém”. Nem ele como Jesus julgou a mulher adúltera, naquela passagem da Bíblia onde o povo estava prestes a matá-la apedredejada e Jesus tomou sua defesa ao dizer: “Que atire a primeira pedra, àquele que nunca pecou!” O próprio Jesus não atirou sua pedra nela, por quê? Porque há alguns tempos atrás Ele havia entrado num lugar e ali quebrou tudo, teve seu momento de ira, de pecado também. Deus é isso, ama o mundo e deu a vida do seu filho Jesus para morrer por nós. Foi ele me curou da bebida e das drogas, posso dizer que tive todo apoio do senhor Jesus Cristo e da palavra, pra ser curado.

  Zk - Continua tocando na noite? Marquinho – Hoje to aí de volta com uma nova cara, com novo caráter, trabalhando na noite e quem quiser contratar o Marquinho estamos aí.

  Zk - Agora vamos voltar no tempo. Com quantos anos de idade você começou a tocar? Marquinho – A minha família toda é de músico, desde minha mãe que está no céu hoje, que cantava seresta. Comecei tocando violão, estudei música durante cinco anos no Rio de Janeiro na escola “Bandolim de Ouro” que funcionava na rua Marechal Floriano onde tinha um professor muito bom, que me deu aula de cavaquinho chamado Delço do Bandolim, esse cara era considerado fenômeno, tocou na banda Som Brasil, no Grupo Pirraça, no Grupo Raça e ali, com 15 anos de idade me despertei para a música. Meu padrinho era músico, inclusive tinha uma banda e foi ele que me despertou para a música. Comecei a tocar no Morro da Providência onde acompanhamos, Marçal, Jovelina Pérola Negra,  Zeca Pagodinho, Almir Guineto, João Noguira e tantos outros gandes cantores do samba brasileiro. Posso bater no peito e dizer com orgulho: Acompanhei o João Nogueira no Morro da Providência, quando tocava no Grupo Oitava Cor que você trouxe pra cá com o nome de Os Dez do Rio. Com esse grupo viajamos por Minas Gerais, São Paulo até vir pra cá, daqui fomos tocar em Guajará e Guayaramerim, Acre enfim.  

Zk – Como foi que você resolveu ficar em Porto Velho já que os demais do grupo voltaram para o Rio de Janeiro? Marquinho – Posso dizer que poderia estar até melhor no Rio de Janeiro porque lá toquei com o Xande do Revelação. A gente tinha um grupo de pagode chamado “Pagode do Ciepe” na praça Seans Pena na Tijuca, era Eu, Xande, Mauro Júnior que hoje tá no Revelação também e então se eu ficasse mais um pouquinho acho que hoje estaria tocando com eles, gravando e fazendo sucesso .

  Zk – E Porto Velho? Marquinho – Deus me trouxe pra cá, porque aqui é uma cidade boa de viver. O que eu pensava alcançar lá,  alcancei aqui. Deus quis me dar esse sucesso, aqui em Porto Velho não o sucesso nacional. Aqui em Porto Velho no estado de Rondônia, Acre e toda região Norte conhece Marquinho do Cavaco. Se Deus quiser, creio que ele vai levar nosso trabalho mais além.

  Zk – Você é casado com uma carioca ou rondoniense? Marquinho – Não casei, sou amigado com uma rondoniense.

  Zk – Hoje você voltou a tocar na noite, mas, teve uma época, que você tocava só nas igrejas e em festas evangélicas. Fala sobre essa fase? Marquinho –  Há cinco anos a coisa estava difícil e então resolvi me tratar. O ser humano tem que ter essa consciência, depois ele volta. O pagode não vai acabar, a cerveja não vai acabar, mas a gente vai voltar sã, sabendo o que está fazendo e há cinco anos, parei  de tocar na noite, porque achava que o que estava fazendo, alegrava as pessoas e estava me prejudicando, eu era um homem infeliz. Então montamos um grupo Gospel de Pagode. Gravamos um CD.  Eu como vocalista e cavaco, Júnior irmão do Nilson do Mistura Brasileira, Israel que também era do Mistura, o Melsinho Batera e o Cláudio Pandeirista. Minha convenção pra Deus foi muito legal, porque consegui através da palavra de Deus da minha libertação, muitas pessoas começaram a se juntar comigo. Hoje to no meio do pagode, mas, creio que as pessoas que estão ali se matando de fazer coisas erradas eu tô sempre levando o evangelho. Não sou aquele crente chato que exige que a pessoa tem que fazer logo, eu demorei dez anos para me conscientizar que tinha que sair disso. Que tenho um dom que Deus dá, que poucos têm, que é cantar  e tocar.  

  Zk – O grupo tocava só nas igrejas? Marquinho – Nós tínhamos um Projeto, “Resgatando Vidas” que nasceu no Caicó no Areal. Começou no Mandacaru, depois fizemos no 14 BIS que é clube da Aeronáutica.

  Zk – Por falar nisso, quais os grupos que tocam pagode gospel e fazem sucesso nacional? Marquinho – Temo “Valente de Davi”, tem um grupo baiano que toca muito, tem o Salgadinho, Vaguinho que foi dos grupos Os Morenos hoje canta e é Pastor na Assembléia de Deus.  

Zk -  Você sofre preconceito tipo: “Esse cara diz que é evangélico e está aí tocando na noite”? Marquinho – Tem o preconceito ao contrário. Eu ser evangélica e tocar pro mundo, não tem preconceito. Agora eu tocando no mundo e tocar na igreja já tem o preconceito. Deus diz no Salmo 150 que todos os ritmos são dele. Ele não escolheu nem ritmo nem cor e gênero nenhum. Agora ele distribui da forma dele, temos só que obedecer.  

Zk - Quanto tempo faz que você voltou a tocar na noite? Marquinho – Vai fazer um mês que estou na noite, tocando na casa de show “Garagem” e vamos continuar no Habibe que inaugurou no último sábado.  

Zk – Qual a diferença entre o samba e o pagode? Marquinho –  O pagode é uma coisa mais “melosa” – “Eu te amo meu amor...” “Vou morrer se você me deixar”. Já o samba é mais versado, é coisa do morro, é muito mais gostoso até pra dançar é uma coisa que bate no cidadão e fica. Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Toninho Gerais, Martinho da Vila, Diogo Nogueira, Beth Carvalho, Alcione é coisa que a galera curte. Essa gurizada parece que tem medo de cantar Cartola.  

Zk – Tem algum projeto em andamento? Marquinho – Tem sim, estamos selecionando repertório para gravar um DVD com samba de mesa ou pagode de mesa como queiram, que deve ser gravado lá no “Garagem”. Minha intenção é utilizar sambas de autores locais como Silvio Santos, Bainha e outros.

  Zk – Para encerrar. Qual o telefone para contratar o Marquinho do Cavaco ou Marquinho de Jesus? Marquinho – Pra contratar o Marquinho do Cavaco pode ligar no 9301-5284 falar com o Jerry Luiz  Ribeiro o amigo empresário e advogado. Estamos as sexta feiras a partir das 21h30 no Garagem e aos sábado a partir do meio dia, no Habibe.

Por Pollyanna Mattos

Com informações do jornal Rondônia Dinâmica

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