Maurício Soares escreve texto em que observa a ExpoCristã

Maurício Soares escreve texto em que observa a ExpoCristã

Atualizado: Terça-feira, 2 Outubro de 2012 as 3:26

Todo ano é sempre a mesma coisa! Chega o mês de setembro e o mundinho gospel entra em polvorosa! As gravadoras correm para cumprir os prazos. As editoras se mobilizam para ter o maior número de lançamentos. Lojistas de todo o Brasil arrumam suas malas para dias de intensa negociação e muita informação. As mídias preparam-se para fazer o maior número de entrevistas, registros, contatos. E o povo do cenário artístico gospel veste sua melhor roupa e penteado para enfrentar os 6 dias de Expo Cristã.

Já faz um tempo que venho matutando sobre o que falar a respeito da Expo. No ano passado dei dicas ‘salvadoras’ para quem se programou em destacar-se em meio a turba de aspirantes ao estrelato. Neste ano, muitas solicitações neste sentido também foram feitas a mim nas últimas semanas. Confesso que andei pensando em algumas novas dicas e prometo que elencarei algumas delas aqui neste texto. Mas antes disso quero só fazer um rápido comentário sobre a participação dos artistas na Expo Cristã. Prepare-se!

Naquele pavilhão quente (disseram que nesse ano seria mais confortável, vamos aguardar e orar para que seja verdade!) do Anhembi nos deparamos com todo tipo de gente. Temos os crentes de terno, Bíblia embaixo do braço como se estivessem a caminho de um culto dominical. Temos a turma black music paulistana com seus penteados arquitetônicos a la Niemeyer, com suas roupas descoladas, óculos escuros (mesmo que à noite) e seus cumprimentos efusivos da turma do Bronx da Vila Matilde. Há também os mudernos com suas roupas da década de 70, tudo meticulosamente largado, relaxado, vintage. Aqueles óculos de aros grossos com lentes enormes para bochechas míopes, sem falar nos cortes de cabelos e as barbas Los Hermanos de 8 dias.

Temos as hordas de fãs pentecostais correndo atrás de toda e qualquer cantora do reteté para tirarem 843 fotos nos mais variados formatos e poses. Nessa turma temos uma profusão de subestilos: os fãs que sonham um dia ser cantores, os fãs que brigam por seu artista no melhor estilo Marlene x Emilinha, os fãs que ficam acompanhando o tempo todo o artista durante a feira, e tem também uns rapazinhos que ainda não foram devidamente bombardeados pela testosterona em doses saudáveis e vivem uma dicotomia muito esquisita em se tratando de um ambiente cristão.

Temos ainda a turma que curte tudo de Israel e que fica andando de quipá pela feira com uns berrantes de chifres de ovelha. Também merece destaque a turma do “Tem Algum Brinde Pra Mim?”, também conhecidos como catadores de sacolas, canetas e chaveiros. E como deixar de falar da turma do Hip Hop com aqueles colares enoooooooooooormes da Rua 25 de março, com aquelas bermudas enoooooooooooormes, aquelas camisetas enoooooooooooooormes e aquela marra de gangster do Brooklin da Zona Leste paulistana. Fala mano!

Tem também aquelas pessoas que assistem a todos os shows, pocket shows e entrevistas. Não importa se o artista é pentecostal, pagodeiro, metaleiro, funkeiro, sertanejo, engolidor de fogo, trapezista … o importante é participar. E em meio a essa fauna toda, temos os artistas. A Expo é bem democrática! Ela abre espaço para o mega-ultra-power-artista e também para o iniciante. Entre os artistas temos os populares, os pop stars, os esforçados, os “atendo qualquer mídia”, os postulantes a chamar a atenção de uma gravadora, os independentes, os alternativos, os cara de pau.

Os populares são os artistas que têm um quê de político. Beijam a mão de senhoras, autografam papel de bala, tiram fotos com todo mundo, riem das piadas de todos, estão sempre disponíveis e dedicam-se integralmente aos 6 dias de feira. Na verdade, alguns devem até morar num daqueles stands para não correr o risco de perder alguma coisa na Expo. Os pop star são aqueles que por onde passam arrastam multidões como se fossem trios elétricos no carnaval da Bahia. Geralmente são escoltados por fãs, às vezes por seguranças e pela equipe de profissionais da gravadora. Estes não passam mais do que 2 dias na feira, às vezes, apenas algumas míseras horas. Chegam, sorriem, tiram as fotos, cumprimentam algumas pessoas, atendem algumas mídias e somem! Muitos destes pop stars apenas aparecem na Expo quando estão com algum lançamento, quando não são a prioridade da vez, sequer pisam naquele lugar!

Os esforçados são aqueles que já estão numa gravadora mas ainda não atingiram o nirvana do sucesso estrelar. E então, precisam trabalhar muito! Fotos, entrevistas, conversas, fotos, entrevistas, pocket shows … a maratona é intensa e estes seguem na labuta com o mesmo sorriso Colgate pelos 6 dias de feira. Temos aqueles que atendem a todas as mídias não importando se é a Rede Super ou uma rádio web, se é a Rede Gospel ou um boletim informativo de uma pequena igreja de Tremembé. O importante é estar na mídia! Existem também os “romeiros”, aqueles cantores com uma sacola cheia de CDs promocionais, bonés, releases, cartões de visita e muita esperança de ter pelo menos uns 2 minutos de atenção de algum profissional de uma gravadora. O périplo começa pelas maiores gravadoras … não tendo muito sucesso, o cantor vai de encontro às gravadoras medianas e no fim, apela para qualquer possibilidade de uma parceria de distribuição.

Na feira também destacam-se os artistas independentes que investiram seus recursos para montar um stand próprio. Geralmente estes stands são uma profusão de imagens do mesmo CD, fotos do mesmo artista e durante as 24 horas dos 6 dias, um único CD é executado (coitado dos vizinhos!!!!!!) tornando qualquer música um mantra sem fim! Nestes stands, toda a família e amigos costumam dar uma força ao artista e revezam-se distribuindo panfletos e tentando convencer alguém a comprar um CD. Temos ainda os alternativos que buscam chamar a atenção do meu amigo Baruk da Salluz e ficam concentrados próximos ao stand da gravadora. É muito interessante essa cena! E tem, claro! A turma cara de pau que canta para uma enorme platéia de 2 pessoas como se estivessem em plena Apoteose. Vergonha alheia purinha!

Mas se você se encaixa ou não no perfil destes artistas que mencionei, de qualquer forma poderá aproveitar algumas das dicas formuladas por alguém que está desde a primeira edição da Expo Cristã, ou seja, nada mais nada menos do que 10 anos de expertise.

Pegue o mapa da feira e encontre os stands que mais lhe interessam. Trace a sua rota, a sua lista de prioridades. Otimize ao máximo o seu tempo!

Informe–se quem é a pessoa que está designada no stand para atender aos artistas. Não adianta ficar conversando com o estoquista sobre o seu trabalho, descubra quem é o BOSS!

Não fique com aquela cara de cão abandonado olhando para o BOSS querendo atenção. Ele nunca vai te chamar para conversar! Com educação, mas firmeza, apresente-se e fale rapidamente de seu projeto. Não espere que ele te dê toda a atenção do mundo porque geralmente na feira é só receber o CD em mãos, um sorriso e tchau! Então, não seja o chato querendo mais atenção do que pode realmente receber naquele momento.

Não aborde o BOSS no banheiro! CD só deve ser entregue no stand.

Não aborde o BOSS no restaurante! Deixa o homem almoçar – mesmo que seja aquela gororoba tradicional da feira!

Não queira apelar para o sentimentalismo de novela mexicana! Não adianta falar que pegou dinheiro emprestado do tio para gravar o CD! Que andou 48 horas de ônibus até São Paulo ou de que Deus tem uma promessa para sua vida! Esse tipo de história já foi muito usada por outras pessoas!

Aproveite as mídias presentes para divulgar seu projeto. Mas não fique na fila como aquelas cantoras do Congresso de Camboriu, se possível, contrate um produtor para agendar sua entrevistas nas mídias. E, importante! Não atrase! O horário marcado deve ser obedecido com máxima responsabilidade.

Apenas entregue um CD ou DVD, nada de bonés, chaveiros, camisetas, banners, posters, curriculum vitae, atestado de bons antecedentes, nada consta do Serasa e afins.

Não crie um personagem para si! Nada de querer aparentar o que você não é! Não precisa alugar smoking e também não cabe purpurinas, plumas ou qualquer outra produção estranha para chamar a atenção sobre sua pessoa.

Se possível, procure agendar um horário com o BOSS. Assim talvez ele possa te dar mais atenção.

Não entregue o CD para o BOSS na terça e retorne na quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, na hora do desmonte do stand … perguntando: E aí? Ouviu meu CD?

Não peça para ouvir o seu CD com carinho, ok?

Se você é pai de um talento mirim, por favor, NUNCA peça para seu filho cantar para as pessoas, mesmo que seja o BIG BIG BIG BOSS!

Não se esqueça do desodorante sempre sendo renovado e também daqueles chicletes sempre à mão! Importantíssimo!

NINGUÉM consegue ouvir o CD na hora! Não tente isso! Não mesmo!

Muito cuidado com os despachantes de feira! Você não precisa de “amigos” para te apresentar a este ou aquele BOSS. Já soube de gente cobrando para apresentar artistas a gerentes de gravadoras. Isso é simplesmente o fim!

Roupa confortável! Sapatos confortáveis. Nada de salto 15 para andar naqueles corredores de carpetes … tombos costumam acontecer!

Pense que sua vida não acabará se nada der certo na Expo. A contratação por uma gravadora é um processo lento! O mundo não acabará na segunda-feira (eu acho!).

Acho que é isso! Se eu me lembrar de mais alguma dica, certamente retornarei numa sessão extraordinária nos próximos dias. Aproveite a Expo Cristã e se gostar deste texto, aproveite e divulgue para mais pessoas, afinal eu creio que os meus 44 leitores também entraram em GREVE e me abandonaram.


por Maurício Soares

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