"A música gospel precisa se renovar", diz Maurício Soares

"A música gospel precisa se renovar", diz diretor da Sony Music Gospel

Atualizado: Terça-feira, 20 Agosto de 2013 as 6:54

"A música gospel  precisa se renovar", diz diretor da Sony Music GospelRenovação. É disso que a música gospel brasileira precisa, segundo Maurício Soares - diretor do selo gospel da Sony Music no Brasil. E já não é a primeira vez que o também jornalista e publicitário alerta para esta necessidade. 
 
Segundo ele, muitos profissionais da área estão correndo o perigo de ficar sempre "batendo na mesma tecla" e alcançando os mesmos resultados que já haviam alcançado tempos atrás.
 
O recado foi dado em um dos textos publicados em seu blog "Observtório Cristão". No artigo, Maurício fala sobre suas reflexões a respeito da música cristã, que surgem em conversas com seus bons amigos, como Leonardo Gonçalves.
 
Um dos pontos abordados por Maurício em seu texto é a quantidade de músicas com letras "paranóicas" que se encontram disponíveis atualmente.
 
"A quantidade de músicas tratando do tema “perseguição” foi assustadora! É impressionante como o crente, o pentecostal em especial, tem mania de perseguição! É um tal de “aquele que te humilhou”, “te jogou pra baixo”, ”que torceu para sua derrota” e coisas do tipo, realmente são assustadoras! Quando não é perseguição é o tal do inimigo. E como  crente tem inimigo (!?!!) e olha que nem sempre é o diabo, pode ser seu vizinho, parente, irmão ou cunhado, uma coisa!!!!!", escreveu.
 
Confira o texto na íntegra logo abaixo:
 
Ainda temos muito a trabalhar pela (boa) música gospel no Brasil
"A música gospel  precisa se renovar", diz diretor da Sony Music Gospel
Existem algumas pessoas que me dão muito prazer pela companhia principalmente pela oportunidade de gerar um bom e elevado nível de conversa. O cantor Leonardo Gonçalves é uma destas raras pessoas que faço questão de parar para ouvir suas observações sobre o mundo que nos cerca. Leonardo é uma pessoa de rara sensibilidade, de uma cultura enorme e a experiência de ter vivido por muitos anos fora do Brasil o que proporcionou a ele uma visão bem diferente sobre as coisas.
 
E num destes deliciosos bate papos em sua última visita na gravadora falamos a respeito da força da música e de como há milhões e milhões de pessoas nesse segmento evangélico que simplesmente mantém-se alheias às novidades, tendências e lançamentos do mercado fonográfico cristão no país. Contei-lhe de minha experiência pessoal frequentando uma Igreja Presbiteriana com centenas de jovens e adolescentes, uma igreja extremamente musical, de classe média, pessoas descoladas, mas que simplesmente vivem à margem do que vem acontecendo no meio evangélico nacional. E assim como acontece na minha igreja local, presbiteriana, existem milhares e milhares de outras comunidades do país que simplesmente desconhecem nomes como Thalles, Damares, Mariana Valadão, Leonardo Gonçalves, Raiz Coral, Elaine de Jesus e outros medalhões do cenário gospel.
 
Ainda no papo com Leonardo falamos do fenômeno Adele, maior vendedora de música no mundo atualmente. De como com uma música tocada com o simples acompanhamento de um piano, uma jovem inglesa, gordinha, branquinha, tímida, com vestidos recatados tornou-se a maior artista do século não só na Europa, mas também na América. Uma das nossas conclusões é de que Adele atendeu a uma demanda de consumidores que simplesmente estavam por anos e anos “órfãos” sendo submetidos aos bate-estacas de Rihana, Lady Gaga, Beyoncé. Com Adele, esse público consumidor saiu de suas cavernas e passou a curtir um som e uma artista que há muito tempo não tinham acesso.
 
Quando falamos que há um enorme público evangélico no Brasil sem consumir Cassiane, Damares, Lauriete, Daniel e Samuel, Diante do Trono, Fernanda Brum ou Bruna Karla, constatamos dois aspectos para tal fato. O primeiro é justamente a incapacidade que as gravadoras do segmento gospel ainda possuem de atingir diretamente esse público ”escondido nas cavernas”. Ou seja, as estratégias de marketing, de ativação, de divulgação precisam ser realmente repensadas. Não dá para pensar e agir automaticamente porque dessa forma, vamos apenas atingir os mesmos públicos e teoricamente manter os mesmos resultados.
 
Em segundo lugar, a música gospel precisa se renovar imediatamente! Infelizmente temos poucos artistas do gênero gospel com propostas diferenciadas. Temos uma profusão de clones de Cassiane, Aline Barros, Hillsong, entre outros e mesmo os modelos originais carecem de uma renovação, um reinventar-se de si mesmo.
 
Outro dia resolvi fazer uma limpeza em minha estante de CDs no escritório e como numa espécie de força-tarefa decidi ouvir 20 álbuns dos mais de 1.000 que tenho em minha sala. A quantidade de músicas tratando do tema “perseguição” foi assustadora! É impressionante como o crente, o pentecostal em especial, tem mania de perseguição! É um tal de “aquele que te humilhou”, “te jogou pra baixo”, ”que torceu para sua derrota” e coisas do tipo, realmente são assustadoras! Quando não é perseguição é o tal do inimigo. E como  crente tem inimigo (!?!!) e olha que nem sempre é o diabo, pode ser seu vizinho, parente, irmão ou cunhado, uma coisa!!!!!
 
Outro tema recorrente nas músicas é “vitória”, “conquista”, “restituição”, “me dá o que é meu”, como se o crente fosse merecedor de viver o céu já aqui na terra, numa espécie de degustação celestial ou uma espécie de super homem capaz de derrotar todos os problemas de uma vida cotidiana. Entre os CDs que passei a ouvir naquele momento, nenhum me trouxe alívio e alento em ouvir algo novo e diferenciado. Confesso que há um bom tempo não sou surpreendido por um artista no meio gospel.
 
Recentemente estive num festival de novos talentos em Salvador, Bahia, como jurado. Tive o trabalho de assistir à apresentação de 20 bandas finalistas entre mais de 170 inscritas no concurso, durante um dia inteiro, e no fim cheguei à conclusão de que um passeio pela orla soteropolitana teria sido bem mais proveitoso naquele dia. Efetivamente nenhuma banda presente conseguiu apresentar algo de novo, que chamasse a minha atenção. E isso não é um fato restrito à Bahia ou àquele festival, mas é algo recorrente pelas outras cidades do país. A música gospel no país precisa urgentemente ser atingida pelos ventos da inovação e criatividade!
 
Muito mais do que atingir ao público não-evangélico, há uma enorme população cristã no país que não consome música gospel. Estas pessoas são hoje o maior desafio dos artistas, compositores, mídias e gravadoras! Como meta pessoal em 2012 quero de alguma forma atingir esse público com novos projetos, produtos, propostas, estratégias. Como profissional do mercado já identifiquei essa enorme demanda não atendida. Agora cabe aos músicos que fazem parte desse segmento no país, ampliarem seus horizontes para atender a esta enorme parcela sedenta pela boa música. Mãos à obra!
 
Mauricio Soares, publicitário, jornalista e neste momento ouvindo os novos trabalhos de Daniela Araújo, Fireflight, Michael W Smith, Paulo César Baruk e Casting Crowns.
 
Com informações de Observatoriocristao.com 
 

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