Palavrantiga: Sem pretenção, as composições foram assumindo lugar nos cultos e nos barzinhos

Palavrantiga - músicas tocadas nos cultos e nos barzinhos

Atualizado: Sexta-feira, 11 Janeiro de 2013 as 11:34

 

Com o cantor Bruno Mars na capa, a edição 37 da revista Billboard Brasil traz uma entrevista com Marcos Almeida, da banda Palavrantiga.
 
Na entrevista, o foco é a livre circulação da banda entre o gospel e secular.
 
"A facilidade que o nosso som tem de transitar nesses circuitos deve-se ao conteúdo humano, estético, espiritual  e poético do nosso fazer artístico – ou seja, aspectos reais anteriores ao mercado", explica Marcos Almeida.
 
Sobre o real estilo musical da Palavrantiga, o músico responde: "Não fazemos da nossa mensagem um fator de distinção estilística, utilizamos parâmetros musicais para fazer distinções musicais. É por isso que nos sentimos mais a vontade com o termo 'rock nacional'"
 
Embora a banda consiga transitar entre o gospel e o secular, Marcos reconhece que ainda há barreiras a serem derrubadas.
 
               Palavrantiga
 
"A maior contradição a ser vencida pelos líderes cristãos fica evidente quando vamos definir os limites e as possibilidades neste processo de aproximação do Templo com a Rua. Como a Igreja deve se relacionar com a cultura? Ninguém sabe muito bem. A força de um mercado religioso interno impõe respeito – embora ainda engessado, como você colocou, ele é muito rentável. Mas será que exportar as vivências do templo para a rua é o melhor caminho? Tenho receio de que tudo isso se torne banal, artificial e sem o mistério precioso que envolve a experiência comunitária", expõe, "o que fazemos é buscar respeitar a soberania dessas duas esferas e o modo de ser de cada uma delas."  Não transformar o palco num púlpito, nem fazer do púlpito um palco. Essa é a regra."
 
"Fomos presenteados com muito carinho vindo de toda parte", celebra o músico ao responder sobre como é aceitação das músicas por todo o tipo de público. "Lembro da primeira vez que tocamos juntos em Belo Horizonte. No final, um amigo chegou perto e disse: “Marquim, essa música que você fez dá pra tocar no culto e no boteco aqui em baixo!” hahaha. Rimos até! Mas, ele acabou sendo um tipo de profeta, vamos dizer assim, porque sem querer, sem planejar, sem pretensão alguma, as composições foram indo e assumindo lugar na trilha sonora de rádios religiosas e não religiosas, nos cultos e nos barzinhos."
 
Nas referências musicais da Palavrantiga, Marcos Almeida diz que no novo álbu, 'Sobre o mesmo chão', é possível encontrar Jorge Ben Jon, U2, Sigur Rós, Nelson Cavaquinho, Morais Moreira, Bon Iver e até Beethoveen.
 
A banda Palavrantiga não usa chavões evangélicos para passar uma mensagem em uma música. Almeida explica como isso é possível. "Acredito que estamos cantando em português brasileiro aquilo que se cantava apenas em evangeliquês tupiniquim. Estamos mostrando que é possível essa tradução. Dizer que realidades especificas na vida daquele que experimenta a Boa Nova só podem ser expostas em linguajar evangélico não é verdade. A língua que usamos é a língua da rua, da literatura e da poesia – que em muito se aproxima da linguagem religiosa pois também trata do mistério, do invisível e da alma."
 
 
com informações de Nossa Brasilidade
 

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