PG: A minha prioridade é Deus

PG: A minha prioridade é Deus

Atualizado: Sexta-feira, 5 Março de 2010 as 12

A importância de trilhar o caminho para a eternidade. Essa é ideia que o cantor PG quer ressaltar em seu novo trabalho ''A Conquista''. Após o sucesso do álbum ''Eu Sou Livre'', gravado ao vivo, no ano de 2007, na Igreja Bíblica da Paz, em São Paulo (SP) e contendo hits como as músicas ''Meu Universo'', ''Vou Passar Pela Cruz'', ''Quem Sou Eu'', entre outros o roqueiro traz inúmeras novidades neste lançamento.

Em entrevista exclusiva ao Guiame.com.br , o cantor falou abertamente sobre a história do tema deste CD, a sua passagem pelo Oficina G3 e até revelou ''segredos técnicos'', relacionados aos ensaios e às gravações de seus trabalhos.

Confira a entrevista, na íntegra:

Guia-me: O novo CD tem um nome forte ''A Conquista''. Como surgiu a ideia de colocar esse tema no disco?

PG: A ideia do CD veio, na verdade de um sonho que eu tive. Não foi um sonho de falar assim: ''sonhei acordado''. Não! Eu estava dormindo. Foi um sonho muito real. Foi até meio longo. Nesse sonho eu estava numa guerra, num verdadeiro campo de guerra com a minha esposa e ajudando os feridos dessa guerra. Tinham muitas crianças perto de mim, machucadas... e eu vendo aquilo no sonho, senti aquilo como a pregação do evangelho, cuidar das vidas , cuidar das ovelhas, amar as pessoas e teve um momento que estourou uma bomba bem ao nosso lado. Eu olhei para a minha esposa e disse: ''Eu sei que agora é o momento que Deus está nos chamando''. A gente olhou um para o outro e falou: ''Que o Senhor nos guarde''.

Naquele momento foi tudo muito rápido. Eu apareci num lugar maravilhoso e discerni aquilo como Céu e tinha uma recepção e tudo era feito de mármore, as coisas mais bonitas, muita beleza, muito brilho. Eu cheguei nesse lugar e vi na recepção um livro com folhas que também eram de mármore, mas muito finas, então só de soprar as folhas já levantavam. Nessas folhas havia algumas fotos e quando eu olhei, tinha uma foto minha, do jeito que eu sou, só que já com mais idade e eu vi o meu nome naquela foto. Eu continuei andando por ali, como seu eu tivesse liberdade para fazer isso e encontrava pessoas que aparentemente eu conhecia, mas não consegui discernir nomes. Eu me alegrava com o que eu estava vendo: eram coisas maravilhosas. De repente eu fui levado até uma porta que se abriu e, do lado de fora dessa porta havia um espaço muito grande, aberto... era um tipo de quadra de esportes, mas não era coberto e nesse lugar havia muitas pessoas andando, conversando, mas de repente todo mundo sumiu, ''evaporou'' e ficou só uma criança no meio da quadra: era a minha filha, Hadassa. E eu olhava para ela a ouvia, enquanto ela brincava, sozinha, conversando, mas ela não podia me ver, nem me ouvir. Eu falei para algumas pessoas que ouviram sobre esse meu sonho, que não tem nada de sonho espírita. Ninguém estava me ouvindo ali. Mas eu estava vendo e ouvindo a minha filha. E naquele momento me aparece uma pessoa muito mansa, calma e a reconheci como Jesus Cristo, mas eu não via o rosto dele, ele estava sempre ao meu lado. E ele falava para mim com aquela voz suave: ''Está vendo a sua filha? O sentimento que você tem por ela é o sentimento que você tem que ter pela humanidade. Esse é o sentimento que eu tenho pelos meus filhos''. Nessa hora a minha filha virou o rosto como se olhasse para mim e Jesus me perguntou: ''Você ensinou qual é o caminho que ela deveria andar? Porque você já não está mais com ela. Será que agora ela sabe para onde tem que ir ou está perdida no meio do caminho?''. Aí eu parei e pensei um pouco e ele falou: ''É assim que muitos filhos meus estão se sentindo porque o evangelho não tem sido pregado da forma correta''. E naquele momento eu acordei, chorando muito.

Eu praticamente não lembro o que eu sonho, mas esse sonho foi muito real, porque eu lembro até agora. Exatamente agora, enquanto eu falo com você, lembro de muitos detalhes, porque é muito real para mim. E eu acordei também com essa palavra na cabeça: ''A Conquista'', ''A Conquista da Eternidade''. Isso soava na minha cabeça por causa daquilo que Jesus tinha dito para mim. Eu pensava: ''Preciso pregar o evangelho! Preciso mostrar verdadeira Palavra de Deus para as pessoas! Preciso pregar o céu, a verdade! No outro dia, começou a esquenta no meu coração, a ideia de fazer um trabalho totalmente voltado para esse tema: a conquista do céu e não apenas aquilo que a gente está conquistando aqui na terra... que a traça e a ferrugem vão comer. Mas existe um paralelo muito grande nisso: para a gente plantar no céu, é preciso plantar na Terra. A conquista da eternidade começa na Terra e essa é a grande ''loucura'' que muita gente não consegue entender. A gente não precisa esperar chegar no céu para conversar com Deus. Lá a gente vai ser julgado, né? O tempo do amor, da graça, da misericórdia é agora e a gente tem que ensinar isso para as pessoas e foi de onde surgiu a ideia do tema ''A Conquista''.

Eu queria um CD todo voltado para esse lance. Eu conversei com o Adilson, que é o produtor da nossa capa, da arte e expliquei tudo para ele. Logo depois do sonho eu tive essa ideia de fazer uma capa com uma escada subindo até o céu, só que queria um lugar onde tivesse um mar revolto, alguma coisa que mostrasse as tribulações dos momentos do dia-a-dia até chegar àquele lugar... o Céu se abrindo, você vê alí em volta, como se fossem Águias voando, dando aquela conotação de que nós subiríamos alto como as águias e que nossos olhos veriam também, assim como as águias... Muitas coisas foram surgindo, assim como também o lance do mapa dentro do encarte, que eu queria que fosse realmente dircionado como a Bíblia, com aquele mapa eu encontrei a direção certa, aonde chegar. Tudo partiu do lance desse sonho e eu queria mostrar a questão da conquista. Todo o CD, inclusive a parte do encarte, quando você o pega na mão, ele tem toda uma história. A arte gráfica do CD se completa com o lado da música, é tudo junto. Não é só um encarte legal ou uma foto bonita. Ele se entrelaça como um todo. Explicando para as pessoas essa questão da conquista. Cada música fica como se fossem passos numa caminhada até o final da história que onde o Céu se abre e você descobre o verdadeiro caminho e começa a andar por ele, apesar de ser um caminho às vezes tortuoso, difícil ali, em alguns momentos, a escada ali, cheia de lodo, meio rústica... A gente passa por dificuldades, mas o céus estão abertos, esperando para que a gente possa viver a eternidade com Cristo.

Guia-me: Apesar de você já ter lançado o CD ''A Conquista'', a música ''Meu Universo'', do álbum ''Eu Sou Livre'' ainda é muito pedida em várias rádios do Brasil, né? Como você explica isso?

PG: Eu tenho certeza que essa música ''dividiu'' o nosso trabalho. A gente já vinha caminhando, desde o ''Adoração'', em 2004, quando a gente resolveu seguir essa direção de Deus e partir para esse novo projeto. Teve músicas desse primeiro CD, como a Faz Chover, que foram muito bem tocadas e depois veio o ''De Um Lado a Outro'', mas o ''Eu Sou Livre'', quando a gente lançou esse CD tinha algo de Deus, muito especial ali e isso eu não consigo explicar, mas o que eu sei é que estamos sempre caminhando em direção à vontade de Deus e fazendo a vontade dEle. então a gente deixou as coisas fluírem, foi muito tranquilo, muito livre, muito limpo e muito sincero o trabalho do ''Eu Sou Livre'' em relação ao fato de ser ao vivo. A gente gravou um álbum ao vivo mesmo! Não tem fake de voz ali, ninguém colocou overdub de voz no estúdio. O que eu cantei, está lá no CD. A bateria está lá, o teclado também. Algumas coisas de guitarra, a gente teve que refazer, porque acaba desafinando, não tem como... guitarra é um instrumento que trabalha muito com afinação e ao vivo, então... não é igual o baixo, que só desafina se ficar puxando as cordas. Então as guitarras foram uma parte que a gente refez uma parte dos solos, mas tinha aquela verdade. E a música ''Meu Universo'' mostra isso. Apesar de ser outro compositor, a gente passava a verdade dessa música, porque a gente acreditava naquilo.

Essa música vem representar isso: ''Que sejas o meu universo... eu quero dar o tempo todo da minha vida''. Naquele DVD, naquele momento, a gente representou aquilo. Eu acho que por isso essa música teve um apelo tão forte e alcançou tantos lugares e eu fico feliz, porque a gente é um ministério novo. Apesar do PG ser uma pessoa conhecida desde a época do G3, como um vocalista conhecido no meio evangélico há mais de 10 anos, a gente ainda é novo, a gente vai pra sete anos agora . O PG abriu mão de tudo. Eu não tenho uma música minha, que seja da minha fase de banda com o G3. Eu quis levar realmente algo novo para as pessoas, que Deus tinha me dado, acreditei naquilo, sofri por isso e ganhei os louros por isso também. Então quando a ''Meu Universo'' veio e aconteceu daquela forma, veio concretizar um projeto de vida com Deus, que a gente tem buscado, que a gente tem vivido e para a gente foi uma grande bênção. A gente não deixa de toca-la. É uma música que daqui a 10 anos, se eu ainda tiver a oportunidade, a gente ainda vai tocar essa música, porque ela fez a divisão entre o PG do G3 e o PG solo. Essa música marcou uma nova fase: ''O PG com uma carreira solo''. Muitos falavam: ''É o PG do G3''. Ainda tem isso, porque as pessoas sempre têm que associar alguém a alguma coisa. Mas agora as pessoas olham e falam: ''É o PG da música 'Meu Universo''. Isso é muito bom! Fico feliz, mas isso também traz a responsabilidade de lançar um CD muito bom, assim como foi com o CD ''A Conquista''. Você tem que trazer um CD na mesma leitura, no mesmo nível.

Guia-me: E existe neste novo CD alguma ''candidata'' ao sucesso que a música ''Meu Universo'' fez e ainda faz pelo Brasil?

PG: Rapaz, eu não vou falar isso, porque eu nem imaginava que a ''Meu Universo'' viraria uma música de trabalho do meu CD - apesar de uma das letras que eu mais gosto desse CD - mas CD é igual filho e música também. Às vezes algumas pessoas falam ''Eu gosto mais desse filho'', mas eu não consigo ver assim. Eu tenho só uma filha, mas eu converso muito com a minha mãe e ela não gosta mais de mim que dos meus irmãos. Eu não consigo entender quem fala que gosta mais de um filho em relação ao outro. Não dá, porque é filho! Foi gerado do mesmo sentimento, do mesmo momento, nasceu da mesma barriga. Mas eu particularmente acho que este CD é o mais maduro da minha carreira. As pessoas que ouvem, pelo fato de ter essa temática da busca pela vida eterna, falando muito sobre isso, não apenas falando do ponto de vista do positivismo, porque é muito bom a gente falar que Deus vai fazer e Deus vai dar - eu creio em tudo isto - mas tem muita gente que não recebeu de Deus aqui na Terra, porque não era o momento, não era da vontade dEle e não deixou de ser crente ou foram para o inferno por isso. Não é por que Deus de repente não ouviu a oração. Mas é difícil a gente dizer esse lance de CD e música que vão fazer sucesso. Particularmente, eu tenho algumas músicas desse CD que eu gosto pelo fato daquilo que elas expressam.

A música ''A Conquista'' mesmo, para mim, é música que eu tenho ouvido, que tem me feito levantar a cada dia e confiar na Palavra de Deus e crer. É o estímulo do meu dia-a-dia. É aquilo que eu cantei, literalmente na música mesmo. ''Não vai ser o seu dinheiro, a fama, as obras que a gente faz, a cura de um enfermo numa cama. O que vai me levar até a presença de Deus, face à face é o fato de eu crer e confiar nEle o tempo todo e, mesmo que Ele não fale comigo aqui na Terra, mesmo que eu me sinta em silêncio com Ele aqui na Terra, eu sei que Ele está olhando por mim e que no momento específico, eu vou encontrar com Ele. Então essa música é uma que eu gosto muito, mas também tem a ''Como a Brisa'', que é o carro-chefe desse CD e tem uma grande chance de ser uma boa música desse CD. É engraçado que nesse disco, a música que o pessoal tem pedido mais é a ''Junto às Águas'', que é a que abre o CD e é um rock, um dos mais pesados desse CD e virou um rock progressivo, cheio de clima, de nuâncias. É uma música que pode dar o que falar, apesar de ser um rock, mas como o Brasil é o país que gosta muito de baladas lentas nas rádios, a ''Como uma Brisa'' é uma música que pode ser bem pedida. Mas eu ainda acho que ''A Conquista'' também vai ficar bem. O único problema é que a música tem mais de oito minutos (risos).

Guia-me: O álbum ''Eu Sou Livre'' foi gravado ao vivo e após a intensa divulgação desse trabalho, você teveque voltar aos estúdios para gravar o CD ''A Conquista''. Como essa ''mudança'' foi sentida por você?

PG: O que é engraçado é que eu na verdade eu não saí do estúdio. A gente não comenta tanto essas coisas porque não tem muitas oportunidades, porque não vem ao caso, mas agora é chegado o momento. O CD ''Eu Sou Livre'' foi gravado em Setembro, mas eu já estava ensaiando esse disco em estúdio e gravando. Eu tenho esse penúltimo traballho todo gravado em estúdio - isso ninguém sabe. Mas eu fiz isso porque eu queria fazer um CD ao vivo. Eu fiz diferente: fui conferir algumas coisas lá fora... até mesmo bandas seculares lá de fora e alguns fazem isso e você vê uma sonoridade diferente no trabalho das pessoas que fazem praticamente um CD em estúdio - ensaiam, gravam, arranjam - e ficam ensaiando dois ou três meses, para que aquilo esteja natural na gravação ao vivo e foi o que eu fiz. Então eu fiquei praticamente todo o ano de 2007 - desde fevereiro até dezembro - em estúdio, porque mesmo após a gravação a gente ficou editando e mixando o CD.

De fevereiro a abril eu montei os arranjos junto com o nosso produtor e amigo, Leandro... escolhi as composições e comecei a gravar com o pessoal da banda. De Abril até junho a gente ficou gravando no estúdio. E de junho até setembro a gente ensaiava até setembro - direto - aquilo que a gente tinha tocado. Então para mim não foi muito difícil, porque eu não voltei para o estúdio depois de dois anos, como a maioria do pessoal imagina. Eu já estava em estúdio o tempo todo. Na verdade eu parei a própria gravação do ''Eu Sou Livre'' para faze-lo ao vivo, voltei para o estúdio, para finaliza-lo e depois fui fazer a turnê dele. Mas a gente sempre está em estúdio. Eu também precisei entrar em estúdio para gravar músicas ''atípicas'' como de um CD de dia das mães, por exemplo ou também o ''Amo Você'' [coletânea de dia dos namorados da MK Music] ou até alguma banda que me convida para fazer uma participação, algum amigo. Então a gente está sempre relacionado com esse lance de estúdio. Eu gosto, inclusive... sou meio ''workaholic'' nessa questão. Quando eu me envolvo com o estúdio, eu esqueço das horas. Só paro mesmo para a minha família, que é prioridade. Mas existe uma diferença de sonoridade entre os dois CD's [''Eu Sou Livre'' e ''A Conquista]. Se você ouve o ''Eu Sou Livre'', ele tem uma sonoridade diferente do ''A Conquista'', porque um foi gravado ao vivo e o outro em estúdio. Se eu pegar essa gravação em estúdio que eu tenho do ''Eu Sou Livre'' e colocar na internet, tenho certeza que muitas pessoas vão falar: ''Ah! Mas o CD não está com a mesma pegada e são as mesmas músicas, só que foram gravadas em estúdio, que e um lugar que não se tem aquela vibração, aquela energia do ao vivo, do público empurrando, não tem aquele feed-back do som, aquela reverberação. Então isso muda, eu senti diferença nisso. Não de melhor ou pior entre um e outro, mas o seu ouvido acaba se acostumando com um som e depois você dá uma mudada. Então em relação a isso, também, tem que tomar cuidado.

Guia-me: Apesar de muitas de suas músicas carregarem um ''peso'', seja pelas guitarras distorcidas, potência vocal ou até mesmo uma levada mais agitada, muitas pessoas comentam nas suas redes sociais ou até mesmo em vídeos do youtube que se sentem tocadas e são levadas a refletir por essas gravações, mesmo tendo um som pesado. Existe alguma técnica especial ou algum cuidado para que isso aconteça?

PG: Eu não faço uma música pensando em agradar as pessoas. Eu não posso fazer uma música pensando em agradar a pessoa ou o estilo dela. Seria muito pequeno da minha parte. Eu preciso fazer algo que vá tocar o coração das pessoas, mas para isso eu preciso me sentir em paz com Deus. Eu preciso fazer algo que vá agradar o coração de Deus e que sintam que o que eu estou fazendo é verdadeiro. Eu não posso fazer um negócio fingido. Como no caso da música ''Meu Universo'': realmente foi a música que mudou o meu ministério. Em relação à execução, ela só perdeu para a música ''Faz Um Milagre em Mim'', gravada pelo Régis Danese. Mas para mim foi uma grande surpresa, porque quando eu ganhei o CD do Adrian Romero - eu não o conhecia - eu comecei a pesquisar mais sobre ele e pensei: ''Nossa! Que ministério bonito''. Eu fiquei chocado com a capacidade que ele tem de fazer as letras. Você vê que é popular, mas também vê a sinceridade dele. Então quando eu fiz a versão da ''Meu Universo'', fiz porque eu achei que devia falar aquilo para as pessoas: ''Estamos precisando dedicar mais a nossa vida para Deus''. Em momento algum eu pensei ''Vou fazer a versão em português dessa música, porque vai mexer com as pessoas''. Quando eu gravei o ''Adoração'' e o ''De um Lado a Outro'' também não pensei nisso e fico feliz por isso, porque se eu começar a pensar assim [fazer música para mexer com as pessoas] vou ficar mais mercenário do que intérprete ou adorador.

Eu sei que tem um lado profissional, comercial e a gente respeita isso. Quando um pastor vai pregar, o que faz diferença é o conteúdo bíblico e não a gravata do pastor, mas ele também não vai chegar na igreja de sunguinha, como se fosse surfar na praia. Mas também ele pode ir surfar de sunga na praia, pregar a palavra pra alguém e essa se pessoa se converte, porque não é a sunga que vai fazer o cara aceitar a Jesus, é a palavra. Tudo tem o seu direcionamento. A pior coisa que tem é você fazer uma coisa que as pessoas gostem, mas você odeie. Vai chegar uma hora que você não vai conseguir ficar mentindo para você mesmo. E quando você for fazer o que você gosta, as pessoas vão falar: ''Mas ele não é assim''. Todas as minhas músicas têm uma mesma linhagem, até mesmo no G3, as músicas que eu compus têm uma linhagem certa, porque é o estilo que o PG compõe, é o estilo do PG de cantar.

Guia-me: Na música ''Do Céu ao Inferno'', presente no novo disco, há uma marcante presença de metais de sopro. Quem teve a ideia de usa-los?

PG: O pessoal até brinca que essa música parece um pouco com os filmes do Batman, mas era para parecer mesmo. Mas a ideia dos metais foi minha mesmo. As loucuras vêm a mim. Então quando está bom, sou eu, mas eu tenho que aprender que quando fica ruim, sou eu também (risos). Eu queria uma ideia de mostrar esse lance da ''metaleira'', porque esse CD dava essa abertura para a gente, por ter um lado meio épico... as músicas têm um lance meio lúdico misturado com o real, um sonho que parece realidade... o CD está embasado nessa história do sonho. Então nesse CD coube colocar algumas coisas nesse nível, assim como a gente colocou uma flauta transversal em duas músicas, tem uma gaita de blues na música ''Paraíso'' (o cara arrebentou naquela gaita). Então eu queria um negócio meio James Bond, um suspense, porque a música fala que Ele desceu do Céu até o inferno, tomou a chave da morte e está entronizado à direita de Deus. Jesus Cristo é o nosso intercessor diante do Pai. Como homem, Ele viveu aquilo que a gente vive. Então eu queria colocar nessa música, alguns momentos mais fúnebres, assim como tem aquele trompete fazendo um fundo também, porque aquele momento é a parte do sofrimento de Jesus. Mas aí ela cresce na hora do solo e volta pro refrão, falando da glória dEle, da randiosidade de Jesus, então eu achei que essa música tinha a ver com o lance da metaleira e são metais de verdade mesmo. Nós colocamos trombones, trompetes... é uma metaleira que parece tema de filme mesmo. Lembra o Batman ou até mesmo o Kojak (pra quem é da minha época), o James Bond. A ideia era fazer um tipo de trilha sonora mesmo nessa música.

Guia-me: E de quem foi a ideia dos arranjos neste trabalho?

PG: Nós fazemos os arranjos juntos. Posso dizer que 60% deles sai da minha cabeça e 60% deles ficam como a gente ouve no CD e outros 40% o Leandro [produtor] me ajuda, a gente faz junto.

Guia-me: Na música Corredor da Morte, você alerta aqueles que estão se esquecendo de Deus por estarem imersos em suas próprias atividades. Você mesmo é músico, pastor, marido, pai... Como é possível arranjar tempo para a sua meditação diária em meio a tantas tarefas e concilia-las de modo saudável?

PG: A gente consegue, cara. Porque, na verdade, quando a gente tem prioridades, a gente consegue entende-las. A minha prioridade é Deus. Quando a gente coloca Deus em prioridade, Ele abre ramificações para que você tenha tempo para as outras coisas. Então dentro dessa priorização de Deus, existe a maior ramificação de todas, que é a família. Então Deus te dá essa capacitação, essa oportunidade de tempo para você ter com a sua família. O tempo que eu procuro ter com a minha família é o melhor possível. Às vezes eu volto cansado de viagem, mas tenho prazer de pegar a minha filha, passear com ela, ir ao culto com a minha família, não só pelo fato de ir à igreja, mas para que nós sejamos ensinados, para que nós aprendamos. Estar na estrada, viajando e pregando é bom, mas alí a gente está doando, chega um momento que a gente precisa parar para receber. Então eu tenho prioridades.

Eu tenho uma vida corrida, mas quando estou em casa, por exemplo, não faço nada relacionado à minha agenda de trabalho, porque estou com a minha família. Quando eu estou passeando, também estou com a minha família. Isso me dá respaldo para continuar e fazer outras coisas. E eu acho que cada um tem uma maneira de viver. Não posso falar que o jeito certo de viver é o meu, sendo um cantor de música evangélica e pregando naquele ou neste lugar. As pessoas têm vidas diferentes. Tem gente que acorda às 6 da manhã e vai dormir às 8 da noite, mas dentro daquele tempo que ele tem, precisa haver prioridade para Deus, para a família dele, para o ministério, o trabalho... tudo tem que vir na dosagem certa. A gente tem que ser ''temperado'', tem que ter os frutos do espírito, tem que ter a visão, o domínio próprio e quando a gente consegue equilibrar essas coisas. Tem meses que a gente tem uma agenda muito extensa, corre demais e acaba tendo menos tempo em casa ou na nossa igreja, mas no outro mês a gente procurar segurar um pouco mais, fazer as coisas acontecerem com mais calma. Eu escrevi essa música pensando nisso. A gente cresce, quer tudo na vida, mas correu tanto para conquistar as coisas, que na hora de desfrutar, a gente tem medo de tudo, começa a se esconder e acaba se escondendo, inclusive de Deus. E a gente também não dá liberdade para que Ele fale e nos ensine a viver. E foi daí que surgiu essa ideia do corredor da morte: a pessoa que corre em direção à morte e também o fato de você ir por um caminho, que te leva para uma corrida que é a morte.

Por João Neto - www.guiame.com.br

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