Reverendo Sérgio Melo - Superintendente da Azusa

Reverendo Sérgio Melo - Superintendente da Azusa

Atualizado: Sexta-feira, 12 Dezembro de 2008 as 12

Ele tem um vozeirão abençoado e muita ginga. Genro do Pr. Rubens dos Santos, um dos fundadores da COGIC (Igreja de Deus em Cristo), no Brasil, o Reverendo Sérgio Melo é um dos ícones da nossa black music. Superintendente do Ministério Azusa, que trabalha na evangelização do povo negro, ele fala sobre as raízes do preconceito na igreja brasileira, da falta de divulgação e de interesse por parte dos empresários pela música negra e das doutrinas racistas disseminadas pelos missionários norte-americanos entre nós. Apaixonado por música, ele diz: "Quem deseja participar de um culto black cheio da presença de Deus, venham ouvir todos os domingos a Banda Azusa e reverendo Sérgio Melo. Há uma unção poderosa de Deus em nossos cultos que tem mudado a vida de muitas pessoas. Somos os primeiros em todo o Brasil a implantar este tipo de culto, onde as pessoas saem cheias do poder do Espírito Santo, além de ouvirem uma boa música e ministração da palavra de Deus". A Azusa fica à Rua Antônio de Barros 461, Buffet Gisely, no Tatuapé, em São Paulo. Confira a entrevista!

Guia-me: Como o senhor avalia a música gospel no Brasil?

Rev. Sérgio Melo: A minha avaliação da música gospel no Brasil é uqe a nossa música é das melhores, haja visto que temos sido referência até mesmo para a igreja católica brasileira. Além de promovermos grandes eventos e premiações musicais, temos ganho vários prêmios de cunho internacional importantíssimos para o cenário brasileiro. Diante de tantas conquistas e realizações, a minha avaliação não poderia ser diferente.

Guia-me: Quais são as diferenças entre o gospel nacional e o norte-americano?

Rev. Sérgio Melo: A diferença é que nos Estados Unidos a música gospel está relacionada à black music e no Brasil todos os ritmos que falam de Deus têm o mesmo tratamento. Em se tratando de black music, existe um grande investimento e apoio de rádios e televisão tornando, assim, um mercado muito interessante.

Guia-me:  Por que a black music não é tão aceita nas nossas igrejas?

Rev. Sérgio Melo: A música negra no Brasil não é aceita em grande parte das denominações, principalmente as tradicionais, devido a seus fundadores terem suas origens em paises historicamente racistas. Grande parte dos missionários americanos sulistas que aqui chegaram após a guerra da secessão introduziram em suas doutrinas, sem fundamento bíblico, um ensinamento segundo o qual tudo o que tem origem africana é demoníaco. Até o dia de hoje em determinadas escolas dominicais ensina-se às crianças que o coração branco é o coração bom e o coração negro é um coração mal. Foi nos ensinado também que os demônios são negros e os anjos do Senhor loiro de olhos azuis, quando sabemos que a Bíblia ensina que o diabo era um anjo e que seu nome era " Lúcifer " ( anjo de luz). Até pouco tempo nem mesmo bateria era permitido nos cultos de igrejas tradicionais. Em função destes e outros ensinamentos que foram ensinados às chamadas igrejas históricas como doutrina, a música negra é vista nos dias de hoje por algumas denominações com uma certa restrição inconsciente, provinda de homens racistas que no passado, sem nenhuma misericórdia, disseminou nas liturgias evangélicas este conceito.

Guia-me:   O que seria preciso para que a black music brasileira emplacasse?

Rev. Sérgio Melo: Jesus diz que não se coloca um candeeiro debaixo de uma cama e sim em um local exposto para que todos vejam. O que falta para a música black gospel acontecer é o surgimento de empresários que invistam em rádio, tv e mídia impressa que promova os cantores, corais e bandas.

Guia-me: Na sua opinião, as igrejas ainda têm preconceito em relação à música negra? Qual é a situação nos EUA em relação a isso?

Rev. Sérgio Melo: Nos Estados Unidos a música black gospel movimenta um mercado bilionário, o que prova que a esse estilo de música é muito ouvido pelo povo de Deus daquele país e muito bem aceita. Todavia, no Brasil, além de um certo preconceito não generalizado, a nossa música não chega aos ouvidos de todos, devido à falta de investimentos nas rádios, tvs e mídia impressa. Eu diria que ,dentro deste universo, existem igrejas que possuem uma certa restrição, não pela igreja em si, mas pelo despreparo de alguns lideres e, por um outro lado, por não terem acesso a este mercado em crescimento.

Guia-me: Como o senhor rebate as alegações de que funk, rap e outros estilos não são apropriados para louvar a Deus?

Rev. Sérgio Melo: O salmista diz que tudo que tem fôlego louve ao Senhor, nada pertence ao diabo, tudo foi criado por Deus, é apenas uma questão de preferência pessoal, todavia, esta preferência pessoal não deve se tornar espiritualizada a ponto de se tornar uma regra através de ações doutrinárias.

Guia-me:  Na sua opinião, quem são os melhores no gospel nacional?

Rev. Sérgio Melo: A rapaziada da extrema periferia, que por sua dificuldade financeira não tem tido oportunidade de mostrar seu trabalho. Não vou citar nomes para não ser indelicado caso me esqueça de alguém, todavia se alguém quiser ouvir black music de verdade, vá às igrejas lideradas por pastores que possuem esta formação, ficarão com certeza maravilhados.

Guia-me: E no internacional?

Rev. Sérgio Melo: Todos os cantores da COGIC, mas é muito bom ouvir Bishop Samuel Moore, Lee Vanzandt, James Moore...

Guia-me:  Por que as igrejas ditas renovadas perderam a tradição dos grandes corais?

Rev. Sérgio Melo: Pura influência do que ouvem nas rádios evangélicas brasileiras no dia-a-dia.

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