Saiba como as gravadoras realizam processo de seleção para o seu cast

Saiba como as gravadoras realizam processo de seleção para o seu cast

Atualizado: Quinta-feira, 12 Maio de 2011 as 9:12

Esta é a primeira de uma série de matérias sobre gravadoras evangélicas, o seu funcionamento e curiosidades do público em geral. Várias gravadoras foram convidados a participar desta matéria inaugural.

Agradecemos ao Maurício Soares (Sony Music), a Ana Paula Porto (Graça Music), ao Thiago Texeira (Salluz), ao Marcelo Toller (Som Livre) e ao Nelson Tristão (Onimusic) pela riquíssima colaboração.

A ordem das colaborações apresentadas aqui foi estabelecida conforme a entrega dos colaboradores.

O tema desta primeira matéria é o processo de seleção de artistas.

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Supergospel - Como funciona o processo de seleção de novos artistas ?

Mauricio (Sony) - Nosso processo foi baseado em análise de performance dos artistas. Buscamos neste primeiro momento de montagem do cast reunir alguns dos principais artistas dos diferentes estilos musicais com maior espaço para as artistas pentecostais.

No caso de contratações de artistas novos, optamos sempre por analisar a qualidade e principalmente a identidade musical do artista. Estamos sempre buscando por algo diferente, até porque Cassiane só tem uma, assim como Aline Barros, Resgate, enfim, não buscamos clones ou genéricos e sim artistas que tragam uma proposta original.

A web hoje é nossa maior aliada na busca e análise dos artistas. Se o artista não está presente com qualidade na web, efetivamente suas chances diminuem bastante na avaliação.

Ana Paula (Graça Music) - Algumas vezes, os próprios artistas do nosso cast nos indicam algum cantor de sua região, ou alguém que eles acham que poderiam somar à gravadora. Ouvimos as indicações e, sendo o perfil da GMusic, entramos em contato. Foi assim com alguns cantores que integram a gravadora hoje.

Thiago (Salluz) - Na maioria das vezes a seleção das novas contratações ocorre de forma natural. Dentre os artistas com os quais nos relacionamos, identificamos os que possuem sincronia de idéias e a partir disto surge a parceria.

Marcelo Toller (Som Livre) - Exatamente da mesma forma que selecionamos outros segmentos musicais. Assistindo shows, ouvindo rádio, pesquisando na internet, avaliando indicações de parceiros, etc...

Nelson Tristão (Onimusic) - Nossa empresa tem um foco muito definido em trabalhar a música cristã que tenha o propósito de servir a igreja, ou seja, canções que a igreja possa utilizar nos cultos ou em outras programações que estiver desenvolvendo. Procuramos então buscar ministros que tenham esse perfil em seus trabalhos.

O processo de seleção inicia-se com a observação desses aspectos em primeiro lugar. Fora isso buscamos muito de Deus que Ele nos envie as pessoas que Ele deseja que estejam na Onimusic. Cremos que deve haver uma direção de Deus em tudo, e especialmente nisso, porque é preciso que a gravadora seja a ideal para um ministro e também que o ministro entenda a identidade de nossa empresa. O sucesso de tudo dependerá de estarmos no centro da vontade de Deus.

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Supergospel - Quem é o responsável pela decisão de contratação de um artista?

Mauricio (Sony) - O departamento A&R é quem cuida de contratação e das produções, neste caso, depois de uma avaliação de cada projeto e aprovação do departamento financeiro e jurídico, a última palavra é minha.

Ana Paula (Graça Music) - A decisão final é do Missionário R.R. Soares.

Thiago (Salluz) - A Rebeca Nemer participa de todo processo de verificação de possibilidades e é quem tem a palavra final sobre a contratação, pois atua como diretora artística da Salluz.

Marcelo Toller (Som Livre) - Hoje não existe mais uma única pessoa que determina a contratação de um artista na Som Livre. Essa é uma decisão de um grupo de pessoas que avaliam vários aspectos do projeto e o potencial do artista, seja ele secular ou religioso.

Quem conduz esse processo é o departamento artístico da Som Livre, que tem o Marcelo Toller como Gerente Artistico e os coordenadores Marcus Vinícius e Rene Junior.

Nelson Tristão (Onimusic) - A decisão final é do proprietário da empresa, que cuida de todas as contratações. As canções são sempre submetidas a mais pessoas na empresa, em alguns casos até mesmo aos outros ministros associados à Onimusic. É comum também uma conversa com outros ministros associados sobre um possível novo associado. Enfim a Onimusic tem procurado ser uma grande família que deseja sempre incluir novos membros a ela, dentro da medida do possível.

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Supergospel - Que critérios são levados em conta para essa contratação?

Mauricio (Sony) - Como já falei antes, são analisados o histórico de vendas e a carreira atual. O estilo do artista e sua proposta musical. Também analisamos a característica pessoal do artista porque efetivamente nos poupamos de problemas de relacionamento futuros. Fazemos um estudo de viabilidade sobre o investimento e de acordo com nossos princípios pré-estabelecidos apenas atendendo a estes aspectos podemos seguir com a negociação.

Ana Paula (Graça Music) - A história pessoal do cantor é o que mais pesa na decisão. Mas talento também é essencial.

Thiago (Salluz) - Demanda de mercado, conduta ética e sincronia de visão entre a gravadora e o artista são alguns dos critérios utilizados.

Marcelo Toller (Som Livre) - Qualidade da produção musical, qualidade do intérprete, qualidade das composições/mensagens e capacidade do artista em amplificar sua mensagem e sua música.

Nelson Tristão (Onimusic) - Em primeiro lugar é preciso que a pessoa seja cristã, integrada em uma igreja evangélica, que dê um ótimo testemunho de vida e que seja respaldada por seus pastores e líderes. Somos muito criteriosos nisso porque queremos pessoas que sejam um exemplo de vida para os outros e não apenas bons cantores.

Em segundo lugar vemos a qualidade musical do trabalho, damos muita ênfase na letra da canção, se ela tem uma base bíblica ou se está entrando em choque com a palavra de Deus e seus princípios. Isso porque a função da musica cristã é servir de alimento para as pessoas e esse alimento precisa ser de ótima qualidade, ou seja, totalmente em sintonia com a palavra de Deus. Por fim analisamos a qualidade musical do que nos é apresentado. Essa é a ordem de importância para nossa empresa.

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Supergospel - Em média quantos CDs a gravadora recebe para avaliação por mês?

Mauricio (Sony) - Em media uns 100 trabalhos, mas isso aumenta para 600 no mês de setembro por causa da Expo Cristã.

Ana Paula (Graça Music) - Apesar de avisarmos que, no momento, a gravadora não está mais recebendo material para análise, chegam, todos os dias, 5 a 6 CDs na GMusic. Em grandes eventos, como a ExpoCristã 2010, por exemplo, recebemos quase 200 CDs até o final da Feira: é muita coisa!

Thiago (Salluz) - Varia bastante... entre 20 e 40. Tudo isso, claro, somando CD’s, material virtual e ligações.

Marcelo Toller (Som Livre) - São muitos, mas essa não é a principal fonte.

Nelson Tristão (Onimusic) - Recebemos em media entre telefonemas, emails, e cds enviados, 100 solicitações por mês, e infelizmente não temos como atender a toda essa procura por distribuição. Apesar disso todos os que nos procuram recebem uma resposta e todos os cds que são enviados são ouvidos por alguém na empresa.

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Supergospel - O artista recebe salário da gravadora e/ou porcentagem das vendas? Isso varia de um artista para o outro?

Mauricio (Sony) - Os contratos baseiam-se em royalties artísticos sobre vendagem. É o padrão do mercado. Sim, varia de artista para artista o que é bastante aceitável, pois cada artista está num estágio diferenciado.

Ana Paula (Graça Music) - Na GMusic, os artistas são pagos por meio do apuro das vendas no trimestre (direito artístico e autoral, quando ele também é autor das músicas).

Thiago (Salluz) - Não. Na Salluz os artistas não recebem salário. O que recebem é um pagamento trimestral referente aos direitos artísticos e se for o caso, autorais também, sobre a venda de CD’s dentro deste período.

Marcelo Toller (Som Livre) - A Som Livre repassa um percentual sobre as vendas dos produtos para o artista e outro percentual para as editoras/autores das obras.

Nelson Tristão (Onimusic) - Em um cd, por exemplo, temos os seguintes titulares que recebem pelo trabalho:

1- O Compositor/Autor das canções recebe os direitos autorais pelo uso de suas obras, em muitos casos há mais de um compositor/autor e eles receberão de acordo com o que eles mesmos tiverem definido como percentual de autoria de cada um. Existe a possibilidade desse compositor/autor ser editado por uma editora musical que é quem protege e promove as obras dele(s). Nesse caso, esse valor de direito autoral é compartilhado também com a editora, e quem define os percentuais são eles autores, compositores e editora.

2- O intérprete, que é a pessoa em geral que faz a voz principal da canção. Novamente pode ser mais de uma pessoa, o como em um dueto, por exemplo, ou pode ser uma música instrumental, onde o musico solista é o intérprete, ou pode ser um coletivo, ou seja, uma banda inteira com seus integrantes que formam o corpo de interpretes da canção. Novamente essa definição vem dos cantores e músicos antes de assinarem o contrato conosco. O ganho desses também é definido por um percentual sobre a venda dos cds e é popularmente chamado de direito artístico.

3- O produtor fonográfico que é o responsável financeiro pela gravação e o proprietário da master. Em geral a gravadora é que detém esse papel, ou pode também assumir simplesmente a distribuição do cd, sendo então que esse cd terá outro produtor fonográfico que também receberá uma porcentagem sobre as vendas.

Vale ressaltar a figura dos músicos acompanhantes que em geral recebem uma vez pelo trabalho da gravação do cd em questão. Em geral são contratados pela gravadora ou fazem parte da banda que acompanha esse cantor. De qualquer forma eles terão uma remuneração única pela gravação. Em alguns casos de produção independente, especialmente em se tratando de gravação de uma igreja, poder acontecer dos músicos cederem gratuitamente o seu trabalho. Novamente é uma relação entre os músicos e o produtor fonográfico e os valores são acordados caso a caso.

Todos os percentuais podem variar caso a caso, pois se trata de um livre acordo entre as partes. Cada gravadora tem sua linha de trabalho e em geral os percentuais são bastante próximos.

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Por André Mattos

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