Servir ao Senhor até envelhecer, este é o lema do Bispo José Bruno

Servir ao Senhor até envelhecer, este é o lema do Bispo José Bruno

Atualizado: Quarta-feira, 2 Julho de 2008 as 12

Por Claudia Moraes

José Bruno é bispo da igreja Renascer em Cristo; deputado estadual de São Paulo, apresentador da Rede Gospel de televisão, compositor, cantor e guitarrista da banda Resgate, e produtor musical. Além de ser formado em engenharia, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Como músico, é conhecido do público jovem desde 1989, quando iniciou a Banda Resgate. O objetivo do grupo foi e continua sendo ganhar vidas para Jesus, em uma linguagem própria, atual, e com muito rock.

Ao longo dos anos, o cantor foi assumindo outras atividades. Mas de acordo com José Bruno, "os horários não são conflitantes, por isso, dá para conciliar todas as coisas". Como bispo, ajudou a desenvolver programas sociais como o Expresso da Solidariedade, que distribui refeições em regiões carentes das grandes cidades; o Gauf (Grupo de apoio aos usuários e familiares) e o Centro de Recuperação de Dependentes Químicos, ambos voltados para a assistência ao usuário de drogas e à família, entre outros.

Guia-me - Como começou a banda Resgate e há quanto tempo?

José Bruno - Começou em 1989 e começou porque nós tocávamos no louvor da igreja e acabou dando certo.

Guia-me - Vocês sofreram preconceito pelo novo estilo? Conte um pouco desta história.

José Bruno - Deve ter tido preconceito. Não ficou muito próximo, pelo fato de estarmos na Igreja Renascer, que fazia shows e promovia eventos. O preconceito de algumas pessoas, que a gente sabe que existe, não nos afetou. A gente não sentia. Aliás, dentro da igreja Renascer sempre tivemos apoio. A própria igreja promovia e promove, até hoje, os eventos, os SOS da Vida, os shows... Então, que existe o preconceito existe, mas não chegou até nós.

Guia-me - Qual foi a mudança do início da banda até hoje?

José Bruno - Nenhuma, a gente continua tocando mal do mesmo jeito e o público continua gostando (risos).

Guia-me - O jovem ainda é o público-alvo ou este jovem envelheceu e hoje vocês têm um público mais família?

José Bruno - Não, acho que o som do Resgate não atinge idosos, nem o público família. Claro que desde o começo o objetivo da banda era transmitir o Evangelho, o Resgate não é uma banda de louvor e adoração, apesar de terem músicas do grupo que são cantadas nos cultos. Mas o objetivo é a gente falar de Jesus para alguém que não conhece a Jesus. Usar uma linguagem para quem não conhece a Jesus, para que se converta. E a gente procura sempre manter o som dentro de uma atualidade, porque se não, você não consegue comunicar o que deseja. E a gente continua falando com o jovem, que é o nosso objetivo maior e parece que estamos conseguindo. Continuamos fazendo shows em vários lugares e vendo jovens de 15, 16, 17 anos, que gostam da nossa música. Isso significa que estamos nos mantendo atuais. Esse é um trabalho difícil também, porque as coisas mudam, as tendências mudam, e a gente tem que estar sempre atualizado. Parece que a gente está conseguindo manter, enquanto estiver dando certo vamos continuar.

Guia-me - Depois de anos com a formação de quatro bispos, por que decidiram colocar mais um integrante (Dudu Borges)?

José Bruno - Na verdade, não foi depois de anos só nós quatro. Sempre nas gravações a gente tinha alguém junto conosco. Mesmo sendo quatro integrantes, nos discos mais antigos sempre houve um elemento de teclado (não o teclado sintetizador, mas de piano, de hammond que é o estilo de rock do Resgate). E que alguém fazia essa parte para nós. No Resgate Praise, nós também tivemos uma pessoa que foi contratada para nos ajudar nos arranjos. Porque faz parte do estilo da banda e não aconteceu de repente. Para quem não sabe, o Dudu Borges tocou com a gente durante quatro anos como músico convidado. Em 2006, nós promovemos a entrada dele oficialmente na banda, mas desde 2002, ele já tocava conosco. Ele veio nos ajudar desde a produção do disco "Eu continuo de pé". Então, ele trabalhou todo esse tempo e veio nos acompanhando em vários shows. E foram quatro anos em que fomos amadurecendo a idéia. Na verdade, faz parte do som da banda. E quem ouve, ouve que é o Resgate. Dos 19 anos de existência da banda, foram apenas 15 que ficamos só os quatro. E deve ter mais uns 30 ou 40 anos pela frente, então na verdade, vai ser mais tempo com cinco do que com quatro (risos).

Guia-me - O que a banda ouve?

José Bruno - Tudo o que pode chegar aos ouvidos e à percepção dos tímpanos. Desde música sertaneja... de tudo. Nós temos uma tendência por gostarmos do rock, mas acho que o músico não pode se limitar a uma tendência ou estilo. Quem ouve o Resgate sempre ouve elementos variados, tem coisas mais folk, coisas mais country, tem de tudo. A gente procura fazer um típico rock mais purista da década de 70, que hoje está bem na moda também.

Guia-me - Qual música marcou a história da banda. E do último CD "Até eu envelhecer" qual você destacaria?

José Bruno - Eu não sei se tem uma música que marcou a história da banda... Desde "Florzinha", "Ele vem", "Rock da vovó", "Lucifeia"... Ainda bem que são muitas (risos). Não saberia destacar uma. Desse último disco, poderia destacar "A gente", que conta nossa história, "Meus pés", que falam de uma verdade espiritual que a gente crê.

Guia-me - Como é conciliar tantos afazeres: bispo, deputado, cantor, apresentador, pai, esposo?

José Bruno - Os horários não são conflitantes, por isso, dá para conciliar todas as coisas. Por exemplo, o trabalho como deputado não requer todos os dias da semana, nós temos plenário às terças, quartas e quintas-feiras, sempre na parte da tarde, o que me possibilita fazer o programa "Espaço Renascer" todas as manhãs na Rede Gospel; os eventos do Resgate geralmente são nos finais de semana; e à noite a gente está na igreja... Então, dá para conciliar tudo.

Guia-me - Depois de ser diplomado deputado sua visão política mudou?

José Bruno - A visão política não. Acho que a visão de trabalhar pelo Corpo, de trabalhar pela igreja, ela continua e nunca vai mudar. O que mudou foi a maneira de compreender como se trabalhar. Porque do lado de fora você enxerga que é de uma maneira, até mesmo no próprio funcionamento da Casa, da Assembléia Legislativa, como as coisas caminham, ou seja, eu não poderia dizer que a visão política mudou, ela é a mesma. Na verdade, ela amadureceu, assim como a compreensão do processo político aumentou.

Guia-me - O que fazer para o cargo não "subir à cabeça" e ser um político incorruptível?

José Bruno - Eu acho que é muito simples. Cargo só "sobe à cabeça" de quem não tem cabeça! Para mim, ser político não é o mais importante, não me incomoda se as pessoas me chamam de deputado ou não. Se na próxima eleição, dentro de um consenso do nosso Conselho Episcopal, for decidido que eu não serei o candidato, eu não serei o candidato e vou continuar pregando. Eu estou aqui cumprindo um envio para trabalhar pelo Corpo e pela igreja. Eu não tenho uma carreira política. O que acho importante é estar aqui para trabalhar pelo Corpo, não por mim. Por mim, eu sou capaz de trabalhar onde for: eu tenho estudo, tenho capacidade, tenho inteligência... Acho que muitas pessoas levam para esse lado porque parece que ser um político é a única coisa que lhes resta na vida e todo o seu prestígio só existe porque ela está na política. Então, se amanhã eu não for mais político, eu não vou ficar decepcionado porque não tenho mais um motorista, ou porque não tenho mais uma assessoria, ou porque não tenho mais um carro oficial que possa me transportar... Amanhã, como eu costumo brincar, se se desfizer o sonho da Cinderela e a carruagem voltar a ser uma abóbora, tudo bem. Então, isso nunca vai me subir à cabeça, há pessoas que se enchem porque não sabem que a maior alegria é servir ao Senhor. Há pessoas que julgam ser mais importante ter um cargo político, por isso lhes sobe à cabeça. Agora, se amanhã eu vier a ser vereador, auxiliar de faxineiro da Assembléia Legislativa, ou senador, ou presidente da República, para mim, eu estou apenas a serviço do reino de Deus e do povo de Deus. Para mim, o crachá e o título não mudam o que eu sou. Eu continuo sendo o mesmo Zé Bruno de sempre. Eu continuo com a mesma cabeça, com as mesmas capacidades, sendo o mesmo ser humano. O cargo pode me revestir de uma autoridade política, mas ele não pode mudar o que eu sou. Sou a mesma pessoa. Se um dia eu fui diplomado e no dia anterior eu não era diplomado, o que isso muda na minha capacidade humana de realização? Nada. Eu continuo sendo a mesma pessoa. E o fato de não ser político não torna ninguém pior do que eu.

Guia-me - Quais os projetos para esse ano?

José Bruno - Para esse ano, talvez nenhum. Foi recentemente lançado o DVD e o CD do show ao vivo, que foi feito no final do ano passado. Nós devemos estar nos preparando para algum lançamento no próximo ano. Agora estamos só fazendo a divulgação do trabalho atual. No ano que vem vamos comemorar 20 anos, daí talvez teremos alguma novidade, algum novo lançamento.

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